Entenda como a desorganiza��o nas finan�as pessoais pode afetar sua carreira

Entenda como a desorganiza��o nas finan�as pessoais pode afetar sua carreira

Esta é uma edição da newsletter Folha Carreiras. Quer recebê-la às segundas-feiras no seu email? Inscreva-se abaixo: Folha Carreiras Informações semanais sobre mercado de trabalho e dicas para universitários e recém-formados alavancarem sua vida profissional "Se sou genial, por que não estou rico?", teria questionado o pintor americano Jackson Pollock (1912-1956), segundo John Armstrong, filósofo britânico e um dos fundadadores da The School of Life. Se ganha bem, é bom —ou, pelo menos, aparenta ter dinheiro. Poder gastar é, para alguns, a vitrine que demonstra a competência de profissionais do trabalho. A relação entre carreira e finanças pessoais, no entanto, é bem mais complicada do que isso. Na edição de hoje da Folha Carreiras, converso com especialistas para entender como o controle (ou o descontrole) das finanças pessoais pode afetar o seu trabalho e a sua trajetória no mercado corporativo. Tópico sensível. Segundo pesquisa da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e do Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas) de julho de 2025, 55% dos brasileiros afirma saber pouco ou nada sobre educação financeira. Ainda, 74% acredita que os brasileiros não entendem sobre o assunto. É difícil falar sobre dinheiro. No trabalho? Pior ainda. Há muitos profissionais que são ótimos lidando com o universo financeiro na vida corporativa, mas não demonstram a mesma habilidade nas próprias contas bancárias. Para Armstrong, isso acontece porque o dinheiro ocupa um papel tão central na vida moderna a ponto de a própria identidade da pessoa se fundir com o valor disponível na conta. Isto é: quem sabe lidar com o dinheiro é visto como uma pessoa virtuosa e vice versa. Por isso, é difícil admitir que há descontrole, por exemplo. "Hoje, sua habilidade com dinheiro é vista como uma das características central que te define —o que eu acho um fardo terrível", diz o filósofo. Troféu? É incomum falar sobre dificuldades nas finanças em público. Para ter uma conversa honesta sobre finanças pessoais, na opinião do especialista, é importante se livrar da ideia de que dinheiro é igual a mérito. Efeitos. Eduardo de Freitas Souza, CFO da Contabilizei, lista as formas como a desorganização financeira pode afetar sua carreira profissional. Estresse crônico: problemas financeiros tiram o sono, geram ansiedade e reduzem a capacidade de concentração e produtividade no trabalho. Segundo o especialista, é um efeito mensurável e algumas empresas já monitoram o desequilíbrio financeiro enquanto fator de queda de performance; Reputação: em alguns setores como finanças, compliance e cargos de lideraça, ter o "nome sujo" (em listas de dívidas como SPC ou Serasa) ou dívidas mal geridas, pode pesar em processos seletivos; Decisões menos estratégicas: o desequilíbrio financeiro leva a tomada de deciões de carreira com menos planejamento. Aceitar a primeira proposta, não negociar salários e não ter uma reserva para poder recusar uma oportunidade ruim ou investir em qualificação, são exemplos de como a falta de previsilibidade financeira pode atrapalhar o caminho profissional. "A desorganização financeira pessoal tira o poder de escolha do profissional", afirma Souza. "Quem tem uma reserva de emergência e organização financeira consegue negociar salário com mais segurança, recusar uma vaga que não faz sentido, pedir demissão de um ambiente tóxico sem pânico ou até empreender com um colchão de segurança." Indo além. Armstrong levanta outro ponto: a desorganização crônica das finanças pessoais leva a pessoa a um estado permanente de insegurança —isto é, para garantir o pão de amanhã, é melhor não mexer muito no que acontece hoje. "A insegurança faz com que você não consiga se perguntar: eu gosto desse trabalho? Essa é uma boa oportunidade? O meu trabalho hoje faz sentido para a construção da minha carreira?", afirma o especialista da The School of Life. E agora? Se você se identificou com as afirmações e percebeu que o desequilíbrio financeiro está afetando sua carreira, aí vão dicas do CFO da Contabilizei para organizar as contas e tomar decisões profissionais mais seguras e estratégicas. 