Elon Musk injetou discretamente mais de US$ 276 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão) em grupos republicanos e em seu super comitê de ação política (super PAC) desde o início de julho, montando uma enorme operação de mobilização de eleitores para ajudar o partido a enfrentar ventos contrários nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, disputadas em novembro. O valor impressionante faz de Musk, a pessoa mais rica do mundo, de longe o maior doador conhecido destas eleições. Representantes de Musk forneceram ao New York Times os números, até então inéditos, de suas doações políticas antes do prazo de entrega de declarações à agência federal, na quinta-feira. Na tentativa de salvar a maioria republicana no Senado, Musk doou um total de US$ 158 milhões (R$ 787 milhões) neste verão ao Senate Leadership Fund, principal super PAC de apoio aos candidatos do partido na Casa, segundo sua equipe. Somada, essa é uma das maiores doações políticas da história dos EUA, e supera o que o grupo rival democrata arrecadou de todos os seus doadores no trimestre. Musk também construiu uma grande operação republicana de mobilização de eleitores por meio de um super PAC que fundou em 2024, o America PAC. Ele doou mais de US$ 76 milhões (R$ 378 milhões) ao grupo, que por sua vez gastou esse mesmo valor na construção de um vasto programa de visitas porta a porta para tentar levar às urnas eleitores republicanos de difícil alcance. O grupo atua em 7 campos de batalha do Senado e em quase 30 disputas para a Câmara. Musk já doou muito mais dinheiro, cerca de US$ 366 milhões (R$ 1,8 bilhão), a comitês federais no ciclo eleitoral de 2025-26 do que na eleição de 2024, quando desembolsou aproximadamente US$ 290 milhões (R$ 1,4 bilhão) para ajudar a devolver o presidente Donald Trump e os republicanos ao poder. Ele deu ainda mais em doações não divulgadas nas duas eleições, segundo pessoas informadas sobre as contribuições. A mais recente enxurrada de gastos ajudou a dar ao Partido Republicano uma vantagem financeira nas eleições de meio de mandato, enquanto grupos externos bem financiados, como o poderoso super PAC de Trump, inundam as emissoras com propaganda nas semanas finais. Nenhum bilionário democrata gasta nem de perto o que Musk gasta, e o dinheiro continua sendo uma preocupação central para o partido num cenário político que, de resto, lhe é favorável. As doações também esclarecem o mistério sobre o fôlego Musk na política americana. "Em termos de gastos políticos, vou fazer muito menos no futuro", disse ele em maio de 2025. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Musk, que comanda um vasto império empresarial beneficiado por enormes contratos federais, é famoso por ser imprevisível e por saltar com frequência de um projeto para outro. Ele tem estado bem mais calado sobre sua atuação política desde o dramático rompimento com Trump no ano passado. Depois de meses exercendo vasta influência dentro da Casa Branca e comandando o projeto de corte de gastos do governo, ele se enfureceu com o principal projeto de política interna do presidente e chegou a ameaçar criar um terceiro partido. Mas os dois voltaram a se aproximar, aparecendo juntos em três eventos nas últimas duas semanas e elogiando um ao outro. Agora, Musk doou quase US$ 300 bilhões para ajudar Trump e os republicanos nas eleições de meio de mandato. O dinheiro sinaliza seu compromisso com a direita e o coloca como possível protagonista na eleição presidencial de 2028, na qual seu super PAC diz pretender continuar ativo, a primeira vez que o grupo confirma tais planos. Além das doações ao seu super PAC e ao Senate Leadership Fund, seus representantes disseram que, de julho a setembro, ele forneceu quantias menores, mas ainda substanciais, a outros grupos conservadores: US$ 20 milhões (R$ 99 milhões) ao Congressional Leadership Fund, principal super PAC dos republicanos na Câmara US$ 10 milhões (R$ 49 milhões) ao Lone Star Liberty PAC, grupo que apoia Ken Paxton, candidato republicano ao Senado no Texas US$ 10 milhões (R$ 49 milhões) à Associação dos Governadores Republicanos US$ 2 milhões (R$ 9 milhões) à Associação dos Procuradores-Gerais Republicanos "Se os democratas assumirem o controle de Washington e vencerem as principais