Erdogan quer disputar de novo a Presid�ncia da Turquia com manobra em elei��o antecipada

Erdogan quer disputar de novo a Presid�ncia da Turquia com manobra em elei��o antecipada

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, planeja concorrer novamente em uma eleição antecipada, provavelmente a ser realizada em abril de 2028, segundo noticiaram veículos de imprensa na quinta-feira (17). A possibilidade foi citada por um assessor de alto escalão do governo, na primeira sinalização oficial de que o político de 72 anos pretende disputar novamente a Presidência. "Se 360 parlamentares apoiarem a decisão de convocar uma nova eleição, ela será realizada em 16 de abril de 2028", afirmou Mehmet Ucum, em declarações citadas pela emissora privada NTV e pelo jornal Cumhuriyet. De acordo com a legislação turca, a eleição normalmente seria realizada em maio daquele ano. Ao antecipar o pleito em um mês, porém, o líder turco consegue contornar uma disposição constitucional que impede um presidente de exercer mais de dois mandatos de cinco anos. Nos termos da Constituição, o Parlamento pode convocar eleições antecipadas se a medida contar com o apoio de 360 dos 600 integrantes da Casa. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O AKP, partido islamo-conservador de Erdogan, e seu aliado nacionalista MHP detêm 326 cadeiras no Parlamento, o que significa que, para convocar a eleição, precisarão do apoio de pelo menos outros 34 parlamentares. Erdogan, que chegou ao poder como primeiro-ministro em 2003, exerceu três mandatos no cargo antes de ser eleito presidente em 2014.Após um referendo realizado três anos depois, a Turquia adotou um sistema presidencialista executivo, que entrou em vigor quando Erdogan foi reeleito, em 2018. Ele foi reeleito pela terceira vez em 2023. 'Não concorrerei novamente' Até agora, o governo vinha insistindo reiteradamente que as eleições seriam realizadas conforme o calendário previsto. Durante uma visita, no fim de semana, à sua província natal de Rize, às margens do mar Negro, Erdogan falou a apoiadores sobre "as próximas eleições", em declarações interpretadas por observadores como um sinal de votação antecipada. "Com essa união e solidariedade, reafirmo minha convicção de que, se Deus quiser, superaremos com êxito as próximas eleições", afirmou. Mas o porta-voz do partido, Omer Celik, rejeitou essa interpretação e disse a jornalistas: "Não foi um sinal de eleição antecipada. Não há eleição em nossa pauta". Depois de ser reeleito em maio de 2023, na esteira de um terremoto devastador e em meio ao aumento das preocupações com as perspectivas econômicas da Turquia, Erdogan afirmou que aquele seria seu último mandato. E, no ano passado, durante discussões sobre a atualização da Constituição turca, Erdogan declarou: "Não tenho intenção de ser reeleito nem de concorrer novamente à Presidência". O líder da oposição, Ozgur Ozel, tem pedido reiteradamente a realização de eleições antecipadas desde que o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu —amplamente considerado o principal rival de Erdogan—, foi preso, em março de 2025, no âmbito de uma investigação por corrupção que, segundo críticos, tem motivação política. Imamoglu foi preso no mesmo dia em que foi escolhido candidato à Presidência em 2028 pelo CHP, principal partido de oposição. Mas, após uma decisão judicial que reformulou a liderança do CHP no início deste ano, Ozel deixou a legenda para fundar o Yeni Parti (Novo Partido), atraindo o apoio de parlamentares em número suficiente para assumir a posição de principal força de oposição da Turquia. Ainda não está claro quem será o candidato da principal oposição contra Erdogan, já que é improvável que Imamoglu consiga concorrer estando atrás das grades. Erdogan tem sido frequentemente acusado por críticos de tendências autoritárias, sobretudo após a tentativa fracassada de golpe de julho de 2016 e os expurgos em larga escala que se seguiram. Ele continua, porém, popular entre seus apoiadores, que o veem como o único líder capaz de resistir à pressão ocidental e conduzir a Turquia em meio a crises regionais e internacionais.

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