Talvez com a exceção de um ou outro petista mais iludido, a ninguém surpreendeu a primeira pesquisa do instituto Datafolha divulgada após a definição do segundo turno da eleição presidencial no Brasil. De acordo com o levantamento, o senador Flávio Bolsonaro (PL) mantém a vantagem conquistada nas urnas no dia 4 e acumula 52% das intenções de votos válidos, contra 48% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Quando se computam as preferências totais, Flávio tem 49%, e Lula, 45%, com 1% de eleitores indecisos e outros 5% que declaram voto em branco ou nulo. Do ponto de vista do petista, que está atrás na disputa, há pouco espaço para crescer sem converter apoiadores de seu adversário. A possível vitória de Flávio, assim, já vem sendo precificada em diversos setores, para usar um jargão do mercado. Desde segunda-feira (5), a Bolsa sobe e o dólar cai, na medida em que investidores se animam com a hipótese de o senador conduzir um governo mais preocupado com o controle da dívida pública brasileira. Na arena política, a perspectiva de poder exerce sua natural força de atração. Menos de 24 horas depois de confirmado o segundo turno, Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, anunciou uma nada surpreendente adesão ao candidato do PL. Com mero 0,27% dos votos, Zema tem pouco capital eleitoral para emprestar, mas ele puxou uma fila na qual entraram outros presidenciáveis frustrados, como Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás que registrou 2,18% dos votos, e o escritor Augusto Cury (Avante), com 2,89%. As alianças de Flávio não pararam por aí. Entre outras movimentações em torno da órbita bolsonarista, o Republicanos oficializou um apoio escorado nas vitórias para o governo dos dois maiores colégios eleitorais do país: Tarcísio de Freitas (São Paulo) e Cleitinho (Minas Gerais). Lula, agora sem o apelo gravitacional, fez pouco mais do que reclamar de uma campanha que, na sua visão, ficou aquém de suas possibilidades e se revelou a mais desorganizada desde 1989. Ainda que ele possa estar certo nesse ponto, teria mais razão se reclamasse do próprio governo, considerado ruim ou péssimo por 40% dos eleitores e avaliado como ótimo ou bom por 35%. Diante desse quadro, não surpreende que sua rejeição seja numericamente maior que a de Flávio (46% a 43%), nem que 1 a cada 4 eleitores do senador diga que escolhe o bolsonarista apenas para derrotar Lula. A campanha petista ainda torce por uma virada como a que se deu em 2014, quando Dilma Rousseff (PT) saiu atrás de Aécio Neves (PSDB) no primeiro Datafolha do segundo turno e venceu. Pode-se imaginar que o PT tentará variadas estratégias para reverter a situação desfavorável, mas, do ponto de vista do eleitor, o que importa é aproveitar o segundo turno para finalmente ver um confronto franco entre as propostas de Flávio e Lula. editoriais@grupofolha.com.br
Fl�vio sai na frente no Datafolha e nas alian�as
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.