Fabricante do Ozempic estuda menor dose oral de semaglutida capaz de ajudar na perda de peso

Fabricante do Ozempic estuda menor dose oral de semaglutida capaz de ajudar na perda de peso

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk está testando doses menores de seu comprimido Wegovy, cujo princípio ativo é semaglutida, em um novo estudo de fase avançada. Os pesquisadores querem encontrar a menor dose que ainda ajude os pacientes a perder peso. A informação é de um banco de dados de ensaios clínicos dos Estados Unidos. A empresa está sob pressão após perder espaço para a rival americana Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, em um mercado de medicamentos contra a obesidade que deve superar US$ 100 bilhões (R$ 518 bilhões) até 2030. O estudo OASIS-5, iniciado em 12 de agosto e com duração prevista até 2028, testará doses menores da dose diária usada para evitar a recuperação do peso. Atualmente, a dose de longo prazo aprovada do comprimido Wegovy é de 25 mg. "Dispor de uma gama mais ampla de doses de manutenção poderia proporcionar maior flexibilidade no tratamento e otimizar a experiência do paciente", afirmou a Novo em comunicado enviado por email à Reuters. Os investidores estão atentos ao comprimido Wegovy, que registrou vendas de US$ 499,89 milhões (R$ 2,5 bilhões) no segundo trimestre. O ensaio de 60 semanas da Novo recrutará 450 participantes adultos que já tenham enfrentado dificuldades para perder peso, com IMC (Índice de Massa Corporal) igual ou superior a 30, ou de 27 caso apresentem algum problema de saúde relacionado ao peso. O principal objetivo é avaliar se doses menores de semaglutida oral (princípio ativo do Wegovy e Ozempic) ajudam as pessoas a perder mais peso do que um placebo ao longo de 60 semanas. Como objetivos secundários, o ensaio também acompanhará mudanças na circunferência da cintura, outros benefícios à saúde e efeitos colaterais. Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar O estudo excluirá pacientes com diabetes, com alterações significativas recentes no peso ou em tratamento com medicamentos GLP-1. A Novo não especificou as novas dosagens que serão testadas. O comprimido Wegovy também é aprovado nos EUA nas doses de 1,5 mg, 4 mg e 9 mg, mas não no Brasil. Segundo informações disponíveis no site da Novo Nordisk, a pílula de Wegovy é o primeiro medicamento oral à base de GLP-1 aprovado nos Estados Unidos para o tratamento da obesidade. O medicamento é indicado, em conjunto com uma dieta com redução de calorias e o aumento da atividade física, para adultos com obesidade ou com sobrepeso que apresentem ao menos uma condição de saúde relacionada ao peso, para auxiliar na perda e na manutenção do peso. A empresa também informa que a pílula de Wegovy é indicada para reduzir o risco de eventos cardiovasculares adversos maiores, como morte, infarto e AVC (acidente vascular cerebral), em adultos com sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular estabelecida. A aprovação pela FDA foi baseada nos resultados do estudo clínico de fase 3 OASIS 4, que acompanhou, durante 64 semanas, 307 adultos com obesidade ou sobrepeso e uma ou mais comorbidades relacionadas ao peso, mas sem diabetes. Segundo a Novo Nordisk, os participantes que receberam a pílula de Wegovy uma vez ao dia, associada a uma dieta com redução de calorias e exercícios, tiveram perda média de 13,6% do peso corporal, ante 2,4% entre os que receberam placebo. EM BUSCA DE BENEFÍCIOS ALÉM DA PERDA DE PESO Alguns pacientes já usam microdoses ou doses abaixo das aprovadas de medicamentos GLP-1, incluindo as injeções Wegovy, da Novo, e de Zepbound, da Lilly. A prática se popularizou devido ao alto custo e aos efeitos colaterais dos medicamentos. "As pessoas estão usando doses baixas desses produtos e elas simplesmente decidem por conta própria", disse à Reuters o CEO da Novo, Mike Doustdar, em entrevista na última semana. Doustdar observou que os pacientes frequentemente buscam benefícios à saúde além da perda de peso. Ele espera que a divisão do mercado evite uma disputa em que uma única empresa domine o mercado. A Lilly não respondeu ao pedido de posicionamento da Reuters sobre possíveis planos de testar doses menores de seu medicamento oral Foundayo, cujas menores doses aprovadas são de 0,8 mg e 2,5 mg.

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