Fl�vio Bolsonaro age bem ao desistir de atacar o pleito

Fl�vio Bolsonaro age bem ao desistir de atacar o pleito

Agiu bem o senador Flávio Bolsonaro (PL) ao desistir de pleitear a anulação da eleição deste domingo (25). A insistência no jogo bruto prejudicaria a normalização das relações políticas no país e seria um exemplo de comportamento desviante a reverberar para o futuro. O desafiante declarara na noite da apuração que não poderia considerar legítima a sua derrota por causa da extensão em duas horas do horário de votação, determinada monocraticamente pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, em atendimento a petição do PT. Zanin, pela imprudência de interferir na undécima hora num ritual sagrado da democracia, e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, pela omissão diante de solicitações mais tempestivas de estender a votação, foram corresponsáveis por essa lambança. Vale lembrar que a chapa de Flávio também pediu ao TSE a prorrogação da votação em redutos da direita, sob alegação de transtornos com o mau tempo. Ao estender a decisão para todo o país, embora sem se preocupar com operacionalidade e impacto, Zanin satisfez desejos de PT e PL. O choro de perdedor poderia até fazer algum sentido se a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tivesse ficado por um fio. Não faz nenhum sentido quando 4,4 milhões de sufrágios, ou 3,6% dos votantes, distanciaram o vencedor do perdedor. Antes de propagar teorias conspiratórias para deslegitimar o processo eleitoral, Flávio Bolsonaro poderia ter verificado quantas pessoas no país registraram o voto após as 17h, final do horário regulamentar, até as 19h, limite ordenado pela decisão judicial estapafúrdia. Teria constatado um resíduo inferior a 35 mil, incapaz de alterar o resultado diante do total de 124 milhões de votos. A democracia e a paz social se beneficiam da rápida revisão da disposição do senador fluminense para a rebeldia. O passo seguinte deveria ser o reconhecimento público do resultado. Não é fácil admitir a derrota e cumprimentar o adversário, mas essa atitude civiliza a política e reforça no lado derrotado a condição para competir de novo no pleito seguinte. A regra tácita da boa convivência também recomenda ao grupo vitorioso que não se ponha a perseguir a oposição. É descabida, a propósito, a notícia de que o ministro Alexandre de Moraes mandou recolher o passaporte de Flávio por declarações sugerindo que ele deixe o Brasil feitas pelo irmão exilado Eduardo. As agendas da depreciação do processo eleitoral e da vingança deveriam ser abandonadas. editoriais@grupofolha.com.br

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