Esta é uma edição da newsletter Folha Carreiras. Quer recebê-la às segundas-feiras no seu email? Inscreva-se abaixo: Folha Carreiras Informações semanais sobre mercado de trabalho e dicas para universitários e recém-formados alavancarem sua vida profissional Novo chefe, equipe reformulada, cargo diferente, sistema que muda daqui a uns dias. Mesmo quando a gente pediu por aquela mudança, bate um frio na barriga —e, às vezes, a vontade de que tudo continue como estava. Na edição de hoje, converso com duas psicólogas para entender de onde vem essa resistência e o que dá para fazer com ela. Querer e não querer. Resistir à mudança costuma ser lido como inércia. Para Maraci Alves, professora do departamento de psicologia da PUC-Rio e coordenadora do Laboratório de Saúde Mental e do Trabalho, a leitura é outra: quase todo mundo deseja mudar algo na vida ou na situação em que está, mas mecanismos psicológicos atrapalham esse desejo. Um deles é o hábito. Rotinas que nascem para atender a uma necessidade passam a ser repetidas de forma mecânica, mesmo quando essa necessidade já não existe. Outro é a "ilusão de impotência", a crença inconsciente e rígida de que não se tem controle ou recursos para mudar a própria vida. Segundo Alves, funciona como defesa: ao se convencer de que não há o que fazer, a pessoa se protege do medo do fracasso e da responsabilidade pelas próprias escolhas. Há ainda a autodesconfiança, aquela voz interna que diz "você não vai conseguir, isso não é pra você" e faz a pessoa desistir antes de tentar. Sem mapa. Desirée Cassado, psicóloga e professora na The School of Life Brasil, põe a necessidade de segurança na origem do medo. "Gostamos de saber onde estamos, o que vai acontecer e como devemos agir. Quando alguma coisa muda, perdemos temporariamente essas referências", diz. Toda mudança envolve alguma perda, mesmo a desejada. Um novo emprego pode trazer crescimento, mas também deixar para trás rotina, relações e uma forma de trabalhar já dominada. Por isso, afirma Cassado, é comum sentir medo e animação ao mesmo tempo. E a resistência nem sempre indica rigidez: pode mostrar que falta informação ou que há algo importante que a pessoa não quer perder. Balanço das horas. Há também um descompasso de tempo. Uma mudança pode ser anunciada em um dia, mas a adaptação emocional pode levar muito mais. "Existe um período em que o antigo já não funciona como antes, mas o novo ainda parece estranho", diz Cassado. Um sentimento que, certamente, o leitor já reconheceu, não? Nessa fase, segundo ela, são necessários informação, apoio, espaço para perguntas e permissão para experimentar e errar. Não é só com você. Alves lembra que o contexto pesa. O medo de sanção ou da pressão dos colegas pode levar a pessoa a se manter no que conhece. E, quando a mudança envolve valores claros para a pessoa, oferecer compensação financeira pode aumentar a resistência: ela se sente "subornada" em sua própria moralidade. Ou seja, a reação de cada um depende também de como avalia o contexto em que a mudança acontece. Estátua? Para Cassado, o medo pode manter alguém em uma situação conhecida só porque o desconhecido é grande demais. O resultado: adiar conversas importantes, evitar aprendizados, recusar oportunidades antes de conhecê-las ou seguir em uma função que já não combina com seus interesses e valores. "O maior prejuízo não está em sentir medo. Está em deixar que o medo impeça qualquer movimento", afirma. E agora? Aí vão algumas dicas das entrevistadas para atravessar o desconforto: Torne conscientes as suas crenças. Alves sugere se perguntar: "Por que eu estou acreditando nisso? Por que minha opinião é essa? Por que eu estou avaliando a mudança dessa forma?". Depois, investigue o que você sente ao pensar nisso; Nomeie o que sente. Para Cassado, medo, tristeza, raiva, alívio e entusiasmo podem aparecer juntos; Reconheça o que está terminando. Antes de exigir entusiasmo pelo novo, admita o que está sendo deixado para trás; Separe ameaças reais das imaginadas e controle de influência. Pergunte o que de fato pode acontecer e o que você pode fazer: buscar informação, fazer perguntas, pedir ajuda; Divida a mudança em passos pequenos, que possam ser testados e ajustados, e escolha uma ação concreta para os próximos sete dias, como marcar uma conversa, pesquisar uma possibilidade ou pedir uma opinião. "Não escolhemos todas as mudanças que chegam, mas podemos escolher como participamos delas", resume Cassado. Qual mudança você anda evitando —e o que esse medo está tentando te dizer? De olho no mercado Veja o que está acontecendo no mundo corporativo O Grupo Electrolux lança, com a PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), uma pós-graduação em inteligência artificial e ciência de dados, com 360 horas e início previsto para 2026. A primeira turma tem 40 vagas, disputadas por cerca de 300 colaboradores da Electrolux de áreas como finanças, planejamento, comercial e suprimentos, segundo a empresa. O curso, reconhecido pelo MEC (Ministério da Educação), abrange Python, machine learning e IA generativa e termina em um projeto aplicado a bases de dados da companhia. Segundo William Helouani, diretor digital e de dados para a América Latina, o programa combina fundamentos técnicos e desafios da operação. A parceria dá sequência a um programa de machine learning iniciado em 2025. Anota aí Dicas que podem te ajudar a conquistar as vagas que você quer Mentoria na Bain & Company A consultoria global Bain&Company abriu inscrições para a 9ª edição de sua mentoria para talentos negros, a Black at Bain. O programa é voltado a universitários e recém-formados negros interessados na carreira de consultoria. Os encontros acontecem em formato híbrido, de novembro de 2026 a abril de 2027, com treinamentos sobre IA, negócios e resolução de problemas. O programa também conta com mentoria individual para os candidatos. As inscrições vão até 19 de novembro neste link. Estágio na Pirelli A Pirelli, multinacional de pneus, abriu inscrições para seu programa de estágio. São 29 vagas a serem preenchidas em diferentes áreas da empresa —entre elas comercial, contabilidade, marketing, financeiro, laboratório e jurídico. As oportunidades estão espalhadas na capital paulista e em cidades no interior, com algumas também em Feira de Santana (BA). As candidaturas ficam abertas neste link até o dia 2 de novembro. Estágio na Boeing A Boeing Brasil recebe candidaturas neste link para seu programa de estágio em engenharia. São 16 vagas em modelo híbrido, com dias presenciais em São José dos Campos (SP). Para se candidatar, é necessário estar no último ano de cursos de engenharia, com formatura prevista para dezembro de 2027. As inscrições ficam abertas até o dia 6 de novembro. Estágio na Aché O laboratório farmacêutico abriu inscrições para o programa de estágio para estudantes de cursos superiores com previsão de formação entre fevereiro de 2028 e fevereiro de 2029. Há vagas em diferentes áreas da companhia, descritas na página de inscrição do programa —as candidaturas ficam abertas até 3 de novembro.
Entenda por que resistimos a mudan�as e como lidar com elas no trabalho
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