O Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) manteve os juros estáveis nesta quarta-feira (28), como esperado, optando por adiar qualquer mudança na taxa até depois das eleições de meio de mandato da próxima semana nos Estados Unidos e aguardando novos dados sobre a trajetória da inflação. Em uma decisão por 10 votos a 2, o banco central dos EUA afirmou que manteria sua taxa básica de juros na faixa atual de 3,75% a 4,00%, ao mesmo tempo que reconheceu que a inflação "permanece elevada", melhorou sua avaliação da economia e sinalizou que novas altas de juros podem ocorrer, dependendo do comportamento da inflação. "O acúmulo de mais informações ajudará o Comitê a determinar a orientação de política monetária adequada para assegurar o retorno da inflação, em tempo hábil, à meta de 2% do Comitê", afirmou o Comitê Federal de Mercado Aberto, responsável pela definição dos juros, em seu comunicado mais recente. "O Comitê garantirá a estabilidade de preços." A diretora do Fed Lisa Cook, atualmente alvo de uma tentativa do presidente Donald Trump de removê-la do banco central, divergiu em favor de uma alta de 0,25 ponto percentual, assim como a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, uma voz consistentemente favorável a uma política monetária mais restritiva, que também havia divergido em julho pelo mesmo motivo. O comunicado mais recente do Fed representa uma mudança significativa em relação à reunião de 15 e 16 de setembro, ao trazer um indício do tipo de orientação futura que o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou querer evitar. A avaliação do Fed sobre a economia foi elevada de uma expansão "sólida", observada na reunião de setembro, para "forte", enquanto os investimentos continuaram sendo considerados robustos e o crescimento do emprego acompanhava o da força de trabalho. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões TEMORES DE QUE A INFLAÇÃO ESTEJA SE DISSEMINANDO O resultado da reunião desta semana era amplamente esperado depois que dirigentes do alto escalão do Fed indicaram não ver urgência em elevar novamente os juros após o aumento de 0,25 ponto percentual aprovado no mês passado, apesar de os dados de inflação divulgados desde então terem superado as previsões e das preocupações de que as pressões sobre os preços estejam se disseminando pela economia. Os custos de energia continuam elevados, inclusive os do diesel, insumo essencial para o transporte de cargas, a agricultura e outros setores. A inflação e o custo de vida em geral têm sido temas centrais nas disputas políticas que determinarão se o Partido Republicano de Trump continuará controlando as duas casas do Congresso em 3 de novembro ou se os democratas assumirão posições de liderança e obterão poderes de fiscalização mais amplos, inclusive sobre o Fed. Warsh realizará uma entrevista coletiva às 14h30 no horário da costa leste dos EUA (18h30 GMT) para detalhar a decisão de política monetária e as perspectivas econômicas. Os investidores esperam que novas altas de juros sejam necessárias, começando em dezembro e prosseguindo em 2027, para reduzir a inflação, que atualmente está cerca de 1 ponto percentual acima da meta do Fed e apresentou pouco avanço nos últimos meses. O banco central dos EUA não atinge sua meta de inflação há cinco anos e meio, fato que levou alguns dirigentes a temer que empresas e famílias estejam se acostumando a aumentos de preços mais rápidos e possam passar a se planejar com base neles, dificultando o controle da inflação.
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