A Arábia Saudita fez várias mudanças rápidas de rumo para manter o fluxo de seu petróleo desde o início da guerra no Irã. Poucas semanas após o Irã fechar o estreito de Hormuz, o reino recorreu ao plano B: contornar o estreito, ampliando as exportações por oleodutos até o mar Vermelho. Quando a milícia houthi do Iêmen, apoiada pelo Irã, anunciou um bloqueio no mar Vermelho, a Arábia Saudita adotou um novo desvio, enviando navios para o norte, até um oleoduto próximo ao Canal de Suez. Essa rota é mais cara e acrescenta semanas à viagem até a Ásia, onde está a maioria dos clientes do país.Agora, a Arábia Saudita, há muito tempo a maior exportadora de petróleo do mundo, enfrenta mais um teste de sua capacidade de entregar o produto. À medida que o conflito com os houthis se intensifica, autoridades sauditas disseram que o reino retaliaria depois que o grupo feriu 73 civis e atingiu instalações de energia no sul do país. Qualquer sensação de segurança que as companhias de navegação possam ter encontrado ao usar o mar Vermelho antes da escalada mais recente "claramente se dissipou", disse Peter Sand, analista de transporte marítimo da Xeneta. Um fornecimento constante de petróleo saudita é crucial para manter estáveis os preços globais da energia, e as exportações do reino já estão sob pressão. No mês passado, as exportações de petróleo caíram para 3,2 milhões de barris por dia, o menor nível em pelo menos 13 anos, segundo dados da empresa de dados marítimos Kpler. Na última semana, apenas duas cargas sauditas passaram pelo estreito de Bab el-Mandeb em direção ao mar Vermelho, constatou a empresa. O desafio surge junto a uma nova alta de preços do petróleo, que ultrapassaram US$ 100 por barril nesta quarta-feira (9), em meio à escalada de ataques entre Estados Unidos e Irã.O Irã afirmou ter lançado mísseis contra uma base americana na Jordânia e disparado contra dois contratorpedeiros da Marinha em retaliação a ataques dos EUA que, segundo os militares americanos, destruíram cinco petroleiros iranianos. Um marinheiro morreu e outro foi dado como desaparecido nesta quarta depois que um drone atingiu um navio na costa dos Emirados Árabes Unidos, segundo Dimitris Maniatis, fundador da Marisks, agência de riscos marítimos. Os recentes ataques de militantes houthis, somados à escalada da tensão no estreito de Hormuz, estão forçando novas mudanças no comércio e evidenciando como a guerra no Irã desorganizou as rotas comerciais habituais. "Para a navegação comercial, portanto, a preocupação imediata não é simplesmente o número de ataques isolados, mas a ampliação dos critérios e da área geográfica dos alvos", disse Maniatis. Os combates no Iêmen se intensificaram na semana passada, quando os houthis tentaram tomar territórios que poderiam lhes dar maior controle sobre as rotas marítimas pelo mar Vermelho, segundo autoridades locais de segurança. Desde 20 de julho, quando o grupo anunciou um bloqueio à navegação saudita pelo mar Vermelho, os houthis reivindicaram a autoria de pelo menos sete ataques a navios que iam ou vinham de portos sauditas, afirmou Allison Minor, ex-vice-enviada especial dos Estados Unidos para o Iêmen.Um ataque a um petroleiro saudita no fim de agosto ocorreu na região central do mar Vermelho, em uma área que era considerada a opção mais segura ao estreito de Bab el-Mandeb. O ataque demonstrou que a ameaça não se limitava às águas do sul do mar Vermelho ao redor do Iêmen, disse Maniatis. Navios sem vínculos com a Arábia Saudita continuam usando o estreito de Bab el-Mandeb, mas em menor ritmo. As travessias pelo estreito em agosto foram as menos numerosas desde julho de 2025, com uma média de 35 por dia, segundo a Leth Agencies, empresa de dados marítimos. Os houthis deixaram claro que o mar Vermelho está aberto a navios sem vínculos sauditas porque querem evitar uma retaliação dos EUA, afirmou Minor, diretora do Atlantic Council. Ainda assim, a escalada mais recente entre a Arábia Saudita e os houthis é preocupante para o comércio global, disse Burcu Ozcelik, pesquisadora sênior especializada no Oriente Médio do Royal United Services Institute, grupo de pesquisa na área de defesa sediado em Londres. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. "Não é preciso que Bab el-Mandeb seja fisicamente fechado para que isso tenha um impacto econômico duradouro", afirmou Ozcelik. Os ataques houthis iniciados no fim de 2023 já haviam levado muitas grandes companhias de navegação a evitar totalmente o mar Vermelho. Elas passaram a optar por uma rota muito mais longa entre a Ásia e a Europa, ao redor do Cabo da Boa Esperança, na costa da África do Sul. Embora os houthis e a Arábia Saudita estejam em conflito no Iêmen desde 2014, a guerra de EUA e Israel contra o Irã introduziu um novo e perigoso elemento regional. Os houthis têm sua própria agenda política, mas os ataques à Arábia Saudita também se encaixam na estratégia iraniana mais ampla de pressionar as cadeias globais de abastecimento, disse Ozcelik. Fawaz A. Gerges, professor da London School of Economics especializado no Oriente Médio, disse que os houthis viam a guerra com o Irã como "uma oportunidade de ouro" para alterar o equilíbrio de poder com a Arábia Saudita no Iêmen. "O Irã se beneficia direta e indiretamente do que os houthis vêm fazendo", afirmou, acrescentando: "Uma guerra em larga escala poderia ter grandes consequências para o abastecimento global de energia".
Escalada da guerra no Ir� pressiona fluxo de petr�leo da Ar�bia Saudita e amea�a mercado global
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.