São Paulo A EFB Regimes Especiais, liquidante do Banco Master, intimou por meio da Justiça dos Estados Unidos a empresária e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, a depor sob juramento e a entregar documentos sobre bens, transferências de dinheiro e negócios ligados ao ex-banqueiro e a outras 18 pessoas e empresas. Segundo o pedido protocolado nesta terça-feira (3) no Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, Graeff deve depor em 8 de dezembro, em Miami, e entregar os papéis até 30 de novembro. Martha Graeff e Daniel Vorcaro durante viagem à Europa em 2024 - Reprodução Consultada, a defesa de Graeff disse que ela ainda não foi intimada e que não tinha conhecimento do pedido. O advogado Lucio Constantino também afirmou que ela sempre esteve à disposição das autoridades. O pedido se apoia na chamada Regra 2004, uma norma do processo falimentar americano que permite ao administrador judicial de uma massa falida interrogar qualquer pessoa que possa esclarecer dúvidas sobre os bens do devedor. Martha Graeff não é ré no processo e foi chamada como testemunha. Ela pode contestar o pedido ou pedir sua anulação. A intimação da EFB cobre o período de janeiro de 2018 até hoje. Ela exige a entrega de documentos sobre bens que Graeff tenha, tenha tido ou ajudado a comprar ligados a Vorcaro e aos demais nomes da lista —incluindo bens mantidos por meio de laranjas, trusts ou empresas de fachada. Foram incluídos imóveis, carros, obras de arte, joias e relógios. O liquidante pede apólices de seguro, contratos de consignação e venda, fichas cadastrais e extratos bancários. Solicita também a conta de origem e de destino de pagamentos feitos a ela ou a empresas que controla, incluindo a Graeff Holdings LLC, além de informações sobre serviços prestados por ela ao ecossistema Master. O pedido segue o mesmo roteiro de outros já realizados no processo, como os dirigidos aos bancos Bradesco e Itaú, e às empresas que fizeram negócios com Vorcaro e seus sócios. Além de Vorcaro, a lista inclui pessoas como Antonio Carlos Freixo Júnior (delator nas investigações no Brasil), sócios e ex-diretores do Master como Maurício Quadrado e Luiz Antonio Bull, além de empresas ligadas a Vorcaro fora do país, como a Titan Capital Holding. A Graeff Holdings foi aberta na Flórida em 15 de setembro de 2023, segundo o registro de empresas do estado. A ex-noiva de Vorcaro aparece como administradora da companhia, mas o registro não informa quem são os sócios —a lei estadual não exige essa identificação nas LLCs, sigla para empresas de responsabilidade limitada americanas. A intimação foi endereçada a uma cobertura num condomínio de luxo em Surfside, ao norte de Miami Beach. Segundo o condado de Miami-Dade, o imóvel não está em nome de Graeff, mas da G5C Capital Corporation, empresa constituída em Ontário (Canadá) um dia antes de comprar a cobertura por US$ 43,9 milhões. Os registros públicos não informam quem são os donos da G5C, e não há neles indicação de vínculo com Vorcaro ou com o Master. O processo da EFB foi iniciado nos EUA logo após a liquidação do Master pelo Banco Central, em novembro de 2025. Na sequência, o liquidante foi autorizado a buscar bens do devedor no país. Nesse processo, ele move ação para reter cerca de US$ 42 milhões da venda de um jato Gulfstream G700, de prefixo PS-MGG, que, segundo o liquidante, foi comprado com recursos do banco. O prefixo corresponde às iniciais de Martha Gonçalves Graeff. Em abril, quando foi vazada a troca de mensagens entre Graeff e Vorcaro, a empresária disse que foi "arrastada para um lamaçal". Em uma declaração em seus perfis, ela disse ter sido alvo de ataques e exposição pública, e negou qualquer envolvimento nas investigações. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesNo vídeo, ela também disse que não era investigada nem acusada e contestou informações sobre um suposto aumento de patrimônio. "O meu patrimônio é idêntico ao de dois anos atrás. Eu não ganhei mansão, não ganhei carro, não ganhei barco. Isso tudo é mentira", disse. Como mostrou a Folha, Vorcaro sugeriu à então namorada que bens fossem transferidos para o nome dela, enquanto negociava a compra de uma outra casa de alto padrão em Miami, nos Estados Unidos. O ex-banqueiro negociou a abertura de um trust —estrutura de planejamento patrimonial que seria registrada em nome dela. Meses antes, Vorcaro havia fechado a compra de uma casa na Sabal Palm Road por mais de US$ 85 milhões (R$ 490 milhões em valores da época). A defesa de Daniel Vorcaro foi procurada por email na tarde desta terça-feira, mas não se manifestou até o momento.
Ex de Vorcaro, Martha Graeff � intimada a depor e entregar documentos em processo do Master nos EUA
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