Expans�o da energia solar na Europa chega a regi�es antes consideradas pouco ensolaradas

Expans�o da energia solar na Europa chega a regi�es antes consideradas pouco ensolaradas

Por décadas, o mapa de energia renovável da Europa parecia simples: a energia solar era usada principalmente no sul ensolarado, enquanto o norte dependia do vento. Mas a queda nos custos de equipamentos e os preços mais altos da eletricidade tornaram os projetos solares viáveis em lugares antes considerados escuros, frios ou remotos demais para compensar. Grandes fazendas solares estão sendo construídas ao redor do Círculo Polar Ártico nos países nórdicos, painéis de telhado estão se espalhando pelo norte da Escócia e a tecnologia até encontrou um papel nas notoriamente nubladas Ilhas Faroé, no Oceano Atlântico. Sua ascensão está dando aos governos outra forma de eletrificar suas economias enquanto produzem mais energia internamente. Em toda a região nórdica, pela primeira vez, investidores e concessionárias adicionaram mais capacidade solar nova do que eólica em 2025, uma liderança que deve continuar este ano, segundo a BloombergNEF. Os governos revisaram para cima suas previsões à medida que as instalações superam as expectativas. Em 2023, a Suécia atingiu sua meta solar original que era para 2030 e já está perto de cumprir uma meta mais nova e ambiciosa. A Finlândia alcançou sua meta de fim de década seis anos antes do previsto. "A questão não é mais se a energia solar funciona tão ao norte... É quanto vamos construir", definiu Warren Campbell, diretor executivo da desenvolvedora solar sueca Alight AB. Os desenvolvedores já estão planejando a próxima onda de projetos. Empresas propuseram pelo menos mais 300 megawatts de energia solar na região da Lapônia, no norte da Finlândia. Projetos de cerca de 600 megawatts buscam conexões à rede no norte da Suécia. O impulso do setor no norte da Europa contrasta fortemente com suas dificuldades mais ao sul. Tanta energia solar foi instalada na Espanha que os preços da eletricidade estão despencando e os investidores obtêm retorno muito baixo ou nenhum pelo seu dinheiro. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Mas nos países nórdicos, a mudança foi impulsionada por uma melhora acentuada na economia. Os custos de painéis e equipamentos relacionados na Europa caíram 30% desde 2021, segundo a Aurora Energy Research, e os preços mais altos da eletricidade tornaram os projetos muito mais atraentes. As tarifas nórdicas ficaram em média cerca de 11 euros (R$ 55,75 no câmbio atual) por megawatt-hora em 2020 antes de subirem mais de dez vezes durante a crise energética que se seguiu à invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Elas ficaram em média em 79 euros (R$ 400,40) durante os primeiros seis meses deste ano. Poucos projetos ilustram essa transformação melhor do que o parque solar Simo da Exilion, logo ao sul do Círculo Polar Ártico. Tommi Riski, diretor de desenvolvimento de negócios e mercados de eletricidade da empresa, diz que nos primeiros dias do projeto, a resposta típica era "Quem diabos constrói uma usina solar na Lapônia?" Menos de três anos depois, o projeto de 40 milhões de euros (R$ 235 milhões) está gerando eletricidade por até 22 horas por dia durante o verão. O parque obtém a maior parte de sua receita durante os meses da estação. A calculadora solar da Comissão Europeia mostra que um projeto no norte da Finlândia geraria cerca de 82% de sua produção anual entre abril e setembro. Para um projeto similar em Madri, seria 58%. O modelo de negócios da Exilion gera praticamente nenhuma energia entre novembro e janeiro e trata qualquer produção durante o inverno como bônus. O local também abriga um parque eólico, que gera a maior parte de sua eletricidade durante os meses de inverno, ilustrando como as duas tecnologias cada vez mais se complementam nos chamados projetos híbridos. Baterias também estão sendo cada vez mais incluídas. Operar tão ao norte também traz algumas vantagens sobre aqueles que constroem no continente. Temperaturas mais frias ajudam os painéis solares a operar com mais eficiência, enquanto a neve reflete luz adicional nos painéis de dupla face do local, aumentando a produção. A Finlândia e o norte da Escandinávia podem oferecer o exemplo mais claro de quão ao norte a energia solar em grande escala pode funcionar agora. Mas a mudança não se limita aos países nórdicos. Em todo o norte da Escócia, residências e empresas estão adicionando painéis em ritmo recorde. A empresa de instalação AES Renewables instalou sistemas solares tão ao norte quanto Thurso, quase na mesma latitude de Oslo. Quase 2.000 residências na Escócia instalaram painéis solares nos seis meses até abril, apesar de a região receber apenas metade da luz solar do sul da Espanha. A demanda levou a AES a aumentar sua força de trabalho em mais de 50% desde o início do ano passado. Energia Limpa Uma newsletter com o que você precisa saber sobre transição energética As instalações também estão aumentando nas Ilhas Faroé, um arquipélago varrido pelo vento a noroeste da Escócia e considerado um dos lugares mais nublados do mundo. As ilhas tinham apenas um punhado de fazendas solares há alguns anos, mas custos mais baixos e interesse crescente de residências e empresas estão mudando isso. A concessionária local SEV estima que agora existem mais de 60 instalações, com outras 25 a 30 aguardando aprovação. Embora as Faroé recebam relativamente pouca luz solar no geral, as novas instalações solares se encaixam bem com a energia eólica e hidrelétrica, que geram menos eletricidade durante o verão. Isso permite que a energia solar preencha uma lacuna sazonal no sistema, justamente quando o uso de combustíveis fósseis está aumentando. "Como dependemos de diesel no verão, isso é um benefício para a energia solar", disse Helma Maria Trondheim, engenheira da SEV.

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