Faculdade da Rede D'Or abre curso de medicina com in�cio previsto para 2027

Faculdade da Rede D'Or abre curso de medicina com in�cio previsto para 2027

A Faculdade Idor de Ciências Médicas, vinculada ao Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e aos hospitais da Rede D’Or, recebeu autorização do MEC (Ministério da Educação) para abrir um curso de medicina no Rio de Janeiro. A graduação terá cem vagas anuais, em turmas de até 50 alunos, com início previsto para janeiro de 2027. A mensalidade deverá ficar entre R$ 13 mil e R$ 14 mil. O processo seletivo terá modalidades de ingresso por vestibular próprio e pela nota do Enem, além de modalidades específicas para candidatos com formação internacional. Além disso, a instituição prevê ainda 10% de bolsas de caráter socioeconômico, além de bolsas de permanência e por desempenho. Segundo a instituição, os valores da mensalidade e as regras da seleção serão divulgados no edital. Segundo Fernanda Tovar-Moll, médica, pesquisadora e presidente do Idor, a criação do curso é resultado de uma estratégia desenvolvida pelo instituto ao longo dos anos, período em que a instituição ampliou sua atuação em pesquisa, ensino, residência médica e pós-graduação. "O momento que estamos vivendo hoje foi planejado há muitos anos", afirma. Embora atue em São Paulo, Salvador e outros estados, o Idor considera a unidade do Rio de Janeiro, onde estruturou suas atividades acadêmicas desde o início, mais maduro para iniciar a graduação. "A rede começou aqui, então há principalmente uma questão temporal. Faz muito sentido começar no Rio, onde também foi criada a própria Faculdade Idor e onde temos programas de mestrado e doutorado", explica. A formação prática dos estudantes será organizada em duas frentes complementares. Uma delas é o complexo hospitalar de ensino do Idor e da Rede D’Or, que inclui hospitais da rede no Rio de Janeiro, centros especializados e serviços de diagnóstico. A outra será formada por unidades do SUS (Sistema Único de Saúde), por meio de convênio com a Secretaria Municipal de Saúde, incluindo o Hospital do Andaraí e a Clínica da Família Maurício Silva, ambos na zona norte da cidade. As unidades públicas não integram o complexo hospitalar de ensino da rede privada e constituem uma frente própria de formação. Nesses locais, os estudantes terão contato com a atenção básica, o atendimento domiciliar e a realidade dos serviços públicos de saúde, sob supervisão de profissionais. O curso terá 8.200 horas, das quais 3.424 serão destinadas a estágios supervisionados, o equivalente a 42% da carga horária total. O internato, etapa final da graduação dedicada à prática médica supervisionada, terá três anos de duração, um a mais do que o previsto nas diretrizes nacionais. Segundo a presidente do Idor, o período ampliado permitirá maior contato com diferentes equipes e situações clínicas. "Com isso, ele vai ter contatos estruturados com equipes multidisciplinares e cenários de aprendizado por mais tempo." Desde o início, os estudantes terão acesso a laboratórios e pesquisadores e aprenderão a interpretar dados, desenvolver investigações e avaliar evidências científicas na prática médica. Para Fernanda, esse contato direto ajuda a formar profissionais mais críticos. "Não é todo médico que vai ser um pesquisador, mas todo médico que passa pelo pensamento científico vai ser um questionador, um médico que vai ler um artigo científico de forma diferenciada." A instituição prevê ainda trilhas de formação em pesquisa, gestão, uso racional da tecnologia e medicinas de fronteira. A proposta é permitir que cada estudante aprofunde os conhecimentos de acordo com seus interesses, com acompanhamento de profissionais. A autorização do curso ocorre em um cenário de maior rigor na regulação do ensino médico no país após o baixo desempenho de alunos de medicina em geral no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica). Como consequência, o MEC instaurou processos de supervisão dos cursos de medicina.

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