Entenda o que se sabe sobre as investiga��es que miram Lulinha e o que dizem mensagens reveladas

Entenda o que se sabe sobre as investiga��es que miram Lulinha e o que dizem mensagens reveladas

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, um dos filhos do presidente Lula (PT), é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de tráfico de influência. Vieram a público até o momento três inquéritos que miram Fábio, conhecido como Lulinha —apelido pelo qual ficou conhecido no debate público, apesar de não adotá-lo em sua vida pessoal. No STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro André Mendonça é relator de duas apurações, e Flávio Dino acompanha outra. O caso, amplificado pela divulgação de mensagens da empresária Roberta Luchsinger, colocou o tema do combate à corrupção no caminho da campanha eleitoral de Lula.O petista disputava a pauta depois da revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, mas aliados avaliam que as investigações contra Lulinha dificultam a ofensiva. Nesta quinta-feira (20), a coluna Mônica Bergamo mostrou que a PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu ao STF que o inquérito que apura se Lulinha cometeu tráfico de influência seja enviado à primeira instância da Justiça. O argumento é de que não há autoridades com foro privilegiado envolvidas e, portanto, não há justificativa para que o caso continue no Supremo. A decisão final será do ministro André Mendonça. Veja o que se sabe sobre o caso até o momento.Primeiro inquérito A primeira investigação da PF sobre Lulinha foi aberta no dia 30 de julho. A apuração busca entender se ele atuou com Roberta para favorecer a empresa World Cannabis, ligada ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), em programas do Ministério da Saúde. Antunes é apontado pela Operação Sem Desconto como principal articulador de um esquema que teria descontado cerca de R$ 6,3 bilhões do INSS entre 2019 e 2024, por meio de cobranças não autorizadas em aposentadorias e pensões. Lulinha foi citado nas investigações da Sem Desconto sob suspeita de ser sócio oculto do Careca do INSS e teve seus sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados com autorização do STF a pedido da PF, mas não é um dos indiciados no caso.Segundo inquérito O segundo inquérito foi aberto no dia seguinte ao primeiro, sob suspeitas de que Lulinha teria agido junto à Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência), vinculada ao Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, para beneficiar o empresário Cleber Ribas de Oliveira. Sócio da companhia 3Structure It, Oliveira teria custeado uma viagem de Fábio em troca de favores do governo e mantido relação com o Careca do INSS, segundo o relatório da PF. A Dataprev afirma não ter nenhum contrato com a empresa. Terceiro inquérito A terceira frente de investigação, aberta no dia 4 de agosto, também analisa suspeitas de tráfico de influência —ou seja, da atuação junto a órgãos públicos para favorecer empresas. Dino, além de autorizar o pedido da PF, permitiu uma apuração sobre vazamentos ilegais de dados sigilosos, requisição feita pela defesa de Lulinha.Mensagens vazadas Roberta Luchsinger também é alvo da Operação Sem Desconto devido aos negócios que mantinha com o Careca do INSS. Segundo diálogos analisados pela PF, ela dizia falar em nome do filho do presidente, utilizando a expressão "Eu sou o Fábio", e queria obter 20% de remuneração em um projeto de cannabis medicinal que tentava vender ao governo federal. Ainda de acordo com troca de mensagens obtidas pela corporação, a empresária encaminhou a Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Lula, a minuta de um contrato para venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. Conhecido como Marcola, o ex-assessor confirma o recebimento, mas afirma não ter repassado o documento a ninguém do governo. A relação entre Ribeiro e Luchsinger entrou em evidência depois da revelação de que ele recebeu R$ 249 mil da empresária. Marcola afirmou que os valores —que incluem joias de diamantes— se referem a um empréstimo tomado e já quitado com a empresária. Em outras mensagens examinadas pela PF, a empresária também teria mencionado a atuação do advogado Otto Medeiros no suposto contrato e afirmado que ele seria sócio do ministro Kassio Nunes Marques, do STF. Em nota, Kassio afirmou que é amigo de Medeiros, mas que "não é e nunca foi sócio" dele em nenhum empreendimento. Como mostrou a Folha, documentos indicam que Lulinha já voou em jatos privados de Otto Medeiros e que o advogado já atuou para ele no caso em que o empresário foi acusado de sonegação fiscal, na época da Operação Lava Jato.O que diz a defesa de Lulinha Os advogados de Lulinha negam ligação dele com qualquer tipo de irregularidade. A defesa admite que o Careca do INSS pagou as despesas de uma viagem que o empresário fez a Portugal, mas afirma que o filho do presidente aceitou o convite para conhecer a produção de medicamentos à base de canabidiol e não participou de negociações nem investiu na World Cannabis. O Ministério da Saúde afirma que nunca teve contrato com a empresa. Sobre os diálogos divulgados, a defesa afirmou que não pode "até o momento atestar a veracidade de qualquer mensagem" e que "qualquer afirmação agora parece absolutamente inconveniente e inoportuna". "O que posso dizer é que estão ocorrendo vazamentos criminosos por setores da Polícia Federal instrumentalizados por interesses políticos e eleitorais para tentar, de alguma forma, contaminar as eleições de 2026", disse o advogado Marco Aurélio Carvalho. FolhaJus A newsletter sobre o mundo jurídico exclusiva para assinantes da Folha O que diz Lula O presidente Lula afirmou em mais de uma ocasião que Fábio não terá privilégios. Disse ainda que, embora acredite na inocência do filho, ele precisará prová-la no processo. "Se meu filho tiver culpa, ele pagará. Agora, ele já foi acusado de muitas coisas. Toda eleição aparece o meu filho", disse em entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs na última sexta-feira (14). Na noite desta quarta-feira (19), o presidente se reuniu com o advogado de Lulinha no Palácio da Alvorada. O defensor também coordena a campanha à reeleição do petista em São Paulo.

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