Entre a press�o e o sonho da aprova��o, medo marca a prepara��o para o Enem e os vestibulares

Entre a press�o e o sonho da aprova��o, medo marca a prepara��o para o Enem e os vestibulares

Na rotina de João Bacalarski, 17, a preparação para os vestibulares divide espaço com o medo de que o nervosismo atrapalhe na hora das provas. No terceiro ano do ensino médio, o estudante vai prestar Fuvest, Enem e outros processos seletivos. Ferramenta de IA da Folha sugere temas e corrige a sua redação do Enem e da Fuvest Com o sonho de cursar engenharia na USP, a preocupação de João aumenta conforme os exames se aproximam e aparece também nos momentos de descanso, quando pensa que poderia estar estudando mais. "O que eu mais tenho medo é de ficar nervoso na hora da prova ou não conseguir lembrar de tudo que eu estudei durante o ano inteiro." No entanto, o nervosismo não significa falta de preparação. A psicóloga Rafaela Perim, gerente pedagógica da Escola da Inteligência, afirma que o medo é uma reação natural e pode ajudar quando aparece em intensidade moderada. "A meta não é eliminar o nervosismo, o medo não é uma emoção ruim. [...] Em um nível adequado, ele pode ser usado a favor desse estudante", afirma Perim. O problema começa quando a preocupação toma a atenção que deveria estar voltada para a prova. Pensamentos como "e se eu não passar?" disputam espaço com o raciocínio e a concentração. Nesse cenário, mesmo quem estudou pode ter dificuldades para recuperar e organizar as informações. É quando acontece o famoso "deu branco". "Esse branco não significa que esse aluno não sabe. Significa, na verdade, que esse cérebro entrou em um modo de alerta e que essa memória ficou temporariamente inacessível. Mas esse conteúdo está lá", explica Perim. Segundo a especialista, a orientação para evitar isso é reconhecer o bloqueio, respirar devagar, passar para uma questão mais fácil e voltar depois à pergunta difícil. A técnica deve ser treinada antes da prova, para não se tornar mais uma preocupação durante o exame. Para João, os simulados o ajudam a conhecer o formato das avaliações, diminuir o medo do desconhecido e ajudam a evitar o "branco". [O simulado] é o que mais ajuda a entender como é a prova e, na hora do exame, ficar mais tranquilo. É como falar ‘eu conheço isso, já fiz vários’." O professor Marcel Costa, diretor do cursinho pré-vestibular IntegralMind, ressalta que os simulados só ajudam quando o estudante aprende com os resultados e identifica o que precisa rever. "O segredo da gente ficar calmo é a gente saber o que está acontecendo. O aluno que chega mais preparado para a prova tem menos fatores desconhecidos para ficar com medo", afirma Costa. A preparação para evitar o medo e o nervosismo também passa por lidar com o que não está sob controle. Costa explica que a comparação com outros estudantes, seja pelas redes sociais ou com amigos, pode desviar a atenção da prova."O foco do aluno que está se comparando acaba botando toda a energia e todo pensamento dele em algo que é completamente inútil, em vez dele fazer o que tem que fazer para efetivamente ir bem e ter um bom desempenho", afirma Costa. A professora Esther Carvalho, diretora-geral do colégio Rio Branco, ressalta que a preparação exige mais do que domínio do conteúdo, incluindo a gestão de tempo e o reconhecimento das próprias emoções. "Ter medo faz parte, e talvez, se a gente conseguir fazer com que ele expresse mais medo de quê, se é de esquecer na prova, de falhar, de não conseguir ou de decepcionar os pais, isso ajuda a colocar os sentimentos num lugar de fala, de valorização, mas também de superação", afirma a professora. João conta que tenta reservar momentos de lazer com a família, embora às vezes sinta culpa por não estar estudando. Apesar disso, o estudante afirma que o sono, alimentação e lazer fazem parte de uma rotina que permita chegar à prova com condições de concentração. "Precisa ter consciência que é necessário sair, distrair a cabeça, porque também se estudar sempre o ano todo e chegar perto do vestibular, você vai chegar cansado, não vai pensar em mais nada", diz. No entanto, a pressão e o medo podem vir das expectativas dos familiares. Esther recomenda que os pais avaliem se apoiam os objetivos do filho ou projetam nele os próprios desejos. "Claro que os pais querem que dê certo, querem que seu filho saia bem, mas qual é o tamanho dessa expectativa, qual é [expectativa] sua e o qual é do filho, e como você vai apoiá-lo?", questiona. A psicóloga Rafaela Perim sugere aos pais ouvir antes de aconselhar, reconhecer o medo e mostrar disponibilidade para ajudar. Se a ansiedade do estudante for intensa e persistente e prejudicar o sono, a alimentação ou a rotina, é importante buscar ajuda psicológica. Apesar do sonho de estudar na USP, João tenta se lembrar sempre de que a Fuvest não é a única possibilidade para o futuro. "Para superar esse medo, é mais pensar que vai dar tudo certo e que tem outras possibilidades." Como lidar com o medo nos vestibulares e no Enem Especialistas consultados pela Folha deixam dicas e recomendações de como lidar com o sentimento de medo e nervosismo em relação as provas dos vestibulares e no Enem. Veja abaixo: Reconheça o "deu branco": Se tiver dificuldade para lembrar uma informação, respire devagar e passe para uma questão mais acessível. Volte à pergunta difícil quando estiver mais tranquilo. Treine antes da prova: Faça simulados em condições próximas às da prova e pratique técnicas de respiração para não precisar aprendê-las no momento de maior tensão. Estude com objetivo: Analise os erros das provas antigas, identifique os conteúdos que precisam de revisão e estabeleça metas realistas. Preserve o descanso: Sono, alimentação, atividade física e momentos de lazer fazem parte da preparação. Estudar até a exaustão pode prejudicar a concentração. Organize a véspera: Separe documentos e materiais exigidos, confira as orientações do vestibular e planeje o deslocamento para chegar com antecedência. Saiba quando pedir ajuda: Se o medo for intenso, persistente e prejudicar o sono, a alimentação ou a rotina, procure apoio psicológico. Pais e educadores podem ajudar a identificar esses sinais e encaminhar o estudante.

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