Gostaríamos de comentar o artigo da colunista Djamila Ribeiro ("Na Ucrânia, a cultura é uma outra forma de resistência à ocupação"; 23/7), publicado nesta Folha. O texto contém inúmeros juízos muito distantes da realidade. A tese principal é o sequestro de crianças ucranianas. A autora cita um relatório da ONU, que menciona 1.205 casos e, em seguida, um outro da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa), com o número de 20 mil crianças. Curiosamente, não demonstra nenhum interesse em compreender que a grande maioria dos membros da OSCE são países que continuam fornecendo armas à Ucrânia e insistindo no maior conflito e na imposição de uma derrota estratégica à Rússia.Agora, vamos aos fatos irrefutáveis. Durante as negociações em Istambul, em junho de 2025, a delegação ucraniana entregou uma lista com apenas 339 sobrenomes de crianças! Quando o lado russo a examinou, descobriu-se que mais de cem delas estavam na Alemanha. Este é um exemplo claro da manipulação de números e da propaganda falsa usada pelo regime de Kiev, que é então disseminada por todas as fontes possíveis. Ao mesmo tempo, mídias brasileiras publicam regularmente entrevistas com brasileiros que participaram do conflito pelo lado ucraniano, que falam de abusos e constantes enganos por parte das forças daquele país. Isso está sendo contado por pessoas reais, participantes dessa abominação. Mas aquele mito de violência das forças russas contra centenas de vítimas foi originalmente inventado pelo regime de Kiev para propaganda em massa de atos que foram condenados em Nuremberg. Como afirmou em entrevista Yulia Mendel, ex-secretária de Imprensa de Volodimir Zelenski, citando as palavras do presidente ucraniano: "Preciso da propaganda de Goebbels. Preciso de mil porta-vozes de Goebbels". Desde 2014, a Ucrânia vem praticando terror contra a população de língua russa. Eles não apenas proíbem o idioma russo em seu próprio país, o que não é segredo —estão exterminando fisicamente a população. Isso é o nazifascismo em sua forma mais pura! Existem inúmeras figuras culturais do Donbass, como Anna Reviákina, poetisa e autora de "A Filha do Mineiro" e "Crônicas da Cidade de Do"; Gueorgui Savítski, autor de livros como "Mariupol em Chamas" e "Cão de Caça"; Fiódor Berezin ("Guerra 2010: Frente Ucraniana"); e muitos outros que continuam escrevendo e contando a verdade sobre os acontecimentos no Donbass —tendo-os visto em primeira mão, não apenas observado à margem e, na maioria dos casos, nem sequer estando na Ucrânia. Em português, podemos recomendar a leitura do livro "O Povo Esquecido: Uma História de Genocídio e Resistência no Donbass", de Eduardo Vasco, que detalha todas essas nuances. E, mais importante ainda, aconselhamos fortemente a ler o autor clássico da literatura mundial Nikolai Gógol e sua obra "Taras Bulba", escrita ainda no século 19, para ao menos ter uma compreensão mínima das relações russo-ucranianas. TENDÊNCIAS / DEBATES Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.
Em Donbass, a cultura � resist�ncia � propaganda falsa
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