Falha operacional deixa B3 mais de 3 h fora do ar e volume negociado cai

Falha operacional deixa B3 mais de 3 h fora do ar e volume negociado cai

A B3, Bolsa de Valores brasileira, registrou um atraso de mais de três horas na abertura do pregão nesta sexta-feira (31) por causa de uma falha operacional. As negociações, tradicionalmente iniciadas às 10h, começaram apenas por volta das 12h45. Operadores do mercado financeiro relataram dificuldades para visualizar posições. Ao fim do dia mais curto, o volume financeiro negociado na Bolsa foi de R$ 13,96 bilhões, quase 40% abaixo dos R$ 23,22 bilhões registrados no pregão anterior. Em julho, a média diária do volume financeiro negociado na Bolsa foi de R$ 22,2 bilhões. Com isso, o mercado de câmbio começou a operar às 9h35, enquanto os DIs e a bolsa iniciaram suas atividades apenas após às 12h30. O problema fez com que os investidores operassem com cautela durante a maior parte do pregão, o último do mês, que geralmente marca ajustes de posição de investidores e gestoras de recursos. Apesar disso, a Bolsa brasileira fechou em alta de 0,47%, aos 177.999 pontos, o maior patamar desde 14 de maio, quando o Ibovespa encerrou o pregão aos 178.365 pontos. A B3 afirmou ter adotado a medida de forma preventiva depois de detectar uma falha técnica pontual. "Alinhada com participantes do mercado, decidiu no início da manhã de hoje (31 de julho) postergar o início da negociação contínua em seus mercados. A medida teve como principal objetivo preservar a integridade das informações, a segurança dos processos de pós-negociação e o adequado funcionamento da infraestrutura de mercado", informou a Bolsa. As operações de compra e venda aconteceram apenas por meio de leilões durante a manhã. Depois do encerramento do pregão, a B3 informou que a sessão foi encerrada conforme horários estabelecidos. Os processos de pós-negociação ainda estavam em andamento pouco antes das 19h, mas, segundo a B3, "conforme planejado". Procurada pela reportagem, a B3 não deu mais detalhes sobre a origem dos problemas operacionais. Em agosto de 2025, o Ibovespa e outros índices da B3 passaram uma manhã fora do ar, mas sem afetar as cotações de ações e câmbio. Para Gabriel Cecco, especialista da assessoria Valor Investimentos, a falha desta sexta ocorreu no processamento das operações e travou o envio dos arquivos da Câmara B3, responsável pelo registro, garantia e liquidação das operações. "Sem esses arquivos, corretoras e bancos não conseguem visualizar as posições, garantias e margens dos clientes. Em outras palavras, ninguém sabia exatamente qual era a exposição de cada participante." Segundo ele, a decisão da B3 foi correta diante da impossibilidade de visualizar as posições dos clientes. "Nessa situação, abrir o pregão às pressas teria sido muito pior do que adiar." Cecco afirma, contudo, que o episódio gerou mal-estar, principalmente entre operadores de mercado. "O relato de quem estava nas mesas foi de muito estresse e de uma rotina completamente interrompida: profissionais sem conseguir visualizar posições, sem referência de preços e sem respostas para dar aos clientes." Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Jonathan Azevedo, coordenador de trader da assessoria InvestSmart, afirma que a medida tomada pela B3 buscou preservar a integridade das operações e o gerenciamento de risco do mercado. Para ele, o atraso reduziu a liquidez e aumentou a volatilidade na reabertura. "O efeito direto sobre a receita da B3 tende a ser pequeno, restrito ao menor volume negociado durante a sessão. O maior risco está na recorrência de falhas, que poderia elevar custos operacionais e afetar a confiança dos participantes do mercado." Segundo Azevedo, o episódio representa um alerta para a infraestrutura operacional da Bolsa. Hoje a B3 concentra as negociações do mercado. Novos concorrentes, porém, se preparam para iniciar operações. A A5X, que está em processo de autorização para ser a segunda bolsa e CCP [Câmara de Compensação] do Brasil, diz mirar a negociação de ações no futuro. "Nossa meta é estar operando no primeiro trimestre. Já estamos olhando outros mercados adiante, como Balcão e ações", diz Carlos Ferreira, sócio-fundador da A5X. Segundo o ex-executivo da XP, a empresa estará pronta para receber o Banco Central e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para testes in loco na nova bolsa a partir de outubro, para assim liberar a negociação de derivativos em 2027. Outra possível concorrente é a CSD BR, que atua na prestação de serviços de registro, depósito e liquidação de ativos financeiros e valores mobiliários, mas espera a autorização do Banco Central para atuar como balcão de pregão. Segundo informações divulgadas pela companhia, ela liquidou mais de R$ 1 bilhão em ativos financeiros na primeira metade de janeiro, marcando a primeira vez que um volume bilionário é processado fora da B3 em um só mês em duas décadas. Entre os sócios da CSD BR, estão Santander e o BTG Pactual.

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