Forte gasto com IA prepara investidores para nova temporada de lucros nos EUA

Forte gasto com IA prepara investidores para nova temporada de lucros nos EUA

Nova York |Financial Times Os Estados Unidos se preparam para mais um trimestre de resultados corporativos robustos, impulsionados pelos elevados gastos com a expansão da infraestrutura de IA (inteligência artificial). O forte crescimento deve ajudar Wall Street a deixar de lado as preocupações sobre a sustentabilidade da alta das ações ligadas à IA em um cenário de aumento dos custos de financiamento, mas pode fazer pouco para aliviar os temores sobre a dependência cada vez maior do mercado acionário, que está em níveis recordes, de um pequeno grupo de empresas de tecnologia. Operadores trabalham no pregão da NYSE (Bolsa de Valores de Nova York) - Jeenah Moon/Reuters A temporada de resultados começa na próxima semana, e os lucros das empresas do S&P 500 devem ter crescido 27% no terceiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Goldman Sachs. A alta deve ser impulsionada pelas empresas que estão no centro do boom de infraestrutura de IA. Esse seria o terceiro trimestre consecutivo em que o crescimento dos lucros supera 25% —uma sequência sem precedentes fora de períodos de recuperação após crises financeiras, segundo Manish Kabra, estrategista-chefe de ações americanas do Société Générale. A receita deve crescer 12%. Os investidores estão testemunhando "o melhor crescimento de lucros e margens de nossa vida", em grande parte graças aos investimentos em infraestrutura de IA, disse Steve Chiavarone, diretor de investimentos para ações da Federated Hermes. "As pessoas criam preocupações [...] que são esmagadas pelos resultados", acrescentou. As ações americanas fecharam em nível recorde na terça-feira (6), tendo em grande parte ignorado a onda de vendas no mercado de títulos do Tesouro americano que começou em meados de agosto e se acelerou depois que o Fed (Federal Reserve) elevou os juros no mês passado pela primeira vez em três anos. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões Os custos de financiamento de longo prazo dispararam para os níveis mais altos em mais de duas décadas como resultado. Isso aumentou a pressão sobre os setores mais sensíveis aos juros da economia americana, como financeiro, imobiliário e de serviços públicos, além de empresas menores e consumidores. Ainda assim, os 11 setores do S&P 500 devem apresentar crescimento dos lucros, segundo a FactSet. A provedora de dados também observa que um número recorde de 72 empresas do S&P 500 divulgou projeções positivas para os resultados do terceiro trimestre, enquanto a quantidade de companhias que emitiram projeções negativas está no menor nível em cinco anos. Alguns analistas esperam que o bom momento continue. "Nem os dados macroeconômicos recentes nem os sinais relacionados ao boom de investimentos em IA apontam para uma desaceleração", disse Ben Snider, estrategista-chefe de ações americanas do Goldman Sachs. As empresas americanas de energia devem registrar lucros elevados graças à disparada dos preços da energia provocada pelo fechamento do Estreito de Hormuz, que penalizou os consumidores dos Estados Unidos. A alta de 30% no preço do petróleo WTI (West Texas Intermediate) no terceiro trimestre faz com que as grandes empresas de energia listadas nos EUA devam registrar crescimento de 114% nos lucros trimestrais em relação ao mesmo período do ano anterior, acima da previsão de alta de 79% feita no fim de junho, segundo a FactSet. Marathon Petroleum e Valero Energy estão entre as principais beneficiárias esperadas. Mas a maior parte do crescimento dos lucros do mercado deve vir novamente das gigantes de tecnologia, segundo analistas. A fabricante de chips Micron deu uma prévia do que está por vir na semana passada, ao registrar lucro líquido de US$ 37,7 bilhões (R$ 188,2 bilhões), ante US$ 3,2 bilhões (R$ 16 bilhões) um ano antes. Um pequeno grupo de grandes empresas de tecnologia —entre elas Meta, Alphabet e Broadcom— também sustenta o mercado acionário mais amplo, enquanto o aumento dos custos de financiamento do governo e a alta dos preços da energia pressionam outros setores. Micron e Nvidia devem responder por mais de um terço da expansão total dos lucros do mercado no trimestre, segundo estimativa do Goldman Sachs. Isso alimenta preocupações sobre a concentração do crescimento dos lucros e sobre as empresas ligadas à IA que sustentam os recordes do mercado acionário. Várias dessas companhias são, ao mesmo tempo, clientes e investidoras umas das outras. A amplitude do mercado caiu para o menor nível desde a bolha das empresas de tecnologia no início dos anos 2000, enquanto os investidores continuam direcionando dinheiro para um conjunto cada vez mais restrito de ações ligadas à IA. Analistas do Goldman esperam que os investimentos em capital das chamadas hyperscalers —grandes empresas de tecnologia que operam enormes infraestruturas de computação em nuvem— tenham crescido a um ritmo anualizado de 116% no terceiro trimestre, acelerando em relação à expansão de 87% registrada no segundo trimestre. Qualquer sinal de desaceleração no crescimento dos investimentos representaria um problema para a economia americana, segundo Tiffany Wilding, economista da Pimco. "A resiliência da economia dependeria então mais dos ganhos de produtividade impulsionados pela IA chegarem rápido o suficiente para substituir os gastos que estão perdendo força", escreveu Wilding em uma nota nesta semana.

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