Fabricantes europeus de turbinas e�licas avaliam fus�es para criar campe�s do setor

Fabricantes europeus de turbinas e�licas avaliam fus�es para criar campe�s do setor

Os fabricantes europeus de turbinas eólicas estão avaliando se unir empresas para criar campeãs industriais ajudaria a enfrentar a concorrência chinesa na corrida para abastecer a indústria global de energia eólica. Os fabricantes de turbinas eólicas da China e da Europa há muito dominam seus mercados domésticos, mas os fabricantes chineses estão ganhando vantagem em regiões de rápido crescimento, como América Latina e Oriente Médio, além de buscar terreno na Europa. Esse avanço para territórios mais amplos alimentou a angústia europeia sobre sua força em indústrias estratégicas e provocou sugestões de alguns executivos sobre a necessidade de consolidação para criar maior escala."Tenho grande fé na capacidade industrial europeia", disse José Manuel Entrecanales, presidente-executivo da Acciona, maior acionista da Nordex, líder de vendas de turbinas por capacidade na Europa no ano passado. "Temos várias oportunidades —uma das quais é a energia eólica. [Mas] escala é a essência. [...] Acreditamos que, para ganhar a diferença de escala, a consolidação é o único meio." As declarações refletem uma discussão mais ampla entre formuladores de políticas e executivos da indústria sobre como criar campeãs europeias e sobre as novas regras de fusão do bloco. Em abril, a Comissão Europeia publicou novas diretrizes há muito esperadas para fusões e aquisições. O documento foca mais nos benefícios da escala corporativa e insta os funcionários de concorrência a dar maior peso à inovação, ao investimento e à resiliência do mercado interno. Após várias fusões anteriores, a indústria europeia de turbinas eólicas já está relativamente concentrada —entre Nordex, Vestas, Siemens Gamesa e Enercon— levando a questionamentos sobre quais outras fusões seriam permitidas.Negociadores em setores que vão de telecomunicações à indústria espacial buscam uma mudança de abordagem nas regras de controle de fusões que permitiria à Europa construir mais campeãs corporativas globais. Funcionários de concorrência, porém, têm minimizado publicamente a ideia de uma revolução. As novas diretrizes de fusão decorreram do histórico relatório de Mario Draghi de 2024, que visa impulsionar a competitividade europeia e evitar que os países do bloco fiquem para trás tanto na transição digital quanto na energética. No entanto, nem todos os especialistas acreditam que escala seja a resposta. "A Europa deveria ter cuidado para não confundir tamanho com competitividade", afirmou Simone Tagliapietra, pesquisador sênior do think-tank Bruegel. "A história da indústria europeia sugere que a consolidação sozinha raramente substitui inovação, produtividade e um mercado único genuíno." Mas quando se trata de energia eólica, os funcionários europeus estão desesperados para evitar uma repetição da devastação de grande parte de sua indústria de painéis solares pela concorrência chinesa, deixando o bloco fortemente dependente de importações. A China também domina a fabricação de baterias. Assim como no setor solar, os fabricantes chineses de turbinas eólicas se beneficiam de um enorme mercado doméstico. Fornecedores como Goldwind, Envision, Windey e Ming Yang detêm 99,96% do mercado e instalaram 120 gigawatts de turbinas eólicas no ano passado —ou mais de 70% da nova capacidade global. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. A Europa, em contraste, onde seus fabricantes fornecem cerca de 94,5% do mercado, instalou pouco menos de 20 GW. Principalmente devido ao seu mercado doméstico, a maior fabricante de turbinas da China, Goldwind, instalou mais que o dobro da capacidade no ano passado em comparação com a campeã europeia Vestas, sediada na Dinamarca (30 GW contra 14,5 GW). A vasta escala permite à China produzir a menor custo e oferecer preços mais baixos que os rivais internacionais. Segundo relatos, turbinas eólicas onshore produzidas por fabricantes chineses são 20% a 40% mais baratas em mercados de exportação onde os dois grupos competem diretamente, disse Andrea Scassola, da consultoria Rystad Energy. A dinamarquesa Vestas continua sendo a maior fabricante de turbinas globalmente em termos de capacidade instalada acumulada. Mas, pela primeira vez no ano passado, os cinco maiores fabricantes por nova capacidade anual eram todos chineses, segundo o grupo comercial Global Wind Energy Council. A Wood Mackenzie espera que os fabricantes chineses conquistem 27% da capacidade onshore instalada fora da China na próxima década. Os fabricantes europeus de turbinas eólicas ainda são assombrados por pesadas perdas em 2022, quando foram espremidos pelo aumento de custos e pela pressão para manter os preços das turbinas baixos por parte de desenvolvedores tentando vencer licitações governamentais. Desde então, eles se recuperaram, com as ações da Vestas e da Nordex subindo cerca de 40% e 90%, respectivamente, no último ano; nenhum quer colocar sua recuperação em risco entrando em uma guerra de preços com a China. William Mackie, analista da Kepler Cheuvreux, afirmou que uma fusão entre Vestas e Nordex poderia ser concentrada demais para passar pelas autoridades de fusão. No entanto, uma fusão entre Siemens Gamesa e Nordex era mais viável.Florian Mahler, sócio do escritório de advocacia Clifford Chance que presta assessoria em energia renovável, argumenta que a consolidação também pode ajudar a impulsionar os gastos com inovação —uma das áreas de foco das novas diretrizes de fusão. Henrik Andersen, presidente-executivo da Vestas, disse ao FT no início deste ano que apoiava "de todo coração" o princípio de criar campeãs europeias —mas também alertou que as regras de concorrência poderiam atrapalhar. "Se a visão [de Entrecanales] de uma campeã global se tornar realidade, terá que ser sob uma regra de isenção ou nova legislação", disse. "Se você algum dia me convidar para dançar, ficarei feliz em dançar. Mas então teremos que ter uma música [diferente] tocando."

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