O Paraná elegeu o deputado federal Filipe Barros (PL) para o Senado neste domingo (4). Ex-vereador de Londrina, no norte do estado, e encerrando seu segundo mandato como deputado federal, Barros é um nome da direita radical. Fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado, Barros defende o impeachment do ministro Alexandre de Moares, do STF (Supremo Tribunal Federal), e anistia a envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Com 99,72% das urnas apuradas, Barros tinha 27,28% dos votos válidos, seguido por Deltan Dallagnol (Novo), com 25,16 %, ambos matematicamente eleitos. A validade da candidatura do ex-procurador da República, porém, ainda está sendo analisado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No início da noite de sábado (3), o registro de Dallagnol foi vetado pelo ministro do TSE Floriano de Azevedo Marques, que determinou que os votos nele fossem considerados nulos. Mas, na manhã deste domingo, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, derrubou a decisão do colega e Deltan voltou a ter a candidatura deferida, na condição de sub judice, ou seja, ainda dependendo de uma análise final do TSE. Segundo Nunes Marques, a discussão sobre a candidatura de Deltan deve ser feita pelo plenário do TSE, e não por um único ministro. Além disso, ponderou neste domingo que "não há mais tempo para informar o eleitorado paranaense de que os votos dados a um candidato que consta da urna serão desconsiderados". O terceiro colocado é o deputado estadual Alexandre Curi (Republicanos), apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD), com 16,83%. Os dois candidatos do PT no estado, a deputada federal Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, tinham, respectivamente, 13,34% e 9,99% dos votos válidos. Outros candidatos eram Cristina Graeml (PSD), Karen Guerreiro (Missão) e Joaquim do MLB (UP), que juntos somavam menos de 8% dos votos válidos. Os atuais senadores Oriovisto Guimarães (PSDB) e Flávio Arns (PSB) deixam a Casa em janeiro de 2027 após oito anos de mandato. Eles não concorreram à reeleição. Na redes sociais, Deltan postou um vídeo comemorando a vitória com apoiadores. Na legenda, diz que ficou "15 dias sem poder pedir votos" e "combatendo fake news com uma decisão na véspera que dizia que ia tirar meu nome e jogar os votos no lixo". "[Mas] o Paraná não se cala, o Paraná não desacredita, o Paraná luta", escreveu. Com esse resultado, as duas cadeiras do Paraná na Casa vão para nomes alinhados ao bolsonarismo. Também são aliados do ex-juiz da Operação Lava Jato e ex-ministro do governo Jair Bolsonaro Sergio Moro, que concorreu ao governo do estado. Indefinição sobre Deltan Em 8 de setembro, o TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral) do Paraná aprovou a candidatura de Deltan, por 4 votos a 3. Mas a coligação ao Governo do Paraná formada por partidos como PT e PDT recorreu ao TSE. A oposição entende que o ex-procurador está inelegível em razão de uma decisão do TSE sobre as eleições de 2022. Deltan foi o nome mais votado no pleito daquele ano entre os concorrentes a deputado federal pelo Paraná, mas seu registro de candidatura (na época pelo Podemos) foi anulado pelo TSE em maio de 2023, quando ele já exercia o mandato na Câmara. Com a decisão, ele perdeu a cadeira e deixou Brasília. Naquele momento, o TSE concluiu que Deltan estava inelegível porque pediu exoneração do Ministério Público Federal no final de 2021 para evitar ser alvo de um PAD (Processo Administrativo Disciplinar). Pela Lei da Ficha Limpa, membros do Ministério Público que tenham pedido exoneração na pendência de um PAD são considerados inaptos para as urnas pelo prazo de oito anos. No caso de Deltan, não havia PAD aberto, mas o TSE entendeu que procedimentos em andamento no Conselho Nacional do Ministério Público contra ele tinham potencial para gerar um processo no futuro e a exoneração foi interpretada como uma tentativa de burlar a Lei da Ficha Limpa. Assim, de acordo com aquela decisão do TSE, Deltan só poderia se candidatar novamente em 2029, oito anos após a exoneração. O ex-procurador, contudo, voltou a se inscrever na disputa deste ano, para tentar ocupar uma das vagas ao Senado e o seu caso será novamente analisado pelo plenário do TSE. Por conta da possível irregularidade no registro de candidatura, uma liminar do TSE em 19 de setembro o proibiu de utilizar recursos públicos de campanha, veicular propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV ou participar de debates. Após a decisão, Deltan passou a usar nas redes sociais uma foto em que aparece com uma fita na boca, na qual se lê "censurado". Deltan se tornou nacionalmente conhecido em razão da Operação Lava Jato, deflagrada em 2014. Na época, ele era procurador da República no Paraná e coordenava a operação no Ministério Público Federal.
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