Empresa brit�nica aposta em sess�es online para engajar equipes no mundo

Empresa brit�nica aposta em sess�es online para engajar equipes no mundo

Alguns presidentes-executivos enviam um email semanal para contar aos funcionários como as coisas estão indo. Outros fazem uma sessão de perguntas e respostas online a cada poucos meses ou publicam suas ideias no LinkedIn. Não se sabe se algum deles faz exatamente o que Greg Jackson faz na Octopus Energy, a empresa britânica de fornecimento de energia a residências que ele fundou em 2015. Toda sexta-feira, às 16h15, ele incentiva os cerca de 13 mil funcionários da Octopus em oito países a participar do "jantar em família": uma sessão online de meia hora, um tanto caótica, com apresentações irreverentes e rápidas de Jackson e seus principais gestores sobre as últimas notícias da empresa. Greg Jackson, fundador e CEO da Octopus Energy, faz transmissões online às sextas-feiras, em reuniões bem-humoradas - Hollie Adams -03.abr.25/Reuters Eis o que aconteceu em uma delas, na Oxford Street, em Londres: à medida que as 16h15 se aproximavam, os funcionários começaram a encerrar suas atividades, pegar bebidas nas geladeiras da empresa e se acomodar diante de uma tela grande em um auditório do escritório. Jackson logo apareceu online para falar sobre pessoas que havia conhecido nas sessões Octopus Live com clientes, realizadas pelo país. Um casal de Manchester havia reduzido suas contas para £12 (cerca de R$ 83) por mês com uma bateria doméstica, uma bomba de calor e painéis solares. Uma sobrevivente de câncer de mama havia chorado ao contar a ele como a Octopus a ajudara a administrar suas contas. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesDepois, os responsáveis pelas operações do grupo em cada país entraram para apresentar suas notícias, entre vídeos, animações bem-humoradas, um fluxo de comentários online dos funcionários —e muitas intervenções de Jackson. "Jesus", exclamou ele quando seu presidente-executivo na Alemanha informou que a empresa acabara de vencer as 36 categorias de prêmios do setor por atendimento ao cliente e inovação. "Isso é inacreditável", disse, brincando que seu equivalente italiano ficaria furioso. "Absolutamente bom pra caralho!", vibrou ele quando seu representante em Tóquio revelou que a empresa tinha 600 mil clientes japoneses. Ele gostou tanto das notícias do Japão e da China que anunciou que os dois funcionários que soubessem dizer quantos painéis solares foram instalados na China em 2025 ganhariam uma viagem gratuita aos dois países. As inscrições estarão "fora da escala" até o prazo final da competição, na terça-feira, disse depois. Tudo faz parte do esforço para entreter os funcionários enquanto reforça as prioridades da empresa, como liderança no setor, preços, energia limpa e atendimento ao cliente. O formato se alterna a cada semana. Uma sessão global como aquela é seguida por uma sessão de um país, depois outra global e, em seguida, uma para equipes individuais. Jackson conduz todas, exceto as das equipes, o que significa que apresenta uma sessão em três de cada quatro semanas. Isso toma tempo, ele concorda, mas é crucial "se você quer manter uma empresa global concentrada nos mesmos objetivos e sabendo o que realmente queremos". Muitas organizações fariam bem em adotar esse tipo de abordagem. Chefes demais deixam a comunicação a cargo dos gestores. Ou sobrecarregam os funcionários com emails longos, repetitivos e pouco lidos, que denunciam falta de reflexão ou cuidado. Ou transmitem ao vivo apresentações raras, engessadas e pouco informativas. Dito isso, Jackson é difícil de imitar. Ele tem um senso de humor e sabe escolher a hora de fazer uma piada, algo que pode usar com relativa facilidade porque a Octopus é uma empresa de capital fechado. Também tem experiência no setor de tecnologia, onde reuniões gerais online descontraídas são mais comuns. A situação é mais complicada quando se comanda uma empresa de capital aberto com mais de 200 mil funcionários em 56 países e se está cortando alguns dos postos mais caros, como faz Georges Elhedery no HSBC. Ele fez da comunicação interna uma prioridade para seus gestores seniores desde que se tornou presidente-executivo em 2024 e também se comunica bastante pessoalmente. Além dos e-mails na época da divulgação dos resultados trimestrais, ele participa de reuniões gerais regionais e de debates com altos executivos, e conversa on-line com convidados de fora da empresa, como Demis Hassabis, da DeepMind. Matt Brittin, o novo diretor-geral da BBC, adotou uma abordagem semelhante, participando de sessões online de perguntas e respostas para os mais de 20 mil funcionários da emissora, conduzidas por apresentadores como Adam Fleming. Na McKinsey, o sócio-diretor global Bob Sternfels escreve regularmente em um blog sobre assuntos que vão das forças que afetam os clientes ao que viu em suas viagens. Também escreve cartas menos frequentes, porém mais substanciais, sobre notícias que afetam a empresa ou ideias que quer que todos conheçam. Há outros chefes que enviam vídeos, escrevem emails informais sobre férias em família ou fazem conversas no Slack em que os funcionários podem perguntar qualquer coisa. No fim das contas, o que mais importa é compreender as próprias prioridades e comunicá-las da maneira mais cuidadosa, regular e não enfadonha possível. Quem consegue fazer isso e ainda levar as pessoas a rir está bem à frente. Os demais têm muito a ganhar tentando.

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