Entidades pedem que OCDE cobre do STF julgamento sobre provas da Odebrecht anuladas por Toffoli

Entidades pedem que OCDE cobre do STF julgamento sobre provas da Odebrecht anuladas por Toffoli

Um ofício assinado por 30 organizações de 21 países pede que a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) cobre do STF (Supremo Tribunal Federal) o julgamento de recursos contra a decisão do ministro Dias Toffoli que anulou as provas dos acordos da Odebrecht. A carta foi enviada no domingo (6), data em que a decisão de Toffoli completou três anos. Entre as signatárias há entidades de nove países que aderiram à Convenção Antissuborno da OCDE. Em setembro de 2023, Toffoli decidiu que as provas da leniência e dos sistemas da Odebrecht são imprestáveis em qualquer âmbito ou grau de jurisdição. "Na prática, isso desmontou o maior e mais bem documentado caso de corrupção transnacional já registrado, provocando anulações em massa no Brasil e no exterior [e] obstruindo a cooperação jurídica internacional", diz o texto, originalmente escrito em inglês. Foram apresentados três recursos contra a decisão de Toffoli —da PGR, da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) e do Ministério Público de São Paulo—, até agora não julgados de forma colegiada pelo Supremo. As organizações fazem outros dois pedidos à OCDE. O primeiro é que consulte todos os países membros para avaliar se a decisão afetou investigações e processos ligados ao caso Odebrecht. O segundo é que recomende aos membros preservar apurações baseadas em informações extraídas dos discos rígidos da empreiteira, com pedidos de cooperação a outras fontes desses dados, entre elas o governo suíço. A carta é encabeçada pela ONG Transparência Internacional, que chegou a virar alvo de investigação aberta no STF por determinação de Toffoli. O ministro arquivou a investigação após a PGR afirmar que não havia motivos que justificassem a continuidade do caso. Segundo o documento, ao menos 28 pessoas e empresas de oito países obtiveram decisões no Supremo que impedem autoridades brasileiras de cooperar com investigadores estrangeiros. O texto cita decisão de Toffoli que anulou provas contra Alejandro Toledo, ex-presidente do Peru condenado a 20 anos de prisão por receber propina da construtora brasileira. Em sentido oposto, as organizações mencionam decisão da Justiça britânica que desconsiderou o entendimento do Toffoli e deu seguimento a uma ação relacionada à Operação Lava Jato. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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