Estudantes da universidade Cornell, em Nova York, discutiram na sexta-feira (2) uma campanha online de solidariedade a "Jane Doe", uma mulher anônima cujas denúncias de abuso sexual ganharam repercussão nas redes sociais. Usando a frase "Eu sou Jane Doe", usuários das redes sociais de fora de Cornell publicaram mensagens de apoio e compartilharam relatos pessoais de assédio sexual. Estudantes disseram que a campanha ajudou a dar mais visibilidade às vozes das vítimas e incentivou outras pessoas a falar abertamente sobre suas experiências. "Acho que este é um movimento que busca chamar a atenção para os problemas enfrentados por mulheres que precisam lidar com assédio ou agressão sexual", disse Shay Thomas, 19. "Também sinto que isso está ajudando a dar coragem a outras mulheres para falar sobre suas experiências sem serem atacadas ou desmerecidas." Outros alunos disseram que a campanha deu destaque a relatos de mulheres de universidades de diversas partes dos Estados Unidos e levantou questionamentos sobre se as instituições fazem o suficiente para proteger as vítimas e responsabilizar os agressores. A governadora de Nova York, Kathy Hochul, disse ter assinado na quinta-feira (1), uma ordem executiva nomeando a procuradora-geral do estado, Letitia James, como promotora especial no caso do estupro coletivo de uma estudante da universidade em 2024. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo A estudante entrou com uma ação civil no mês passado, afirmando que vários integrantes da fraternidade universitária Chi Phi a drogaram e abusaram em um bar local e sua própria irmandade estudantil. Segundo o processo, ela foi encontrar um amigo na sede da fraternidade em 19 de outubro de 2024, depois de ter bebido mais cedo naquela noite. O amigo e outros membros, todos integrantes da fraterndiade, lhe deram álcool, maconha e cetamina —um anestésico que pode causar efeitos alucinógenos— e a estupraram depois que ela ficou incapacitada. A denúncia inclui uma captura de tela de uma conversa em grupo na qual um dos homens incentivava, de forma grosseira, que os demais participassem do crime. O jornal New York Times obteve mais de mil páginas de documentos da investigação interna da universidade sobre o episódio. Segundo o jornal, os documentos mostram que a compreensão da mulher sobre o ocorrido mudou com o tempo. Ela disse à polícia que demorou algum tempo para perceber plenamente que havia sido vítima de um estupro coletivo. Nos arquivos, todos os homens negaram qualquer irregularidade. Alguns disseram que a relação foi consensual, enquanto outros negaram ter participado. No entanto, de acordo com o Times, em alguns comentários os homens demonstraram desconforto ou preocupação com a situação. Hochul disse na quinta-feira que informações recém-divulgadas levantaram dúvidas sobre a investigação conduzida pelo Departamento de Polícia de Cornell e sobre a decisão dos promotores do condado de Tompkins de não levar o caso adiante. Todas Discussões, notícias e reflexões pensadas para mulheres "Em todas as etapas, ela foi abandonada por pessoas e instituições que tinham a obrigação de protegê-la", afirmou a governadora a respeito da vítima. O promotor distrital do condado de Tompkins, Matthew Van Houten, defendeu a decisão de seu gabinete de não apresentar acusações criminais em 2024. Em um comunicado, afirmou que a declaração juramentada da mulher "descrevia sua participação no consumo de drogas e na atividade sexual como voluntária, consciente e consensual". O caso levantou questionamentos sobre a resposta inicial das autoridades e da universidade depois que a mulher, com 20 anos até então, denunciou o ocorrido à polícia algumas semanas após o suposto incidente. A gestão da universidade defendeu a forma como lidou com o caso, dizendo ter aplicado diferentes medidas disciplinares aos integrantes da fraternidade, incluindo expulsões e sanções. Segundo uma pesquisa realizada pela universidade no ano passado, 35% das alunas de graduação dizem ter sofrido assédios envolvendo força ou incapacidade de consentir desde que ingressaram na Cornell. O índice subiu 15 pontos percentuais, diante dos registrados em 2021. Os estudantes marcaram uma manifestação para segunda-feira (5) a fim de reivindicar medidas adicionais de proteção às vítimas. Saanya Agarwal, representante estudantil para questões das mulheres na Cornell, afirmou que os resultados da pesquisa de 2025 sobre violência sexual são inaceitáveis. "Está claro que este é um problema em nosso campus e em campi de todo os Estados Unidos... é algo que não vamos aceitar", disse Agarwal. "Vamos lutar."
Estudantes de universidade de elite dos EUA criam campanha em apoio a aluna que denunciou estupro coletivo
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