São Paulo Empresas de logística, varejo, alimentação e agenciamento marítimo têm uma preocupação em comum com o fim da escala 6x1. A prioridade de todas é manter a operação intacta nos horários e dias de maior demanda, disseram à Folha. Unimar, Loggi, Pizza Prime e Klivex planejam ou já colocaram em prática mudanças nas jornadas para evitar que os momentos de maior volume de trabalho fiquem descobertos, mesmo com menos horas por funcionário. Operação de navios é uma das atividades que buscam soluções para mudanças na escala - Zanone Fraissat-6.ago.26/Folhapress Grupo de agenciamento marítimo com 370 funcionários, a Unimar trabalha com a operação de navios, atividade em que é impossível contar com operação fixa. A empresa estrutura banco de horas, negocia com sindicato e usa inteligência artificial para atividades como auditorias feitas entre o sistema local e o do armador, o dono do navio. "A gente tem de reduzir esse custo em folha e não há outro jeito que não seja tecnologia e otimização de processos. Precisamos preservar a operação nos momentos de maior demanda", afirma Thiago Santos, diretor de estratégia corporativa da Unimar. Na Loggi, o teste da escala 5x2 ocorreu em turnos de Cajamar, na Grande São Paulo, em outubro de 2025, antes da Black Friday. O teste serviu como parâmetro para o que ocorreria na empresa de pacotes, documentos e encomendas em um dos períodos mais movimentados do ano. "A experiência nos permitiu avaliar, na prática, uma nova organização das jornadas de trabalho, buscando conciliar as necessidades da operação com mais equilíbrio e qualidade de vida para os colaboradores. Os resultados foram positivos e nos deram segurança para ampliar a iniciativa ao longo de 2026. Para uma operação logística, especialmente em períodos de alta demanda, contar com equipes mais estáveis faz toda a diferença", diz Juliana Sorrentino, gerente sênior de pessoas. A Klivex, distribuidora de produtos de limpeza, higiene e descartáveis com sede em Indaiatuba, no interior de São Paulo, tem a necessidade de manter as lojas abertas aos sábados e de manter um centro de distribuição para vendas a empresas e comércio eletrônico. "O desafio para uma empresa do nosso porte é reorganizar as escalas sem perder qualidade no atendimento", analisa o diretor-executivo, Mauro Silveira. A Pizza Prime, do setor de alimentação, cita a necessidade de conciliar as jornadas com a demanda à noite, nos fins de semana e nos feriados. O fundador da franquia, Gabriel Concon, também tem uma visão comum a outras empresas de médio porte: a mudança deve ser vista como uma oportunidade. "É a chance de aprimorar a eficiência operacional, fortalecer a gestão das equipes e construir um ambiente de trabalho cada vez mais sustentável", afirma. "Acreditamos que um time mais descansado também atende melhor", completa Silveira. O Senado aprovou o fim da escala 6x1 no último dia 14, em dois turnos, com apenas um voto contrário. O Congresso Nacional promulgou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) na última sexta-feira (16). O texto prevê escala 5x2 e 42 horas semanais 60 dias após a promulgação e 40 horas em até 14 meses, sem redução de salário. Para compensar as horas perdidas, as empresas apostam em eficiência e em reorganização do trabalho. "Uma eventual adaptação das jornadas passa pela combinação de planejamento, processos bem estruturados, capacitação das equipes e uso de tecnologia", completa Concon. A Klivex afirma que vai adotar folga rotativa nas lojas, com domingo livre e mais uma folga na semana, e jornada de segunda a sexta, com 42 horas, no centro de distribuição.
Empresas buscam cobrir picos de demanda com menos horas ap�s fim da 6x1
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