Acabei de rever o filme francês "Os Jovens Amantes". A protagonista Shauna, interpretada por Fanny Ardant, tem 70 anos. Seu amante Pierre, personagem de Melvil Poupaud, tem 45. Shauna tem Parkinson e sabe que seu tempo é limitado. Pierre, médico oncologista, está completamente apaixonado. Ele decide se separar da esposa para amar e cuidar de Shauna. No entanto, sua esposa não aceita ser trocada por uma mulher mais velha. O filme retrata o drama de uma linda mulher de 70 anos que, apesar de estar apaixonada, não consegue aceitar o amor e o cuidado de um homem que, além de casado, é 25 anos mais jovem. Shauna acredita que não merece esse amor no fim da vida. Acha irracional um homem deixar sua família para cuidar de uma mulher que está morrendo. A inversão dos papéis tradicionais torna tudo ainda mais doloroso. Não é apenas uma mulher mais velha que está amando um homem mais jovem. É uma mulher mais velha, doente, que passa a ocupar o lugar que a sociedade costuma reservar às mulheres mais jovens. Para Carine Tardieu, diretora do filme, Shauna é uma mulher que atravessou a existência "na ponta dos pés". Apesar de ser uma mulher bonita, independente, bem-sucedida e ter uma profissão valorizada, ela tem dificuldade de aceitar esse amor porque sempre duvidou de si mesma. Para escrever o livro "Por Que os Homens Preferem as Mulheres Mais Velhas?" entrevistei 52 casais em que a diferença de idade é expressiva: elas sendo no mínimo dez anos mais velhas do que os maridos. Entrevistei casais em que as mulheres eram mais de 20 anos mais velhas. Chamei de "casais invertidos" esse tipo de casamento que inverte a lógica dominante segundo a qual os homens devem ser superiores às mulheres. As mulheres que pesquisei sentem muito medo, insegurança e vergonha por serem mais velhas. Os homens, ao contrário, mostraram que sentem uma profunda admiração por suas esposas que consideram, em muitos aspectos, superiores às mulheres mais jovens. Na época do lançamento do meu livro, em 2017, Brigitte e Emmanuel Macron se tornaram um exemplo do que encontrei na minha pesquisa. Eles se conheceram em 1993, quando ela dirigia uma oficina de teatro na escola e era professora dele. Ele tinha 15 anos. Ela, 39. Hoje, ele tem 48. Ela, 73. Ainda adolescente, Emmanuel Macron declarou seu amor por Brigitte, mas ela resistiu por muito tempo antes de aceitar a relação. Foi a determinação dele que fez com que ela assumisse uma relação que desafia tantas convenções sociais. Brigitte se divorciou do primeiro marido em 2006 e se casou com Emmanuel Macron em 2007, quando ele tinha 29 anos e ela 54. Na época, Brigitte tinha três filhos: um filho de 32 anos, uma filha de 30 e outra de 23. Para as mulheres que entrevistei, o mais doloroso não é apenas o olhar preconceituoso dos outros sobre uma relação que foge do modelo socialmente mais aceito. É o próprio medo, preconceito e vergonha de ser casada com um homem mais jovem. Passamos a vida inteira ouvindo que valemos menos quando envelhecemos e, quando alguém nos ama sem se importar com a nossa idade, nós mesmas não conseguimos acreditar que merecemos esse amor. Como revela "Os Jovens Amantes", o maior problema não parece ser a falta de atração dos homens por mulheres mais velhas, mas o fato de muitas mulheres acreditarem que não merecem ser amadas, admiradas e desejadas porque envelheceram. Todas Discussões, notícias e reflexões pensadas para mulheres LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Eles preferem mulheres mais velhas; elas n�o acreditam
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