1. Trate as suas finanças pessoais com o mesmo cuidado analítico que você usaria em uma planilha da empresa, mas sem culpa quando errar; 2. Monte uma reserva de emergência antes de tudo. Isso é o que comprará a liberdade de decisão profissional: poder dizer não a uma vaga ruim ou negociar um salário melhor sem desespero; 3. Acompanhe entradas e saídas todo mês, mesmo que de forma simples. Clareza reduz a ansiedade que vem do "não sei quanto tenho"; 4. Identifique as suas crenças herdadas sobre dinheiro e questione se ainda fazem sentido hoje na sua vida. Muitos carregam culpa ou medo financeiro que vêm da infância, não da realidade atual; 5. Invista em você mesmo com intenção, não só em consumo. Cursos, certificações e networking são gastos que se convertem em retorno de carreira; 6. Busque ajuda quando precisar, se a culpa ou ansiedade com dinheiro estiver paralisando o planejamento ou ação concreta. Seja apoio de um profissional de finanças, seja apoio de um profissional da saúde. Isso não é fraqueza, é gestão de carreira. Pronto para encarar a planilha de gastos? De olho no mercado Se você sente que todo mundo é PJ (isto é, trabalha fora do regime CLT) em 2026, você pode estar antenado a uma tendência de alguns setores. A "pejotização" —contratação de funcionários a partir do MEI (Microempreendedor Individual) ou ME (Microempresa), que têm um CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica)— avança para 60% das vagas em comunicação e vira diferencial de contratação, revela estudo da startup Trampos, plataforma de recrutamento especializada em marketing e comunicação. A participação de vagas PJ no mercado brasileiro de comunicação avançou de 49% para 60% entre 2021 e 2025, consolidando o formato como majoritário nas contratações de agências, produtoras, estúdios e times de marketing. O avanço foi constante ao longo de toda a série: 49% em 2021, 55% em 2023 e 60% em 2025 —, sem período de reversão, o que caracteriza mudança estrutural e não ajuste pós-pandemia. Os dados fazem parte de "O Retrato da Pejotização no Mercado de Comunicação", primeiro relatório com série histórica sobre modelos de contratação no setor. O estudo consolidou vagas publicadas na plataforma entre 2021 e 2025 para mapear a evolução da pejotização, a atratividade por área e senioridade, a remuneração anunciada e os formatos de trabalho. Anota aí Programa de trainee de SulAmérica e Rede D'Or A SulAmérica e a Rede D'Or abriram inscrições para o Programa Trainee 2027, voltado a profissionais de todas as áreas de formação com graduação concluída ou prevista entre julho de 2022 e dezembro de 2026, aceitando candidatos de todas as regiões do Brasil. As inscrições vão até 30 de setembro e acontecem por meio deste link. O programa, com duração de 12 meses e início previsto para janeiro de 2027, passa por áreas como saúde e odonto, vida e previdência, investimentos, tecnologia, finanças e marketing —a edição anterior recebeu mais de 70 mil inscrições. Programa de estágio da Cielo A Cielo abriu inscrições para o terceiro ciclo de 2026 do Protagoniza, seu Programa de Estágio, com 30 vagas em áreas como comercial, tecnologia, marketing, finanças, logística e recursos humanos; as inscrições vão de 5 de agosto a 6 de setembro pela plataforma InHire, e podem participar estudantes de nível superior com formação prevista a partir de dezembro de 2027, incluindo pessoas em transição ou recomeço de carreira. O modelo é híbrido, com carga horária de 30 horas semanais e dois dias presenciais por semana na sede da empresa, em Barueri (SP). Desafio da Accor para estudantes A Accor abriu as inscrições para o Desafio Take Off! Brasil 2026, programa de inovação que convida estudantes a criar soluções para desafios da hotelaria. Nesta edição, as propostas devem ser voltadas a aprimorar a primeira impressão dos hóspedes na chegada ao hotel. Podem participar equipes de dois ou três estudantes a partir de 16 anos, matriculados em instituições de ensino de qualquer área de formação, e as inscrições vão até 31 de agosto pela plataforma oficial. A seleção tem duas etapas —envio de propostas avaliadas por profissionais de operações da Accor e apresentação presencial das equipes finalistas para uma banca—, com os três primeiros colocados premiados em hospedagens ou jantares em hotéis da rede.

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