A EPR arrematou o trecho de 383 km da rodovia Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR) que liga Curitiba a São Paulo. A empresa ofereceu desconto de 22,53% sobre a tarifa de pedágio, em leilão realizado nesta quinta-feira (23) na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. A proposta ultrapassou a oferta das duas outras concorrentes. A Motiva (ex-CCR) propôs deságio de 12,1% sobre o pedágio, e a Arteris, atual administradora da estrada, ofereceu desconto de 0,01%. Como a diferença de propostas entre o primeiro e o segundo colocado ficou acima de 20%, o certame não foi a viva-voz —etapa em que as proponentes vão aumentando os lances até que se chegue a um vencedor. A Régis Bittencourt se tornou a quarta concessão da EPR no Paraná. Por meio da concessionária EPR Iguaçu, a companhia administra um trecho de 662,1 km das rodovias BR-277, BR-163, PR-182, PR-483, PR-180, PR-280 e PR-158, que passa por municípios como Prudentópolis, Foz do Iguaçu, Cascavel, Realeza, Marmeleiro e Pato Branco. Já a EPR Litoral Pioneiro é responsável por 605 km de estradas das rodovias federais BR-153, BR-277 e BR-369 e das estaduais PR-092, PR-151, PR-239, PR-407, PR-408, PR-411, PR-508, PR-804 e PR-855, que percorrem 27 cidades do estado, incluindo Curitiba. Há ainda a EPR Paraná, que administra 627,52 km de rodovias federais e estaduais que conectam cidades das regiões norte, noroeste e oeste do estado. A concessão da Régis Bittencourt conecta Curitiba à região metropolitana de São Paulo, em um trecho que corta 16 municípios e é rota essencial para o transporte de cargas e para o escoamento da produção agrícola e industrial das regiões Sul e Sudeste, incluindo grãos, produtos manufaturados e cargas gerais. Com mais de 383 km de extensão, o projeto tem Capex (investimentos em obras) de R$ 7,07 bilhões e Opex (custos de operação) de R$ 4,06 bilhões. A concessão faz parte dos contratos estressados, projetos antigos que fracassaram e tiveram de passar por repactuação. Atualmente, a Régis Bittencourt é administrada pela Arteris, com um contrato firmado em fevereiro de 2008. A concessão teria, a princípio, uma duração de 25 anos. A estrada enfrenta problemas, principalmente em período chuvoso, devido à falta de investimentos. De acordo com a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), a concessionária Autopista Régis Bittencourt, da Arteris, enfrentou desafios relacionados ao equilíbrio econômico-financeiro do contrato, em razão de questões como degradação acentuada do pavimento, elevados índices de acidentes e interrupções constantes do tráfego. A concessionária pediu a remodelagem do contrato junto ao Ministério dos Transportes. O pedido foi aprovado em maio de 2024, por meio de uma portaria. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Posteriormente, a diretoria da ANTT deu aval ao pedido. A agência definiu que eram necessários ajustes no cronograma de investimentos e na readequação de metas contratuais. O processo foi enviado à análise do TCU (Tribunal de Contas da União), que emitiu parecer favorável à remodelagem da concessão. O modelo de "leilão simplificado" (otimização) adotado pela gestão Lula prevê a oferta ao mercado de um contrato de concessão previamente acertado com uma companhia –neste caso, a Arteris. No entanto, se outra proponente oferecer um desconto maior sobre a tarifa, ou seja, uma proposta melhor, esse contrato pode trocar de dono. Segundo a Arteris, o tráfego médio diário na rodovia supera os 29 mil veículos e é composto por uma movimentação expressiva de ônibus e caminhões, que representam cerca de 80% do volume total da estrada. Desde dezembro de 2017, a Régis Bittencourt é uma rodovia em pista dupla, com o término da duplicação da Serra do Cafezal na região de Miracatu (SP). Em São Paulo, o trecho da Régis Bittencourt leiloado nesta quinta corta municípios como Embu das Artes, Itapecerica da Serra, Registro, Pariquera-Açu e Barra do Turvo, passando por toda a região do Vale do Ribeira. No Paraná, a BR-116 atravessa Campina Grande do Sul, Quatro Barras, Colombo, Pinhais e Curitiba. José Carlos Cassaniga, diretor-presidente da EPR, diz que, para a etapa inicial do projeto, a empresa buscará financiamento de curto prazo e depois transitará para estrutura de longo prazo, com possibilidade de recorres ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e mercado de capitais. "Nós vamos perseguir a etapa de trabalhos iniciais de recuperação, no primeiro momento, depois a etapa de ampliação, conforme a previsão contratual, e depois a etapa de manutenção até o final do período contratual", diz Cassaniga. Fernando Vernalha, especialista em infraestrutura, a novo concessionária da Régis Bittencourt herda um capex mais previsível sobre uma rodovia com tráfego consolidado e potencial de crescimento. Segundo ele, esse é o tipo de ativo que operadores estabelecidos sabem precificar. "A EPR já opera lotes do programa de concessões do Paraná. A Régis Bittencourt termina na Região Metropolitana de Curitiba e se conecta diretamente com essa malha, criando um corredor operacional contínuo", afirma.
EPR arremata trecho da R�gis Bittencourt que liga Curitiba a S�o Paulo
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