O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) cogita nomear um militar como ministro da Defesa caso seja eleito presidente neste domingo (25). Se Lula (PT) conseguir a reeleição, é possível que a pasta tenha pela primeira vez uma mulher como titular, a atual secretária-geral Cinara Wagner Fredo. Pela pesquisa Datafolha publicada na quinta-feira (22), Flávio e Lula estão empatados tecnicamente, com 50% dos votos válidos para cada um. A proximidade da definição do eleito aumentou as articulações e pressões em torno da formação do futuro governo. Segundo apurou a Folha, o candidato do PL comentou com aliados que gostaria de nomear um militar para a Defesa e que este seria o único integrante das Forças Armadas no primeiro escalão –à exceção do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), cujo titular é por praxe um militar. Acompanhe na Folha em tempo real a apuração do 2º turno Por esse raciocínio, Flávio já faria uma inflexão moderada em relação ao governo do pai, que encheu a Esplanada dos Ministérios de militares, em pastas como a Casa Civil, a Saúde, a Secretaria-Geral e Minas e Energia. Se levar adiante a ideia, o ministro da Defesa de um futuro governo Flávio teria obviamente de ser um oficial-general de quatro estrelas, e a origem mais provável seria a Marinha. Como apontam integrantes do Exército, os generais de quatro estrelas da força terrestre que tinham interlocução com Jair Bolsonaro e sua família estão presos por tentativa de golpe de Estado, caso de Augusto Heleno, Walter Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira. A Marinha, ademais, foi a única das Forças Armadas cujo comandante, segundo a investigação que embasou o julgamento da trama golpista no STF (Supremo Tribunal Federal), se colocou à disposição de Bolsonaro para uma ruptura institucional: o almirante Almir Garnier, também preso. Dois "quatro estrelas" da Marinha que serviram ao governo Bolsonaro não foram condenados, e seriam ministeriáveis caso Flávio leve adiante a ideia de nomear um militar para a Defesa se for eleito. São eles os almirantes Flávio Rocha (ex-secretário especial de Assuntos Estratégicos) e Bento Albuquerque (ex-ministro de Minas e Energia). Rocha tem a vantagem de ser amigo próximo dos Bolsonaro, inclusive do filho mais velho de Jair, e gozar de ótima reputação na família. Aliados e auxiliares do senador mais moderados defendem que, em caso de vitória, o senador nomeie um civil para a Defesa, como manda a tradição nas democracias desenvolvidas –a partir da premissa de subordinação do poder militar ao poder civil emanado das urnas. Se prevalecer essa opção, um dos favoritos ao cargo, como mostrou a Folha, é Marcos Degaut, ex-secretário de Produtos de Defesa do ministério e ex-diretor do principal conglomerado de defesa dos Emirados Árabes Unidos, o Edge Group, para Brasil e América Latina. Ele é ligado a Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, e ao comentarista político Paulo Figueiredo, radicados nos Estados Unidos. Nos últimos dias, o nome do senador reeleito Carlos Portinho (PL-RJ) passou a circular entre militares como um candidato à vaga, com boa acolhida nas três Forças Armadas. Em favor dele estão a proximidade com Flávio e uma atuação que agradou ao setor – é o autor da PEC (proposta de emenda Constitucional) para garantir a previsibilidade para o orçamento de defesa do Brasil, em tramitação no Senado, que originalmente previa que tal fatia seja igual ou superior a 2% do PIB. O que dificulta a opção por Portinho é a falta de atrativo do cargo para um político jovem (53 anos) e em ascensão. O Ministério da Defesa, com orçamento engessado por gastos com pessoal e com visibilidade eleitoral ínfima, costuma espantar ministériáveis com o perfil do senador reeleito. Se Lula conseguir uma virada sobre Flávio e se reeleger, já está certo que o atual titular do ministério, José Múcio Monteiro, deixará o cargo. Múcio defende que seja nomeada no lugar dele a secretária-geral da Defesa, Cinara Wagner Fredo. Múcio espera convencer Lula com dois argumentos principais. Primeiro, fará rasgados elogios à capacidade técnica e de gestão de Cinara, servidora do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) importada pela Defesa dada a delicadeza e complexidade do tema da Previdência dos militares. Também espera que a chance de o ministério ter a primeira mulher em sua história sensibilize o presidente e a base do petista, que costuma cobrá-lo para ampliar a diversidade de gênero na Esplanada. Além disso, por Cinara já estar num posto estratégico na pasta, Múcio sustenta que ela ajudou no que foi feito na parte mais administrativa na gestão (concurso para servidores civis do órgão, abertura de serviço militar voluntário para mulheres, etc) e conhece a fundo que ainda há a fazer na área (centralizar no ministério as compras das três Forças Armadas, diminuir número de adidos militares pelo mundo, dentre outros). Múcio considera cumprida as principais missões a ele incumbidas —diminuir a politização das Forças Armadas, herança de Bolsonaro, e começar a recompor a indústria de Defesa— e já tentou entregar o cargo a Lula, mas o presidente o demoveu. Caso o petista seja reeleito, é possível que o ministro peça para sair antes mesmo do final do mandato, com Cinara assumindo interinamente. O Ministério da Defesa foi criado em 1999, no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, após muita resistência dos militares. Antes, havia um ministério para cada uma das Forças Armadas. Desde a origem, sempre teve um civil como ministro, até o governo Temer, que nomeou o primeiro militar para a função, o general Joaquim Silva e Luna. Bolsonaro manteve a exceção, tendo outros três generais do Exército como ministros, Fernando Azevedo e Silva, Walter Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira. Os dois últimos estão presos por tentativa de golpe.
Fl�vio cogita nomear militar para a Defesa, e Lula poder� ter primeira mulher na pasta
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