Embraer abre novo mercado com venda de KC-390 � Col�mbia

Embraer abre novo mercado com venda de KC-390 � Col�mbia

A Embraer assinou nesta terça-feira (4) um contrato para o fornecimento de dois aviões de transporte multimissão KC-390 Millenium à Força Aérea da Colômbia, no primeiro negócio de exportação para um país da América Latina. Com isso, o cargueiro da fabricante paulista chega a seu 12º cliente externo em sua curta carreira. Ela começou com um projeto em parceria com a Força Aérea Brasileira em 2008, resultando em uma encomenda inicial de 28 aviões reduzida a 19, com 8 já entregues desde 2019. De lá para cá, o avião entrou no mercado europeu da Otan no mercado europeu da Otan, a aliança militar ocidental, visando substituir os cerca de 130 antigos cargueiros americanos C-130 Hércules do continente. Foram 6 unidades compradas por Portugal, 5 pela Holanda, 4 pela Suécia, 2 pela Hungria e 2 pela República Tcheca, além de 4 que os austríacos, que não integram a Otan, encomendaram. O avião também chegou à Ásia, com a Coreia do Sul encomendando 3 unidades e o Uzbequistão, 2. O caso colombiano tem particularidades. Bogotá acaba de comprar 17 caças Gripen, da fabricante sueca Saab, o mesmo avião de combate adquirido pelo Brasil. A Embraer é parceira dos suecos e fabricará 15 dos 36 aparelhos em Gavião Peixoto (SP), onde 1 dos 11 já entregues foi feito. A capacitação da linha brasileira visa o mercado externo, e no mês passado ambos os fabricantes assinaram um memorando para ampliar sua produção conjunta. O objetivo inicial é justamente suprir a encomenda colombiana, além da compra anunciada pelo Brasil de mais 20 aviões. Assim, a experiência de parceria comercial e integração militar das duas aeronaves no Brasil virou um ativo no negócio conduzido por Bogotá, que hoje opera seis Hércules sem sondas de reabastecimento aéreo. A função é delegada a apenas um avião, um Boeing-767 de maior porte. Os dois KC-390 terão essa capacidade, como o K de sua designação explicita —o C significa, na aviação militar, aeronaves só de transporte. A própria Embraer, em nota, ressaltou esse aspecto de integração. "As aeronaves também contarão com total conectividade para operar de forma integrada com os caças Gripen, ampliando a prontidão operacional e a interoperabilidade do país", afirmou, em nota. A Colômbia já operava da Embraer 12 antigos Tucano e 24 modernos Super Tucano, que viram ação nos tempos de combates abertos entre o governo e narcoguerrilhas no país. Valores não foram citados, e eles dependem de detalhes do negócio e de sua escala. Para fins comparativos, com correção da inflação, o Brasil pagou cerca de R$ 700 milhões por avião, enquanto a Hungria desembolsou pouco mais de R$ 900 milhões. A Grécia será a próxima cliente da Embraer, já que o governo local aprovou a compra de três KC-390 por R$ 3,5 bilhões em junho. O contrato, contudo, ainda não está assinado. A fabricante brasileira segue de olho no mais tentador negócio unitário da praça, a compra de talvez 80 aviões de transporte pela Índia. Outro objeto de desejo é a entrada no maior mercado militar do mundo, o dos Estados Unidos, embora ali a presença continuada de versões atualizadas do local Hércules, um avião dos anos 1950, dificulta as tratativas. Por outro lado, a Embraer tem histórico de produção nos EUA, como quando associou-se à Sierra Nevada para fornecer Super Tucano que Washington transferiu para o Afeganistão antes da volta dos radicais do Talibã ao poder. A expansão da carteira do avião multimissão leva a questionamentos acerca de capacidade produtiva. A fábrica de Gavião Peixoto mira chegar ao teto de 18 unidades entregues por ano, mas a Embraer já estuda linhas externas, tendo assinado acordos com própria Índia, com a Arábia Saudita e com a Polônia.

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