disputas para governador e procurador-geral em novembro, os EUA correm o risco de se tornar um país socialista, 'woke' e sem fronteiras", disse Andrew Romeo, porta-voz do America PAC. "Esses investimentos robustos permitiram que o aparato do Partido Republicano divulgasse sua mensagem para que os republicanos tenham uma chance real de desafiar a história." Pressão por Paxton Nas portas de eleitores por todo o Texas, o material de campanha traz um alerta contundente: "Socialistas democratas radicais estão vencendo eleições em todo os EUA. O Texas poderia ser o próximo?" Os cartões pendurados nas maçanetas são obra da operação de Musk com eleitores, que mobilizou quase 3.000 cabos eleitorais remunerados na semana passada em todo o país, segundo dirigentes do America PAC. O grupo destinou a maior parte de seus mais de US$ 76 milhões (R$ 378 milhões) em gastos nesta eleição até agora a esse programa de visitas porta a porta, gastando quantias menores com publicidade, mala direta, ligações telefônicas e mensagens de texto. Grande parte das mensagens tem os democratas como alvo, às vezes de maneira enganosa ou exagerada. Nesta primavera, assessores políticos de Trump pediram a Musk que repetisse o programa de campo do America PAC de 2024, segundo uma pessoa familiarizada com a conversa. Apesar do cenário desafiador para os republicanos, alguns estrategistas do partido acreditam que um programa de campo pode fazer a diferença em disputas particularmente apertadas. A doação de US$ 10 milhões (R$ 49 milhões) de Musk ao super PAC de Paxton veio num momento crítico, quando o candidato republicano estava sendo seriamente superado em gastos. Os US$ 158 milhões (R$ 787 milhões) doados por Musk ao Senate Leadership Fund, o maior valor que o super PAC já recebeu de um único doador em um trimestre, podem ter viabilizado que esse grupo passasse a gastar pesado por Paxton de uma hora para outra, após meses de relutância. Isso porque as doações de Musk antecederam a decisão, tomada no fim de agosto pelo super PAC, comandado por aliados do senador John Thune, da Dakota do Sul, líder da maioria na Casa, de iniciar o que se tornou uma campanha publicitária pró-Paxton de US$ 149 milhões. Foco em questões transgênero Como em 2024, a operação de Musk não se concentra em persuadir eleitores indecisos, mas em registrar e mobilizar eleitores com crenças conservadoras, especialmente os de "baixa propensão", que têm menos probabilidade de votar. Isso é bem mais difícil para os republicanos em uma eleição de meio de mandato, sem Trump no topo da cédula. Para isso, o super PAC de Musk está apostando pesado nas guerras culturais, em especial nas questões transgênero. (A filha de Musk, que é transgênero, já falou sobre os atritos entre eles por causa de sua identidade, e ele sugeriu que isso levou a seu maior engajamento político.) Nas portas dos eleitores no Texas, os cabos eleitorais são instruídos a atacar Gina Hinojosa, candidata democrata ao governo, por seu histórico em questões transgênero, segundo trechos de um roteiro analisados pelo New York Times. Da mesma forma, a operação de Musk está deixando nas portas panfletos que afirmam que James Talarico, candidato democrata ao Senado no Texas, tem uma "agenda trans radical". E o principal anúncio do America PAC no estado, segundo a empresa de monitoramento de mídia AdImpact, critica Talarico por declarações antigas sugerindo que "Deus é não binário". O grupo de Musk também mira outros candidatos democratas ao Senado por causa de questões transgênero, incluindo Josh Turek, candidato do partido em Iowa. Em âmbito nacional, um dos anúncios mais visíveis do super PAC no Facebook mostra um homem de maquiagem e diz: "Ele fez seu plano para votar. E você? Não fique em casa enquanto malucos elegem radicais." O grupo veicula anúncios e envia mala direta sobre uma ampla gama de temas, mas o socialismo é um tema central. O super PAC de Musk ataca regularmente os democratas e os associa a figuras como o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York, segundo 48 peças de mala direta compartilhadas pela Mintt, empresa de monitoramento de correspondência.
Elon Musk doou R$ 1,4 bilh�o para republicanos que disputam elei��o em novembro
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