Fechamento repentino de escolas de idiomas no Canad� frustra intercambistas brasileiros

Fechamento repentino de escolas de idiomas no Canad� frustra intercambistas brasileiros

A gerente de contas Amanda Grecco, 33, chegou a Toronto no último fim de semana com a expectativa de quem viaja ao Canadá para estudar inglês. Ela faria um curso intensivo na escola Ilac (International Language Academy of Canada), escolhida após ouvir boas recomendações de outros estudantes. Mas, antes da primeira aula, descobriu que a instituição havia fechado as portas. O aviso chegou por email, depois de Amanda ter desembarcado no país. "Eu falei: ‘Não, isso é um golpe, certeza, certeza, eu caí num golpe’. Quando eu abri o Instagram, eu vi que realmente eles fecharam, que tinha mil compartilhamentos, mil coisas, pessoas desesperadas", conta Amanda. A Ilac encerrou as operações após o período de aulas na sexta-feira (18), deixando estudantes em Toronto e Vancouver sem as aulas contratadas. A Languages Canada —associação que reúne instituições do setor de ensino de idiomas no país e atua na representação das escolas associadas— classificou o fechamento como repentino e informou que recebeu a notícia da direção da escola no próprio dia. O engenheiro agrônomo Rafael Arena, 33, também teve o planejamento interrompido, mas ainda estava no Brasil. Ele embarca para o Canadá nesta semana, após contratar outra escola e pagar novamente para não perder a viagem planejada por cerca de um ano. "Quando aconteceu todo esse fechamento da escola, eu procurei outra escola [...] para não perder uma parte desse dinheiro que já tinha sido investido, que era passagem aérea, documentação e o tempo e o planejamento dessa data", afirma Rafael, que conta que se prepara para a viagem há um ano. Ele havia contratado diretamente com a Ilac um curso intensivo de um mês e um quarto privativo de acomodação. Com a passagem e outros gastos, o investimento chegou perto de R$ 30 mil. Para embarcar, Rafael pagou mais 2.500 dólares canadenses (cerca de R$ 9.000) por uma nova escola. As histórias de Amanda e Rafael são exemplos do impacto do fechamento de duas escolas de idiomas no Canadá em menos de uma semana. A outra foi a EC English, que encerrou o funcionamento das unidades canadenses em 14 de setembro. A instituição contava com 375 alunos nas unidades de Toronto e Vancouver e 40 em Montreal. Segundo a Languages Canada, o fechamento da Ilac, maior escola de idiomas do país, afetou 1.362 alunos em Toronto e Vancouver. Até a última terça-feira (22), mais de 430 foram realocados. A Languages Canada coordena a realocação e afirma que o programa de seguro da associação garante o ressarcimento da mensalidade já paga por meio da transferência para uma escola comparável da rede. No entanto, o seguro não cobre nem reembolsa acomodação, viagens e outros serviços contratados pelos estudantes nessas escolas. A surpresa dos estudantes também está ligada ao motivo que levou os dois a escolherem a Ilac. A ideia era evitar o risco. "Eu escolhi justamente a Ilac para ter uma certeza de que eu não estava entrando numa cilada", relata Rafael. Amanda também pesquisou opções e o histórico da escola. "Eu tinha muitas indicações de brasileiros que fizeram e amaram a experiência. É uma escola que já estava há 30 anos no Canadá." Amanda conseguiu uma alternativa por conta própria. Ela pesquisou outras opções de escolas e acabou fechando com Kaplan, que devido à situação da brasileira decidiu não cobrar pelo curso. "Eu fiquei muito feliz com o caminho que as coisas tomaram, porque podia ser muito trágico. Eu estou muito aliviada, mas eu acho que esse sentimento coletivo de não saber como essas outras pessoas tão jovens estão lidando com isso me aflige muito", afirma Amanda. No Brasil, muitas agências de intercâmbio ofereciam a Ilac e a EC como opções de escolas para os intercambistas. Procuradas pela Folha, as principais agências afirmam ter atuado para reduzir os impactos dos estudantes. A CI afirma ter realocado, em menos de 24 horas, todos os estudantes que estavam fora do país para escolas de padrão igual ou superior ao contratado e afirma que os próximos embarques também recebem assistência. "Os clientes que ainda irão embarcar estão sendo reacomodados e recebendo toda assistência necessária", afirmou Celso Garcia, co-CEO e fundador da empresa. A IE afirma que realocou imediatamente todos os alunos, sem impacto na acomodação, considerando idioma, idade e cidade, e que não foi avisada previamente dos fechamentos. "Todos os nossos alunos de cursos de idiomas no exterior foram realocados para outras escolas imediatamente após a notícia. Ninguém ficou sem aulas e continuamos assistindo todos no quesito acomodação, sem impacto financeiro", declarouMarcelo Melo, diretor da IE. Em nota, a STB informou que também está em contato com os estudantes "para prestar o suporte necessário e conduzir o processo de realocação para outras instituições, de modo a viabilizar a continuidade dos estudos". Os relatos de Amanda e Rafael mostram uma situação diferente para quem fechou diretamente com a Ilac e ainda não tinha uma agência brasileira como intermediária. Os dois receberam mensagem da KPMG, administradora da insolvência, de que dívidas e casos seriam levantados. Em seu site, a Ilac atribuiu as dificuldades dos últimos três anos a "mudanças regulatórias significativas", disse não ter mais condições de operar e trabalhar com reguladores na transição. Em nota, a EC English anunciou processos de insolvência e liquidação, citando dificuldades financeiras e falta de investimentos. A instituição também afirmou priorizar o atendimento de estudantes, funcionários e demais envolvidos.

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