'Elle - Legalmente Loira' apela � nostalgia dos millennials

'Elle - Legalmente Loira' apela � nostalgia dos millennials

Depois de muito falatório e alguma expectativa, "Elle", a versão em série do filme "Legalmente Loira", finalmente chegou ao streaming no início do mês. É mais provável que agrade a millennials (e os mais jovens da geração X) nostálgicos do que aos adolescentes atuais para quem parece ter sido pensada. Lançado em 2001, o filme original é um dos mais inesperadamente memoráveis da virada do século e catapultou Reese Witherspoon, a protagonista então aos 25, para uma carreira bem-sucedida como atriz, produtora e megaempresária do showbiz. Era de se esperar que a Hello Sunshine, produtora da atriz especializada em obras com protagonistas femininas fortes, assinasse esta adaptação para o Prime Video. Foi Witherspoon que pessoalmente aprovou Lexi Minetree, californiana cujo destaque da carreira até então era uma participação em um dos filhotes de "Lei e Ordem", para o papel titular. E, para o bem e para o mal, sua Elle é uma cópia minuciosa daquela interpretada pela madrinha profissional. As duas têm a mesma altura (1,57 metro), o mesmo rosto redondo de olhos impetuosos, obviamente os mesmos cabelos loiros e a mesma inflexão de voz levemente irritante (ao menos para a personagem a novata ecoa a veterana, cujo jeito de falar é o mesmo na vida real). Minetree nasceu no ano em que "Legalmente Loira" foi lançado. Mas se a personagem é a mesma, a história não é. Enquanto o filme acompanha Elle Woods, uma garota mimada e rica da Califórnia, decidir estudar direito em Harvard e entrar na vida adulta, a série aborda o final de sua adolescência, imaginando que antes de tudo isso a garota teria passado por uma experiência formativa ao se ver obrigada a mudar para Seattle com a família no auge da era grunge. Caricaturas à parte, o recurso da série funciona para marcar algo tão díspar da realidade de Elle como é Harvard no filme. Críticos e espectadores, porém, já observaram que a experiência da Elle da série inviabilizaria a Elle do filme, já que ela ganharia consciência do mundo real anos antes de chegar à faculdade (obrigada, Beatriz, pelo apontamento). Atualizações foram feitas, seja para diversificar o elenco (muito branco no original) ou o próprio enredo (muito heteronormativo). No mais, a história corre como muitas comédias românticas, com a protagonista fazendo amigos entre os alunos menos populares da escola, apaixonando-se por um bonitão de bom coração que parece inalcançável e descobrindo que o mundo é maior que seu closet. A graça de "Legalmente Loira" e "Elle", porém, é sermos levados a ter preconceito da protagonista, até ela provar que pode oferecer mais do que a primeira impressão. É um roteiro surpreendentemente feminista. A nova produção veio cheia de agradinhos aos contemporâneos do original. A trilha sonora rock e pop é uma delícia; há referências múltiplas aos filmes de John Hughes ("Clube dos Cinco", "A Garota de Rosa-Shocking"); e pululam piadas sobre o futuro ("vai sumir de cena rapidinho, como aquela livrariazinha eletrônica online que Fulano adora", diz uma personagem em alusão à mastodôntica Amazon, dona, entre outras coisas, da plataforma que exibe a série). É, também, o último trabalho no ar de James Van der Beek, protagonista de "Dawson’s Creek" (nada mais millennial do que isso), morto em fevereiro deste ano. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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