Esc�ndalo em banco do Paraguai tem oito presos, protestos e pedido de impeachment do presidente

Esc�ndalo em banco do Paraguai tem oito presos, protestos e pedido de impeachment do presidente

São Paulo As denúncias de fraude envolvendo o Ueno Bank, no Paraguai, levaram à prisão de oito pessoas ligadas à instituição financeira, protestos em frente às agências bancárias e o anúncio de fechamento do banco e do início do processo de recuperação judicial. Os desdrobramentos ocorreram no dia seguinte ao anúncio da renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, nomeado ao cargo pelo presidente paraguaio, Santiago Peña, que foi investidor da holding do Ueno Bank até março de 2025. Os deputados de oposição ao governo também começaram a coletar assinaturas para entrada do pedido de impeachment de Peña por suposta responsabilidade no desvio de verbas públicas para o Ueno Bank, de acordo com informações ao jornal ABC Color. Manifestantes protestam em Assunção após fechamento do Ueno Bank, no Paraguai - Daniel Duarte/AFP A publicação também informou a prisão de oito pessoas ligadas ao escândalo, incluindo o presidente do banco, Juan Manuel Gustale Cardoni, o fundador e primeiro vice-presidente, Federico Miguel Vázquez Villasanti, e a segunda vice-presidente, Diana Leticia Mongelós González. Além deles foram presos Julio Daniel Rey Fernández (ex-segundo vice-presidente), Diego Fernando Duarte Schussmuller (ex-integrante do conselho de administração do Banco Central do Paraguai), Alejandro Gómez Abente (diretor principal do Ueno Bank), Mariana Torres (ex-diretora-geral do ueno bank) e Miguel Ángel Almada Frutos (presidente do Grupo Vázquez). Na madrugada desta quarta, o Banco Central do Paraguai decretou o fechamento do Ueno Bank e informou que garantirá depósitos de até o equivalente a cerca de US$ 38 mil (R$ 208,48 mil) por cliente, mas que terá prazo de 15 dias para entregar a quantia. A decisão foi criticada por correntistas do banco. "Com tanta tecnologia disponível, como isso poder levar 15 dias?", questionou a estudante Deisy Asva em entrevista à agência de notícias Bloomberg. A autarquia ainda determinou a suspensão temporária dos resgates de fundos mútuos que apresentam investimentos vinculados ao Ueno Bank. O jornal La Nacíon, do Paraguai, disse que são 13 fundos atingidos e que a medida não tem data de suspensão definida. Já a Superintendência de Valores Mobiliários suspendeu a oferta pública de ações do banco, assim como de títulos emitidos por ele ou pelo Visión Banco, que teria ligação com o Ueno. O escândalo também levou à renúncia de Marco Aurelio González do posto de diretor do Banco Central do Paraguai, sendo o terceiro a deixar a autarquia. Além dele e Carvallo, Carmen Marín havia deixado a diretoria na segunda-feira (2). Carvallo e o Banco Central estão sob pressão pela forma como supervisionaram o banco e por seus laços políticos. De acordo com o Financial Times, Carvallo havia dito anteriormente que se declararia impedido de participar de decisões envolvendo o Ueno. O Banco Central afirmou que os problemas do Ueno são "um caso isolado" e "não representativo de condições generalizadas no sistema financeiro do Paraguai". C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesA Procuradoria do Paraguai pediu nessa terça-feira (3) a abertura de uma investigação criminal sobre os fatos envolvendo o banco. BANCO TEVE RÁPIDO CRESCIMENTO Fundado como fintech em 2021, o Ueno obteve rapidamente uma licença bancária e afirmava ter conquistado mais de 60% dos adultos paraguaios como clientes, mais que qualquer outro banco. Abriu dezenas de agências luxuosas e fez uma campanha de marketing onipresente, que incluiu o patrocínio da seleção nacional de futebol. Controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, o banco tem cerca de 3 milhões de clientes. Cresceu de uma fintech local de nicho para um banco de médio porte, em trajetória semelhante à de fintechs como Monzo e Nubank. O governo de Peña também supervisionou um aumento do dinheiro público depositado no Ueno, que chegou a mais de US$ 850 milhões (R$ 4,66 bilhões), equivalente a quase um terço dos depósitos do banco. O presidente havia minimizado repetidamente as preocupações com o banco. Policiais tentam conter manifestante em protesto contra fechamento do Ueno Bank nas ruas de Assunção - Daniel Duarte/AFP Nos últimos meses, o Ueno enfrentou o escrutínio de reguladores e da imprensa por supostos empréstimos excessivos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, o que preocupou investidores e pesou sobre os títulos do banco com vencimento em 2031 e sobre os títulos soberanos do Paraguai. Segundo o Financial Times, o banco realizou em março a maior emissão de títulos corporativos da história do país, mas as ações caíram bruscamente desde então. No mês passado, a agência Fitch revisou para negativa a perspectiva da nota de crédito de longo prazo do Ueno, citando "crescimento acelerado do balanço e altos ativos intangíveis". O caso testa a reputação que ajudou o Paraguai a se tornar um dos destinos emergentes da América do Sul para capital estrangeiro, grande parte dele do Brasil. De acordo com o Financial Times, embora a economia do país tenha crescido rapidamente e obtido grau de investimento nos últimos anos, críticos afirmam que a corrupção e a influência política sobre o Judiciário e o mundo empresarial continuam a complicar as operações. O gabinete de Peña e o Ueno Bank não responderam aos pedidos de resposta do Financial Times.

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