Fim de bets e novo Desenrola devem elevar a R$ 215 bi pacote eleitoral do governo

Fim de bets e novo Desenrola devem elevar a R$ 215 bi pacote eleitoral do governo

O fim das casas de aposta on-line e a terceira edição do Desenrola Brasil, programa do governo para renegociação de dívidas, elevam o custo do pacote de bondades do presidente Lula anunciadas em ano eleitoral a até R$ 215,6 bilhões. Em maio, segundo cálculo da Folha com base em informações do governo e auxílio de especialistas, o pacote até então de 11 medidas envolvia recursos na ordem de R$ 144 bilhões. Ao final de junho, antes do defeso eleitoral, o montante chegou a R$ 180 bilhões, em 16 medidas. Já no início de setembro, a cifra alcançou os R$ 193,8 bilhões e, agora, ultrapassa os R$ 200 bilhões, com um total de 22 ações. O fim das bets trará uma perda arrecadatória de R$ 1,5 bilhão neste ano, além de R$ 5,3 bilhões que seriam arrecadados com a taxação dos ganhos das casas de apostas e com a taxa de fiscalização cobrada delas, segundo o previsto no PLOA (projeto de Lei Orçamentária Anual) do próximo ano. Segundo dados da Receita Federal, a arrecadação com as bets foi de cerca de R$ 10 bilhões em 2025. Já no primeiro semestre de 2026, foram arrecadados cerca de R$ 7,3 bilhões. Esses valores, porém, consideram não só a tributação dos ganhos das casas de apostas, mas também as contribuições sociais e previdenciárias pagas pelas empresas. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Já com o Desenrola 3.0, o governo prevê alcançar cerca de R$ 150 bilhões em dívidas, gastando até R$ 15 bilhões para comprar esse estoque com desconto mínimo de 90% até 2028. O governo se propôs a adquirir dívidas de até R$ 10 mil que estão nos balanços dos bancos. A ideia é negociar, ele mesmo, com endividados e repassar os descontos negociados no atacado com as instituições bancárias. Ao mesmo tempo, liberar os bancos para emprestar mais. O governo Lula nega que as medidas tenham caráter eleitoral. Quando lançou o aumento do Bolsa Família, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que as ações são responsáveis e dentro do Orçamento, ao contrário do que foi feito no último ano de gestão de Jair Bolsonaro (PL). Uma das primeiras medidas do ano foi o aporte de até R$ 15 bilhões no FGO (Fundo de Garantia de Operações), operado pelo Banco do Brasil, para o programa Desenrola 2.0. O FGO é administrado pelo Banco do Brasil, que garante o pagamento das dívidas renegociadas pelos bancos em caso de calote. Depois, em abril, o governo anunciou uma linha de crédito de R$ 21,2 bilhões para o financiamento da compra de caminhões e ônibus, como também uma linha de R$ 10 bilhões para compra de máquinas agrícolas aos produtores rurais. Ainda, a Folha mostrou que a nova linha de crédito para aquisição de motos por entregadores de aplicativos deve prever cerca de R$ 4 bilhões em novos empréstimos. Recentemente, o governo também anunciou uma linha de R$ 30 bilhões voltada à renovação de frota para taxistas e motoristas de apps. Outra medida mais recente foi o reajuste do Bolsa Família, com custo estimado de R$ 22 bilhões para este ano e o próximo. Em entrevista à Folha em agosto, o secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Guilherme Mello, disse que essas medidas têm impacto positivo sobre a economia, mas não colocam em risco as metas fiscais e o controle da inflação.

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