Embalada por pesquisa eleitoral, Bolsa segue em alta nesta quinta

Embalada por pesquisa eleitoral, Bolsa segue em alta nesta quinta

O mercado financeiro segue um tom otimista nesta quinta-feira (3). Às 11h27 o Ibovespa tinha alta de 0,8% a 186.702 pontos, e o dólar operava com leve queda de 0,12%, a R$ 5,10, repercutindo o cenário para as eleições deste ano. Na quarta-feira (2), a Bolsa fechou em disparada de 3%, a 185.205 pontos, enquanto o dólar recuou 0,89%, a R$ 5,106, após pesquisa eleitoral Quaest revelar uma disputa mais acirrada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa presidencial. O Ibovespa encerrou na maior alta registrada desde março e no maior valor de fechamento desde maio. O resultado, em conjunto com a tensão entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, tem impulsionado os ativos domésticos nos últimos pregões e aumenta a percepção de uma possível alternância de poder nas eleições. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Na Quest, o presidente Lula (PT) registrou 37% das intenções de voto no primeiro turno das eleições de 2026, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 30%, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2). Trata-se do primeiro levantamento nacional feito pelo instituto após o início oficial da campanha eleitoral. O cenário é de relativa estabilidade em relação à rodada anterior, divulgada em 14 de agosto, quando o petista tinha 38% das intenções de voto, ante 31% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. No segundo turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto, ante 41% de Flávio Bolsonaro, em cenário de empate técnico. Em 14 de agosto, os dois também apareciam tecnicamente empatados, com 43% e 40%, respectivamente. O resultado se somou a outras pesquisas que apontam um estreitamento da diferença entre os líderes da disputa. Analistas avaliam que Flávio Bolsonaro tem um perfil mais alinhado à disciplina fiscal do que o atual presidente. Na última semana, em entrevista ao Jornal Nacional, o candidato do PL afirmou que, se eleito, fará um ajuste na dívida pública sem mexer na Previdência Social ou na política de valorização do salário mínimo. No mesmo programa, Lula afirmou não estar preocupado com a dívida pública brasileira, mas disse que a responsabilidade fiscal "baliza" sua vida. "O otimismo é muito capitaneado pelas pesquisas que vêm sendo divulgadas, mostrando o estreitamento entre os dois principais candidatos e aumentando a possibilidade de uma alternância de governo. O mercado tem visto esse movimento com bons olhos", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos. Para Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil, a menor distância entre os candidatos "reduziu o prêmio de risco político e fiscal embutido nos ativos brasileiros, favorecendo principalmente bancos, varejistas e empresas mais sensíveis aos juros". Investidores também continuaram repercutindo os conflitos entre EUA e Irã no Oriente Médio e o impacto das tensões no aumento dos preços do petróleo. Na terça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que qualquer acordo assinado com o Irã "não vale o papel no qual é escrito" e que Washington deu "muitas chances" a Teerã para que a guerra acabasse. Os EUA também realizaram novos ataques contra o Irã na região sul do país, ao longo do estreito de Hormuz. Explosões foram ouvidas a leste de Bandar Abbas e nas proximidades da ilha de Qeshm, informou a emissora estatal iraniana. Dois superpetroleiros com bandeira da Arábia Saudita já haviam sido atingidos enquanto navegavam pelo estreito. Segundo a empresa de dados Kpler, cada uma das embarcações carregava 2 milhões de barris de petróleo bruto saudita. Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, a sessão desta quarta-feira passou por uma realização de lucros da commodity após as altas expressivas. "O mercado segue bastante incerto em relação ao desenvolvimento da situação geopolítica no Oriente Médio, o que resulta em imprevisibilidade não só na questão militar, mas também em relação ao fluxo de petróleo e derivados escoados do Golfo Pérsico". Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, contudo, o setor impulsiona a alta da Bolsa. "Embora as especulações e os desdobramentos no ambiente político sigam atuando como um catalisador pontual de volatilidade na sessão, o principal motor do índice continua sendo a tração exercida pelos papéis de grande peso ligados a commodities, que seguem atraindo o fluxo de capital de investidores estrangeiros". "As ações da Petrobras e de grandes mineradoras e siderúrgicas mantêm o papel de ancoragem do indicador, sustentadas pela resiliência das cotações das matérias-primas no mercado internacional. O temor de gargalos na oferta de energia, decorrente das permanentes fricções geopolíticas no Oriente Médio, oferece apoio ao preço do barril de petróleo e favorece as companhias exportadoras", afirma.

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