O governo francês anunciou nesta sexta-feira (6) a mobilização de 70 mil policiais e forças de segurança em todo o país para conter possíveis distúrbios durante uma nova jornada de protestos marcada para sábado (7). As manifestações foram convocadas por sindicatos, organizações estudantis e grupos de jovens, além de integrantes do movimento dos Coletes Amarelos em meio à mobilização contra o custo de vida e às reivindicações sociais. O primeiro-ministro anunciou que vai conversar com os estudantes na segunda (9). O esquema de segurança será mantido nos mesmos moldes das operações feitas nas últimas semanas, mas as autoridades demonstram preocupação com a possibilidade de confrontos e atos de vandalismo. Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, há menos manifestações organizadas por sindicatos representativos do que na mobilização de quinta-feira (5). Em contrapartida, circulam nas redes sociais convocações para atos sem organizadores claramente identificados, situação que, segundo ele, aumenta os riscos de violência. Em entrevista coletiva em Paris, Nuñez afirmou que foram detectados apelos à violência contra as forças de segurança, prédios públicos e estabelecimentos comerciais, além de incitações a saques, bloqueios de estradas e até à insurreição. O ministro também mencionou manifestações de grupos da ultraesquerda e da esquerda radical. "Portanto, o risco é exatamente o mesmo dos sábados anteriores", afirmou. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Para garantir a segurança, o governo mobilizará 70 mil agentes, 25 veículos blindados Centaure e 15 veículos lançadores de jatos d'água, além de drones e helicópteros. Também estão previstos controles reforçados em rodovias, ferrovias e estações de trem. As autoridades locais determinaram ainda a proibição de manifestações em determinados centros urbanos. Segundo o ministro, as áreas centrais das cidades serão protegidas pelas forças de segurança. O reforço policial ocorre depois de uma série de episódios de violência registrados nas últimas semanas. No sábado, 17 de outubro, manifestações terminaram em tumulto, com casos de saques, depredações e confrontos em várias cidades francesas. Na ocasião, 60 mil policiais foram mobilizados. Na quinta-feira (5), as manifestações transcorreram, em geral, sem grandes incidentes, embora tenham sido registrados confrontos em algumas cidades. Os sindicatos estimaram a participação em mais de 1,5 milhão de pessoas em todo o país. O Ministério do Interior, por sua vez, contabilizou 575 mil manifestantes, dos quais 65 mil em Paris. Segundo Nuñez, 642 pessoas foram detidas durante os atos. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou que receberá representantes de estudantes do ensino médio e universitários na próxima segunda-feira (9), em Paris. O encontro, previsto para as 15h30, será uma primeira rodada de conversas sobre as reivindicações do movimento, que já dura seis semanas. Entre as medidas anunciadas pelo governo para responder às reivindicações estão a criação vagas para professores, o cancelamento dos cortes de postos previstos anteriormente, o limite de 28 alunos por turma no segundo ano do ensino médio, a revisão do sistema de avaliação contínua do "baccalauréat" —exame que encerra o ensino médio francês— e a abertura de 15 mil novas vagas no ensino superior. AFP denuncia agressões policiais contra jornalistas Em meio à tensão nas ruas, a direção da Agência France-Presse (AFP) denunciou nesta sexta a violência cometida por integrantes das forças de segurança contra jornalistas que cobriam as manifestações estudantis e os protestos contra o aumento do custo de vida nas últimas semanas. A agência informou que vários profissionais foram atingidos por golpes de cassetete e até por disparos de balas de borracha, apesar de estarem identificados como jornalistas. O caso mais recente ocorreu na quinta-feira (5), quando um fotógrafo da AFP, que usava a braçadeira de imprensa, foi atingido durante uma investida policial contra um cortejo de manifestantes. Ele recebeu cinco golpes de cassetete: três no capacete e dois na parte inferior de uma das pernas. O jornalista sofreu uma fratura na fíbula, osso da perna localizado entre o joelho e o tornozelo. Em 17 de outubro, outro jornalista da agência foi atingido na coxa por um disparo de bala de borracha durante uma manifestação em Lille, no norte da França. Na mesma data, uma jornalista de vídeo foi atingida de forma deliberada por um jato de água disparado pela polícia em Paris. Ela estava acompanhada de profissionais de outros veículos de comunicação, todos identificados como integrantes da imprensa. No dia seguinte, também recebeu um golpe de cassetete. Em comunicado, a direção da AFP reconheceu as condições difíceis enfrentadas pelas forças de segurança durante as operações, mas considerou indispensável que a identificação dos profissionais de imprensa seja levada em consideração pelos policiais. A agência pediu que sejam adotadas todas as precauções necessárias para preservar a integridade física dos jornalistas e permitir que cumpram seu trabalho. Também ressaltou que a possibilidade de observar, fotografar e filmar manifestações e operações policiais é parte essencial da missão de informar o público. As denúncias de agressões não se limitam à AFP. Sindicatos de jornalistas e organizações de defesa da liberdade de imprensa também vêm alertando para a violência contra profissionais que acompanham os protestos. A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) informou ter contabilizado 58 casos de impedimento ou violência contra jornalistas durante a cobertura das mobilizações, sem incluir os episódios registrados na quinta-feira. Desse total, 40 envolveram integrantes das forças de segurança, e 18 foram atribuídos a manifestantes ou terceiros. A entidade identificou ainda 35 casos de violência física, dos quais 21 teriam sido cometidos por agentes das forças de segurança. Também nesta sexta-feira, uma repórter da revista Politis e uma fotógrafa do coletivo Divergences anunciaram, por meio de sua advogada, que apresentarão queixa contra policiais. As duas afirmam ter sido agredidas enquanto cobriam a manifestação de quinta-feira em Paris.
Fran�a mobiliza 70 mil agentes para protestos; ag�ncia denuncia agress�o policial contra jornalistas
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