Flávio Bolsonaro (PL) ainda não ganhou a eleição, mas ele e os integrantes de sua campanha agem como se o candidato já estivesse sentado na cadeira de presidente da República. Fazem reuniões a portas fechadas e acertam o futuro de quem vai ou não sobreviver aos escândalos do Master, do INSS e afins. Negociam quem vai entrar ou não na lista dos impichados no STF (Supremo Tribunal Federal), prometem mudanças nebulosas para o que o candidato chama de "redemocratização" da Constituição e articulam indicações ao tribunal com base no elenco de senadores e deputados eleitos no domingo —um plantel de dimensões históricas. Além de desenhar uma agenda para um eventual governo, a campanha tenta pegar carona na indignação do eleitor com a corte e conseguir mais um impulso na reta final da eleição. Envolvido no caso Master pela revelação de pagamentos a seu filho e de relações com advogados contratados pelo banco, Kassio Nunes Marques não esperou o resultado das eleições para sinalizar que cogita anular a condenação de Jair Bolsonaro e permitir a sua soltura. O ministro diz que a decisão será tomada após o segundo turno para evitar "interferir no processo eleitoral". É cautela de fachada. A atuação de Kassio espanta, não somente porque ele é o presidente do TSE, que deveria cuidar da disputa com zelo máximo, mas também porque esse sinal influencia o voto. Aliás, o ministro tem a ganhar com um eventual impeachment de Alexandre de Moraes num governo de direita: ele é o primeiro na fila para a presidência do STF caso o algoz de Bolsonaro esteja fora do páreo. Kassio foi um crítico vocal do que se chamou de "ativismo do Judiciário" a favor de Lula no primeiro turno. Esse mote impulsionou votos dos candidatos de direita e, segundo especialistas, foi decisivo para a vantagem de Flávio. Erra feio quem diz que o ativismo favoreceu só o lado de Lula. É possível incluir na lista os ministros do STF André Mendonça e Luiz Fux, além de Kassio. Decisões do trio sobre investigações ou sobre a campanha tiveram efeito direto na disputa. Enquanto Flávio continua surfando no clima anti-STF, perguntar o que fará em caso de vitória no segundo turno soa, para aliados, quase como ofensa. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Fl�vio Bolsonaro negocia o tribunal dos sobreviventes
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