São Paulo A Embraer pôs em prática em 2026 uma ofensiva para expandir sua presença na Índia e abocanhar parte da demanda do país asiático, que é um dos mercados que mais crescem na aviação atualmente. A fabricante brasileira mantém, no momento, conversas com empresas do setor de aviação indiano para a comercialização de aeronaves, conforme apurou a reportagem. O avião KC-390, da Força Aérea Brasileira, fabricado pela Embraer, durante apresentação na região do aeroporto Campo de Marte, na zona norte da capital paulista - Fábio Pescarini/Folhapress De acordo com a Reuters, a Embraer está em negociação com a IndiGo, a maior companhia aérea da Índia, para a venda de 100 aviões comerciais, com opção para cerca de 50 unidades adicionais. Nesta quarta-feira (4), as ações da Embraer fecharam em R$ 107,06, alta de 3,1% em relação ao resultado da terça-feira (3). A companhia apresenta bom desempenho na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, desde o segundo turno das eleições brasileiras. Por ser uma empresa que vende em dólares, a fabricante viu seus papéis se valorizarem em meio a alta da moeda americana nos últimos dias. Em outubro, a Embraer e o Grupo Mahindra anunciaram o planejamento de um ecossistema industrial para a fabricação do cargueiro C-390 Millennium na Índia, visando ao programa MTA (Medium Transport Aircraft) da Força Aérea Indiana, voltado a aviões médios de transporte. Fundado em 1945, o Grupo Mahindra é uma multinacional que fabrica automóveis e tratores, entre outros produtos, e atua nos setores de hotéis, mercado imobiliário, tecnologia, energia renovável e logística, entre outros. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesLogo após o anúncio, no começo de outubro, a Embraer assinou um acordo para adquirir 51% da indiana NAL (Novavayu Aerospace Limited), empresa fundada em julho de 2026. O Grupo Mahindra era o antigo controlador da companhia. A nova empresa da Embraer não registrou faturamento nem contribuição financeira à Mahindra no exercício fiscal encerrado em março. A Embraer afirma que, junto ao grupo indiano, têm trabalhado em conjunto com o governo do estado de Maharashtra e identificaram a cidade de Nagpur, localizada no centro da Índia, como potencial local para a instalação de uma linha de montagem final do C-390 Millennium, o avião militar da fabricante brasileira. A proposta, porém, depende que o governo indiano formalize a aquisição da aeronave no âmbito do programa MTA da Força Aérea Indiana. As empresas planejam deixar a infraestrutura pronta para avançar rapidamente se isso ocorrer. A Embraer e Mahindra firmaram um acordo de cooperação estratégica em 2025 para promoverem em conjunto a candidatura do C-390 Millennium ao programa. Se o acordo com o governo da Índia der certo, a empresa paulista levaria à Índia conhecimento especializado em montagem de aeronaves, integração de sistemas e engenharia de manufatura. Na frente da aviação comercial, a Embraer fechou um memorando de entendimento com a indiana Adani Defence & Aerospace para estabelecer uma linha de montagem final para o E175 no país. O documento foi assinado em fevereiro deste ano pelo CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, e por Jeet Adani, diretor da Adani Defence & Aerospace. Também estavam presentes na ocasião o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Comércio e Indústria da Índia, Piyush Goyal. Em evento para jornalistas, o vice-presidente de marketing para aviação comercial da Embraer, Rodrigo Silva e Souza, disse que a companhia vê a Índia e a África como mercados onde a fabricante pode registrar expansão nas vendas do segmento comercial nos próximos anos. "O E175 está abrindo novos mercados, e isso pode representar uma oportunidade bastante significativa", diz Souza. Em maio, a Embraer anunciou a assinatura do seu primeiro contrato com uma empresa de fornecimento da Índia, a Bharat Forge Limited. A empresa indiana é voltada ao fornecimento de componentes e soluções de alto desempenho, críticos para a segurança, para diversos setores. De acordo com a Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos), entre 2011 e 2019, a Índia registrou uma taxa média anual de crescimento de dois dígitos, de 10,3%, no tráfego de passageiros aéreos com base na origem e no destino —nesse caso, considera-se o número total de viagens realizadas do ponto de partida ao destino final, não o número de voos individuais (trechos). O desempenho superou com folga o da indústria aérea global e o da região da Ásia-Pacífico. Em setembro, no entanto, o país amargou uma queda de 8,3% na demanda no mercado doméstico, na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo os dados da entidade, em meio ao impacto sofrido pelo setor aéreo mundial por causa da guerra do Irã e do aumento no preço do combustível. A retração na demanda global de passageiros foi de 0,5% em setembro. RAIO-X | EMBRAER Fundação: 1969 Lucro líquido: R$ 1,11 bilhão (2º trimestre) Receita líquida: R$ 11,3 bilhões (2º trimestre) Carteira de pedidos: US$ 34,5 bilhões (2º trimestre) Funcionários: cerca de 23 mil no Brasil e no exterior Principais concorrentes: Boeing e Airbus Colaborou Júlia Galvão
Embraer busca expans�o na �ndia com venda de avi�o comercial e produ��o de aeronave militar
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