A Igreja Universal do Reino de Deus começou a construir um segundo Templo de Salomão. Se a primeira réplica do templo dos hebreus do Antigo Testamento foi construída há mais de uma década no Brás, em São Paulo, o novo será erguido no meio da Rota Romântica, na serra gaúcha, no centro de Gramado. A construção não é aleatória. Pelo contrário, ilumina uma nova estratégia de crescimento da Universal pelo país. Há uma tese bastante estabelecida entre pesquisadores da religião que atribui parte do sucesso da Igreja Universal à sua lógica de ocupação territorial nas cidades brasileiras. Enquanto a Assembleia de Deus, por exemplo, se distribui em muitas pequenas igrejas no interior dos bairros brasileiros, a Universal privilegia outra forma de presença. Desde a década de 1990, a igreja fundada por Edir Macedo constrói enormes templos em grandes ruas e avenidas, principalmente naquelas de maior circulação. Nas grandes cidades brasileiras, se você encontrar um grande terminal de ônibus, muito provavelmente também encontrará, em seus arredores, um megatemplo da Universal. Quando Edir Macedo construiu o Templo de Salomão, em São Paulo, a estratégia de ocupação territorial ganhou uma nova dimensão. À escala monumental do edifício somou-se a ambição de inscrever a Universal na história bíblica, fazendo do Brás um lugar de contato com o universo do Antigo Testamento. Aquela construção foi um marco da aproximação da igreja com referências judaicas. Pedras diretamente do Oriente Médio foram trazidas para o Brás, cultos com partes em hebraico chegaram a ser realizados e bandeiras de Israel se multiplicaram. Agora, com a construção do novo Templo de Salomão, em Gramado, a aposta é em outra direção. Por lá, o objetivo não é atrair para o templo os já convertidos. O foco é justamente o não convertido, o não evangélico, aquele turista que desconfia do pentecostalismo, o brasileiro que nunca entrou numa igreja Universal. A estratégia é inscrever o Templo de Salomão como uma das atrações da cidade, entre os chocolates quentes e a Rua Coberta. Gramado já articula referências religiosas, espetáculo e consumo em eventos como o Natal Luz. Com desfiles, apresentações e jogos de luzes, a celebração natalina se tornou uma atração turística. É nesse circuito, em que o repertório cristão também compõe a experiência do passeio, que a Universal procura se inserir. Segundo o site da própria Universal, o templo foi desenhado com base naquele descrito na Bíblia e comporá um complexo religioso que também terá um Jardim Bíblico, com passeio temático, e o Jardim das Oliveiras, além do Arca Center, espaço para que os visitantes possam adquirir suvenires e livros. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha O que a Igreja Universal faz ao construir um segundo Templo de Salomão, desta vez em um dos maiores destinos turísticos do país, é apostar que suas igrejas possam ser incorporadas como parte da paisagem de circuitos turísticos. Essa é uma forma de tornar familiar a presença da igreja, assim como o gospel foi pouco a pouco se tornando um gênero musical que extrapola o campo dos religiosos praticantes. Não é de se duvidar que o novo Templo de Salomão se transforme no primeiro templo da igreja que muitos turistas visitarão. Essa porta de entrada tanto pode ampliar sua base de fiéis da Universal quanto, sobretudo, cumprir a tarefa muito mais difícil de fazer com que suas igrejas deixem de ser vistas como espaços para evangélicos e se tornem referências culturais mais amplas. É assim que a Igreja Universal do Reino de Deus se reinventa e se prepara para que nas próximas décadas seja ainda mais familiar e desperte menos desconfiança dos não evangélicos. Mesmo que para isso tenha que construir um templo salomônico na serra gaúcha. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Em Gramado, Igreja Universal construir� seu segundo Templo de Salom�o
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