Em 1� apari��o ap�s derrota hist�rica de seu partido, Trump quis falar de lustres

Em 1� apari��o ap�s derrota hist�rica de seu partido, Trump quis falar de lustres

"Agora imaginem lustres em todo lugar." O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu partido tinham acabado de sofrer uma das derrotas mais brutais da história política moderna, mas, quando ele apareceu diante das câmeras pela primeira vez, o que ele queria discutir era design de interiores. "Imaginem um piso de mármore", disse ele. "Ah, vai ficar lindo." Uma cena surreal se desenrolou na quarta-feira (4), quando o presidente conduziu repórteres pelo salão de festas da Casa Branca para inspecionar o andamento das obras. Apontou vigas, falou sobre variedades de mármore e, de modo geral, minimizou o que havia acontecido na noite anterior, como se não tivesse sido o mais violento massacre político do país desde 1976 —como se não tivesse acabado de ver o Texas mudar de lado. Dentro de sua crisálida de concreto, tudo continuava lindo. "Vocês viram o heliponto lá de cima, como está lindo?", perguntou. "O mármore é realmente magnífico. É de um tipo que as pessoas cobiçam há 50 anos, e o dono da pedreira não queria vendê-lo, mas foi com a minha cara." Nada de mal-estar. Só mármore. Em determinado momento, o secretário do Interior, Doug Burgum, deu um passo à frente e disse: "Hoje, é claro, é um dia de celebração e um dia de gratidão". Era o reflexo invertido do evento realizado por Burgum e Trump na véspera das eleições, aos pés do espelho d’água do Lincoln Memorial, onde Trump ficou dentro de uma caixa de acrílico e divagou sobre canos de escoamento enferrujados e algas. Muitos republicanos estavam frustrados, quase apopléticos, porque Trump havia usado seu discurso final para falar de seus projetos de construção preferidos. Agora, a derrota histórica que temiam havia se concretizado, e Trump e Burgum voltavam ao mesmo assunto. Ele segurava um microfone enquanto caminhava pelo imponente esqueleto do salão de festas. De tempos em tempos, a microfonia saía do controle, e um som cacofônico e estridente reverberava nas enormes vigas do canteiro de obras. "Estão vendo a espessura e o tamanho desse aço?", perguntou, aproximando-se dos repórteres. De repente, decidiu responder a algumas perguntas. Não foi ríspido com ninguém nem rosnou. Não chamou ninguém de burro, gordo ou feio. Estava plácido. Disse não estar incomodado com o fato de seu vice-presidente estar fazendo sermões nas redes sociais sobre a derrota. Disse não se arrepender de ter entrado em guerra com o Irã. Disse que não demitiria o secretário de Defesa, Pete Hegseth. E defendeu o discurso que fez no espelho d’água na segunda (2). "Ouvi dizer que foi um discurso muito bom, recebeu ótimas avaliações", disse. "Foi um discurso muito parecido com o que estamos fazendo hoje." E foi mesmo. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo "Vejam a viga subir!", disse Trump de repente, interrompendo as perguntas por algum tempo. Caminhou sem pressa até outro canto do canteiro de obras, parou e apontou para um buraco no teto. O lugar ficou em silêncio. Os repórteres observaram. Uma enorme viga subia pelo salão, erguida por um dos guindastes que cercam a Casa Branca há meses. A viga se aproximou do buraco, mas o operador do guindaste não conseguia fazê-la passar. Trump se virou e disse, sem se dirigir a ninguém em particular: "No prédio inteiro, cada um dos buracos estava perfeito, o que é raro. Mas tivemos ótimos profissionais". A viga passou pelo buraco. Os operários aplaudiram. "Ótimo, não é?", perguntou o presidente. Ele explicou sua concepção da planta. "A cozinha fica embaixo", explicou, "porque, se eu colocar a cozinha em cima, e tivermos grandes escadarias vindo da cozinha, se eu colocar a cozinha em cima, você perderia três paredes, porque a cozinha ocupa cerca de 30% do espaço". Muitos republicanos no governo Trump acordaram na quarta profundamente deprimidos, preocupados com possíveis implicações jurídicas enquanto os democratas avaliam como usarão seus novos poderes no Capitólio. A troca de acusações já começou. Circulam perguntas sobre quem deixará o governo —e que tipo de gente ainda aceitará trabalhar nele daqui para a frente. Um aliado próximo do presidente que trabalha no governo assistiu à visita ao salão de festas na quarta-feira e concluiu que o presidente estava claramente abalado. Outro funcionário do governo sugeriu que, da próxima vez, o presidente comesse um pote de sorvete inteiro em vez de conduzir uma visita televisionada por um espaço que, para muitos, se tornou um símbolo do motivo pelo qual o Partido Republicano desabou de vez. Assim, os republicanos que olharam para o líder do partido na quarta-feira em busca de alívio para suas ansiedades talvez não tenham se sentido tranquilizados com a visita ao salão de festas. Mas, afinal, talvez a ansiedade dos outros não estivesse passando pela cabeça de Trump. "Isso foi mencionado de leve durante a campanha: por que Trump passa tempo cuidando da Casa Branca?", disse o presidente ao microfone, com a voz ecoando pelo canteiro de obras. "Bem, em primeiro lugar, é pouquíssimo tempo. Em segundo, eu gosto. É bom. Para mim, é relaxante."

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.