Na noite do sábado (15), Giulia Falcão saiu de um jantar com seu marido e entrou no carro. A dentista é casada com Ivo Kos, empresário do mercado financeiro conhecido na região da Faria Lima. Durante o trajeto entre o restaurante e a residência do casal, numa área nobre de São Paulo, uma discussão se inicia. A briga escala rapidamente e, de acordo com Giulia, Ivo passa a desferir socos contra seu rosto e seu corpo. Ao chegar próximo de casa, Giulia saiu do carro e pediu ajuda. Ivo foi atrás dela. Imagens feitas por câmeras de segurança divulgadas posteriormente mostram Giulia sentada na calçada, enquanto um homem, identificado pela defesa de Giulia como Kos, a atinge com chutes e socos. O segurança da rua observa a cena. Giulia grita e pede ajuda, mas, a pedido de Kos, o segurança não interfere. Enquanto isso, Kos segue desfigurando o rosto da mulher. O segurança então auxilia Kos a levar Giulia para dentro de casa, onde protegido pela privacidade do lar, Kos segue violentando a mulher. Estudiosos da violência contra a mulher afirmam categoricamente que o lugar mais perigoso para uma mulher é dentro de casa. De fato, os números mostram que a maioria dos crimes cometidos contra a mulher acontece no ambiente doméstico. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 57% dos episódios de violência sofridos por mulheres em 2024 aconteceram dentro de casa (apenas 12% acontecem na rua). De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 62,5% dos feminicídios registrados em 2025 ocorreram na residência da vítima ou do autor. Kos não foge à regra: valeu-se da privacidade de seu carro e depois das paredes de sua casa para espancar a mulher. Já havia feito isso antes, a violentou sexualmente na intimidade do quarto do casal, já havia a ameaçado no sigilo do aplicativo de mensagens. Mas neste sábado, Kos levou sua violência para a esfera pública. Bateu na mulher a céu aberto, a chutou na calçada, na presença do segurança da rua. Ao contrário do que se possa pensar, não foi descuido, não foi descontrole, foi um ato absolutamente consciente. Perceba que Kos não bateu na mulher na frente dos clientes com os quais jantou. Não a agrediu na frente de seus pares, de gente de sua classe social, de seus colegas Faria Limers. Kos agrediu a mulher na frente de alguém que considerava subalterno. Chutou Giulia, protegido pelo patriarcado e pela desigualdade social. Foram essas duas forças, entrelaçadas, que contribuíram contribuíram para que aquele segurança, seja por medo de perder o emprego, pela suspeita de que "alguma coisa ela fez para merecer" ou pela crença de que "em briga de marido e mulher não se mete a colher", decidisse auxiliar, não a vítima, mas o agressor. Giulia só foi socorrida quando os vizinhos ouviram seus gritos e chamaram a polícia. O marido foi preso em flagrante. No dia seguinte, Giulia publicou um depoimento contando o que havia acontecido. Mostrou seus olhos roxos e inchados, o nariz e a boca desfigurados. Após ver quem deveria lhe ajudar fechar os olhos para a violência que sofreu, Giulia usou a arma que lhe restou: nos fez olhar para suas feridas, nos fez olhar para ela. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Em briga de Faria Limer n�o se mete a colher?
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