Entidade denuncia Meta � Corregedoria do TSE por bloqueio de imagens de Lula

Entidade denuncia Meta � Corregedoria do TSE por bloqueio de imagens de Lula

A organização CTRL+Z notificou nesta quarta-feira (14) a Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para pedir a investigação de possíveis restrições seletivas da Meta a conteúdos eleitorais. A entidade solicita a abertura de procedimento administrativo, a divulgação dos critérios de moderação da empresa e a aplicação de sanções caso sejam constatadas irregularidades. A denúncia inclui testes segundo os quais a inteligência artificial Meta IA recusa pedidos para gerar imagens que mencionem Lula (PT), mas atende a comandos equivalentes com o nome Flávio. Em uma das conversas documentadas, a própria ferramenta teria reconhecido uma limitação mais forte para um dos nomes. A organização pede a suspensão do serviço no Brasil ou, alternativamente, das funcionalidades de bloqueio automatizado, sob pena de multa diária. Procurada, a Meta não se pronunciou até a publicação desta reportagem. A representação se soma a um levantamento divulgado pela CTRL+Z na terça-feira (13), que reuniu 1.121 relatos de restrições, remoções de publicações, banimentos e quedas de alcance durante a campanha eleitoral. Segundo a organização, os casos afetam principalmente perfis de apoio a Lula. Os registros foram obtidos a partir de 5 de outubro por denúncias recebidas por e-mail e formulários e por buscas em redes sociais, na imprensa e em comentários publicados na internet. A maior parcela dos relatos (36%) diz respeito à supressão de alcance, como a redução da distribuição de publicações e a perda de posição nos resultados de busca. Restrições de funcionalidades, como impedimento de comentar, compartilhar ou enviar mensagens, representam 32% dos casos. Banimentos de contas, publicações ou comentários correspondem a 22%. O relatório não detalha a classificação dos 10% restantes. Entre os exemplos citados está o perfil oficial de Lula no Instagram. Segundo a entidade, um vídeo da conta, que tem 16,9 milhões de seguidores, registrou 783 mil curtidas, mas apenas 679 mil visualizações. A influenciadora Gabriela Prioli também relatou uma oscilação na contagem de visualizações de um vídeo, de 12,7 milhões às 19h49 para 1 milhão às 22h28. A CTRL+Z afirma que a Meta reconheceu, em 8 de outubro, uma falha na contagem de visualizações, sem apresentar explicações adicionais ou medidas de reparação. O levantamento contabiliza 148 casos de banimento ou bloqueio de contas, equivalentes a 13% dos relatos. Entre os atingidos estão entidades estudantis, movimentos sociais, jornalistas e cidadãos. A CTRL+Z aponta 16 contas que teriam sido banidas ou restringidas pela Meta e que também aparecem na ação judicial da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) que pediu ao TSE a suspensão de uma rede de 1.525 perfis pró-Lula. A coincidência, segundo a entidade, exige esclarecimentos sobre os critérios de moderação, mas não comprova, por si só, favorecimento deliberado à campanha do senador. O relatório também descreve justificativas genéricas ou contraditórias para remoções. A organização afirma ter identificado ao menos 20 explicações que não individualizariam a conduta supostamente irregular. Em dez casos, a Meta teria invocado a resolução eleitoral. Há ainda relatos de conteúdos políticos classificados como exploração sexual infantil ou relacionados a atividades terroristas. Os efeitos relatados vão além da circulação de conteúdo: mais de 50 casos mencionam danos financeiros decorrentes da derrubada de páginas usadas como fonte de renda; 29 apontam prejuízos organizacionais, como a perda de canais de comunicação; e ao menos 20 relatam autocensura por medo de novas restrições. A denúncia sobre a IA ocorre após o TSE determinar, em outubro, que a Meta esclarecesse acusações de seletividade algorítmica contra publicações da campanha de Lula. Em setembro, a empresa havia desabilitado anúncios do perfil do presidente no Facebook, restabelecidos no mesmo dia após recurso da campanha. As regras eleitorais do TSE para 2026 proíbem provedores de inteligência artificial de ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidaturas e de promover favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral, inclusive por respostas automatizadas. A CTRL+Z argumenta que o comportamento relatado nos testes pode contrariar essas disposições. A CTRL+Z pede que a Meta apresente os filtros e critérios aplicados durante a campanha e propõe estender a investigação a outros serviços de inteligência artificial, por meio de testes padronizados. O levantamento reúne relatos coletados pela própria organização e não comprova que todas as restrições tenham sido indevidas nem demonstra intenção de favorecer uma candidatura. A apuração deverá esclarecer a origem das diferenças, a consistência dos critérios aplicados e a eventual existência de um padrão sistemático de tratamento desigual. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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