Um dos idealizadores da "Times Square" de São Paulo, o empresário Álvaro Aoas chamou de "decepcionante" a decisão judicial que manteve a suspensão temporária da implantação de telões na esquina das avenidas Ipiranga e São João, no centro. "São Paulo fica fadada ao atraso", disse. Segundo ele, a judicialização tornou inviável a inauguração do projeto em 2026. Isso porque a implantação dos painéis exige de três a quatro meses até o início da operação. O empresário conversou com a Folha na saída do julgamento do recurso pela 7ª Câmara de Direito Público, no Palácio da Justiça. Ele aponta prejuízo com a situação, em razão do gasto de R$ 42 milhões com a compra e a importação dos painéis, guardados há meses em São Paulo.Aoas destacou que o termo de cooperação é de três anos por ser um padrão para esse tipo de acordo, mas que a vontade é que dure muito mais. "Queria que fosse 50 [anos]", disse. Também rebateu críticas sobre o objetivo da proposta, chamando de "cultura contra o lucro". Oficialmente, a iniciativa é chamada de "Boulevard São Paulo" ou "Boulevard São João". A referência à Times Square de Nova York tem sido feita tanto pelos apoiadores quanto pelos críticos à proposta. A iniciativa prevê a instalação de quatro painéis de LED, de até 1.000 m², na fachada dos edifícios Cine Paris República, Herculano de Almeida, Galeria Sampa e New York. A principal polêmica é o aval à veiculação de marcas, diante dos 20 anos de restrições impostas pela Lei Cidade Limpa. A proposta foi apresentada pela FDB Digital Participações em 2025. A empresa é dos sócios da Fábrica de Bares, que tem diversos estabelecimentos no centro expandido, como o Bar Brahma, localizado na esquina do projeto. A previsão era que a iniciativa fosse inaugurada em outubro, com programação temática no Natal —com feirinha, Papai Noel e árvore natalina no largo do Paissandu— e contagem regressiva nos telões durante o Réveillon. Inicialmente, havia planos de programação ainda na Copa do Mundo, frustrados pelo tempo de tramitação do pedido no âmbito municipal. O empresário disse, ainda, que empresas demonstraram interesse em patrocinar o projeto. Ele defendeu que o tempo de 30% da projeção para exibição de marcas não seria para anúncios comuns, mas para o que chama de "arte digital patrocinada". Além disso, refutou o questionamento judicial sobre a proporcionalidade do retorno financeiro para a empresa em comparação às contrapartidas, estimadas em R$ 7,6 milhões (como o restauro da fachada externa da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e de monumentos, entre outras intervenções). Nesse ponto, avaliou que críticos tratam o tema como se lucro fosse "pecado". "Queria que tivessem 2.000 empresários buscando ter lucro no centro de São Paulo", defendeu. "É cada pensamento absurdo. É a cultura contra o lucro." Empresário critica Matarazzo, que responde: 'A história da minha família é ligada ao centro desde 1900' Álvaro Aoas também criticou o ex-subprefeito da Sé Andrea Matarazzo, um dos autores da ação que resultou na suspensão. "Não mora [no centro], não frequenta", disse. Também questionou o motivo de Matarazzo não criticar o painel de LED da sede da Fiesp, entidade em que é diretor. "Estranho, né?", disse. "Não quero deslegitimar o painel da Fiesp, quero deslegitimar o proponente da ação."Procurado pela reportagem, Matarazzo afirmou que conhece o centro "sem explorá-lo comercialmente, e sim pelo patrimônio que lá existe". Destacou que tem empresa sediada no edifício Conde Luís Eduardo Matarazzo, na Sé, que visita diariamente. "A história da minha família é ligada ao centro da cidade desde 1900", declarou. Ele destacou ter sido subprefeito da Sé e, também, secretário de Subprefeituras durante a implantação da Lei Cidade Limpa, na gestão Gilberto Kassab (então PFL, hoje PSD), há 20 anos. "Continuo apenas a preservar os avanços importantes que a sociedade de São Paulo conseguiu", prosseguiu. Sobre os painéis da Fiesp, respondeu que exibem apenas conteúdo de utilidade pública e cultural, "jamais publicidade". O que é a proposta da Times Square O acordo é para a instalação de quatro painéis eletrônicos, de 10 a 25 metros de altura. Foram fixadas condicionantes, entre elas: veiculação de até 10 empresas ou marcas apoiadoras; limite de 30% das exibições com conteúdo institucional de patrocinadores; veto à exibição de animações, vídeos, movimento contínuo, padrões que simulem movimento, "estímulos visuais abruptos", "alternância rápida de cores" e conteúdo com flashes; limitação da luminância, a depender do período (sendo menor à noite), semelhante ao fixado em rodovias; apresentação de estudos técnicos obrigatórios (fotométrico, de impacto visual, de simulação de ofuscamento para motoristas e pedestres, intrusão luminosa em edificações e outros). Além dos telões em si, o projeto prevê a realização de eventos culturais ao ar livre. Isso inclui planos para restrição de tráfego previamente autorizada em fins de semana, como para apresentações musicais gratuitas abertas ao público em geral. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) defendeu a expansão do horário de funcionamento dos telões, assim como chamou anteriormente a decisão judicial de "canetada de uma pessoa só".
Empres�rio diz que 'Times Square' de SP ficar� para 2027 e que cr�ticas s�o 'cultura contra o lucro'
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