São Paulo Em cartaz até 28 de janeiro, a mostra "Nzo", organizada pelo Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, no parque Ibirapuera, se dedica a explicar como a memória dos afro-brasileiros se perpetua por meio da beleza, das festas, da luta por territórios e pelos direitos civis. Cada um desses temas corresponde a um núcleo ou "nzo", palavra que significa casa em quicongo, idioma africano falado em províncias ao norte de Angola. Entre os 150 itens expostos, destacam-se roupas, joias, fotos, discos e esculturas. O Nzo Sagrado, por exemplo, mostra como os terreiros transmitem conhecimento entre gerações. Imagem da obra "Sinais de si", instalação de tecidos preservada pelo Centro de Preservação da Memória Negra de Juiz de Fora e Região - Divulgação Já o eixo que trata sobre festas apresenta o samba, o jongo e o maracatu como celebrações populares que preservam a memória negra. O corpo e a identidade são abordados no Nzo Beleza, enquanto o Nzo Resistência mostra a luta por territórios e ações para preservar a memória afro-brasileira. Na mostra, além de peças vindas do acervo do Museu Afro, há materiais de 38 dos 52 projetos da Rede de Acervos Afro-brasileiros. Criada pelo próprio Museu Afro, essa rede articula iniciativas para preservar acervos e promover eventos em conjunto. Fazem parte do grupo terreiros, quilombos e outros centros de memória. Para compor os eixos da exposição, a curadoria colocou lado a lado itens de épocas, regiões e procedências distintas. Assim, uma peça de São Paulo aparece diante de uma instalação mineira que, por sua vez, está ao lado de uma roupa vinda da Bahia. No núcleo sobre beleza destacam-se os balangandãs, pingentes de metal com formatos de figas, frutas e animais que serviam de adorno e amuleto para mulheres negras da Bahia do período colonial à República, entre 1574 e 1920. Agrupados em forma de colar, esses balangandãs também eram símbolo de riqueza. Diferentes de amuletos escondidos sob a roupa, eram feitos para serem vistos. Quanto mais peças e metais preciosos, maior era a demonstração de patrimônio. As mulheres que os usavam eram chamadas de "escravas de ganho", e ficaram conhecidas como ganhadeiras e quituteiras porque vendiam alimentos, costuravam, bordavam, faziam panelas e lavavam roupas nas cidades. Com os serviços, se sustentavam e, por vezes, juntavam recursos para comprar a própria alforria. "Isso mostra a altivez que muitas pessoas negras tiveram para marcar identidade e presença social", diz Raissa Albano, 33, coordenadora de curadoria da mostra. "Aqui, a beleza e a aparência também podem ter dimensão política, de poder e hierarquia." Logo em frente a esse eixo, a instalação de tecidos "Sinais de si" (2022) busca retratar outra face do mesmo período, em especial ao usar lenços de mulheres de Juiz de Fora (MG) como referência ao trabalho delas na indústria têxtil da cidade mineira. Para Curtir SP Receba no seu email um guia com a programação cultural da capital paulistaO visitante também confere peças da Casa Oxumarê, de Salvador (BA) —um importante terreiro para a preservação do candomblé no Brasil. Há, por exemplo, uma vestimenta da década de 1950 que pertenceu à Mãe Simplícia de Ogum (1922-1967), líder espiritual que denunciou a violência policial contra religiões de matrizes africanas. Nos eixos sobre resistência e beleza há peças de figuras ligadas à música e à literatura, como uma jaqueta e um par de óculos do cantor e compositor Itamar Assumpção (1949-2003), e fotos e desenhos do intelectual Milton Santos (1926-2001). A mostra também reúne um disco do Memorial Mãe Menininha do Gantois, no qual visitantes ouvem ritos do candomblé durante o percurso. Nzo - Memórias Afro-brasileiras Museu Afro Brasil - av. Pedro Álvares Cabral, s/n°, portão 10, Vila Mariana, região sul. Ter. a dom., das 10h às 18h. De 26/9 a 28/1/2027. A partir de R$ 15
Exposi��o no Museu Afro Brasil reflete sobre beleza e lutas de afro-brasileiros
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