Em 'Press�o', com Brendan Fraser, meteorologista muda o destino da Segunda Guerra

Em 'Press�o', com Brendan Fraser, meteorologista muda o destino da Segunda Guerra

Brendan Fraser está animado com seu novo longa, "Pressão", que chega esta quinta-feira, dia 3, ao Brasil. É que o ator divulga o filme sobre a Segunda Guerra como se fosse o Tio Sam, recrutando espectadores para irem aos cinemas. Ele descreve a tensão que o exército americano sentiu antes do Dia D, quando soldados desembarcaram na França, à época tomada por nazistas. A produção vê as vésperas do episódio a partir de James Stagg, meteorologista escocês vivido por Andrew Scott, que ordenou adiar o ataque pelas condições climáticas. À Folha, Fraser reproduz a eloquência de seu personagem, o militar e presidente Dwight D. Eisenhower, ao falar sobre os atritos entre o homem e a natureza. De algum jeito, tenta convencer o repórter da grandiosidade da obra que estrela. "A pressão não era só barométrica [peso que o ar exerce sobre o solo]", brinca. Fraser. Projetado pela saga "A Múmia", ele tem repensado sua antiga imagem de galã. Agora, embarca em papéis mais dramáticos, distantes da masculinidade idealizada. "Não sabia que o Dia D havia sido adiado e que o elemento surpresa quase se perdeu. Homens como Eisenhower se importam demais com seus soldados, e havia muito em jogo." O mais conhecido desses personagens recentes rendeu-lhe um Oscar de melhor ator. Em "A Baleia", o artista vive um professor que enfrenta a obesidade e tenta reaver a família que o deixou. Fraser mostrou outra face no título de Darren Aronofsky. O cineasta Anthony Maras faz algo semelhante em "Pressão", ao levar conflitos de campos de batalha a quartéis em que oficiais tentam ignorar orientações meteorológicas. É uma forma, afirma, de humanizar heróis de guerra, que não precisam disparar armas para receber o título. "A mídia precisa de pessoas como James Stagg [o meteorologista], corajoso por exaltar a racionalidade e falar a verdade diante do poder." No geral, a filmografia do australiano, filho de gregos, analisa hábitos que operam nos bastidores da guerra. Em seu premiado curta "The Palace", de 2011, uma família se esconde numa antiga mansão otomana durante a invasão turca no Chipre, que até hoje enfrenta conflitos étnicos. Anos depois, em "Atentado ao Hotel Taj Mahal", o diretor retratou hóspedes de um hotel indiano tentando sobreviver a terroristas. Em ambos os filmes, a relação entre os envolvidos vai além da luta clássica entre o bem e o mal. Em seu primeiro projeto voltado à história americana, Maras diz ter tido a liberdade criativa que sempre teve. O choque entre o cientista escocês e o general americano, diz, ajudou-o a evitar clichês patriotistas —ainda que clássicos como "Apocalipse Now" também sejam lembrados por questionar mitos do exército americano. Mais recentemente, "Oppenheimer" também foi elogiado pelo teor crítico, tendo retratado a bomba de Hiroshima como uma maldição. Mesmo assim, houve quem criticasse Christopher Nolan por não ter incluído a visão japonesa. "Tenho orgulho da forma como representei Eisenhower", afirma Maras. "Ele escreveu duas cartas —uma elogiando as tropas vitoriosas, outra levando a culpa pela derrota. É o tipo de liderança que precisamos. Não precisamos fingir ter certeza daquilo que não entendemos." Sobre o papel dos estrangeiros, como o protagonista, para a América, o irlandês Andrew Scott diz que "Pressão" retrata a conciliação entre culturas distintas. "O longa é sobre uma aliança entre países que mudou o curso da história. Apesar dos atritos, eles precisam aprender a ouvir uns aos outros." Para o ator, "tolos são os que julgam ser maiores que a própria natureza". "Poderíamos pensar que um filme sobre o clima seria chato, mas estamos falando justamente sobre o que controla nossas vidas."

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