Eleitor pendular segue indefinido entre Lula e Fl�vio Bolsonaro e sens�vel ao notici�rio, mostra estudo

Eleitor pendular segue indefinido entre Lula e Fl�vio Bolsonaro e sens�vel ao notici�rio, mostra estudo

A pouco mais de um mês do primeiro turno das eleições, o eleitor pendular, aquele cuja preferência oscila entre os candidatos, segue indeciso sobre qual deles escolher para presidente. É isso o que mostra um estudo qualitativo feito semanalmente desde maio com entrevistados desse perfil. O instituto Democracia em Xeque já produziu 15 rodadas do estudo, feito por meio de entrevistas aprofundadas com minigrupos de três participantes em cada. Nos encontros, que acontecem de forma virtual, são discutidos os assuntos que dominaram o noticiário político naquela semana e como os fatos afetam a percepção sobre os candidatos —especialmente o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que seguem à frente nas pesquisas. A ideia do estudo nasceu do entendimento de que essas eleições serão muito acirradas, devido ao alto grau de conhecimento e de rejeição que detêm Lula e Flávio. A partir de análises de pesquisas da Quaest, o diretor do Democracia em Xeque e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Beto Vasques, estima que o eleitor pendular, capaz de decidir o resultado, corresponde a cerca de 5% do eleitorado. Esse eleitor, ele afirma, tem vontade de votar, não rejeita nenhum lado e não tem identidade política fixa. "É um eleitor que pode oscilar para um lado ou para o outro. Ao sabor do quê? Não sei. É isso que a gente quer perguntar para eles", diz. Segundo Vasques, esse grupo é pragmático, vê a eleição como um trâmite e é motivado pelo desejo de mudança. A tendência, segundo ele, é que esse eleitor já escolha Lula ou Flávio no primeiro turno. Outra característica marcante é que seu voto é relacional. Quando perguntados em quem votariam se o pleito fosse hoje, quase todos os entrevistados falam mal de um dos candidatos para explicar por que devem escolher o outro. Além disso, o eleitor pendular é muito sensível às notícias. "Alguma notícia um pouco mais bombástica para um ou para outro vira o jogo de forma muito imediata", afirma o professor. "Até agora, de forma contingente. Não houve nenhum momento de uma inclinação ou eliminação definitiva." O caso "Dark Horse", que revelou a relação entre o filho de Jair Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, foi uma das notícias com efeito altamente negativo para o senador. A socióloga Esther Solano, que tem realizado as entrevistas ao lado da cientista política Camila Rocha, diz que, ao comentarem esse episódio, os entrevistados afirmaram que não poderiam mais confiar em Flávio para renovar a política. A proximidade do filho de Bolsonaro com Vorcaro também levou o grupo a lembrar outras investigações que envolveram o senador, como o caso da "rachadinha", referente à suspeita de recolhimento de parte do salário de funcionários de seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. As sanções do governo Donald Trump contra o Brasil também foram prejudiciais para Flávio, visto como alguém que se curva e se humilha diante dos Estados Unidos, afirma Solano. Já Lula foi elogiado pela defesa da soberania, mas criticado pela percepção de que, em certos momentos, respondeu ao líder americano com bravatas, diz Vasques. As investigações da Polícia Federal sobre o filho do presidente, Fábio Luís, suspeito de tráfico de influência, e sua amizade com a empresária Roberta Luchsinger, ligada ao lobista conhecido como Careca do INSS, também pesam contra Lula. Da mesma forma, foi mal recebida a revelação de que o ex-chefe de gabinete do petista, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, recebeu dinheiro de Roberta. Para os eleitores pendulares, a fala do presidente sobre não interferir nas investigações é correta, mas cresce a desconfiança de que ele possa atuar nos bastidores para proteger o filho. Também aparece entre o grupo uma pergunta que já rondou Lula no mensalão e na Lava Jato: como tantas pessoas próximas se envolvem em suspeitas do tipo sem que ele saiba de nada? O instituto selecionou para o estudo homens e mulheres de 30 a 50 anos, com ensino médio, renda familiar de 3 a 7 salários mínimos, e moradores, preferencialmente, das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador. Os relatórios devem ser lidos lado a lado com as pesquisas quantitativas, de forma a aprofundá-las. Se os grandes levantamentos eleitorais mostram que Flávio perdeu tração com o caso "Dark Horse", por exemplo, o estudo com os eleitores pendulares ajuda a entender os motivos. "A ponta do iceberg não nos interessa. Nos interessa justamente o que está no fundo do mar", afirma Solano. Agora, no período eleitoral, Vasques avalia que questões que ficaram em aberto serão definidoras para o resultado e devem continuar a aparecer nas entrevistas. "Como vai se desenrolar Lulinha-Marcola? Como vão se desenrolar as explicações do ‘Dark Horse’? São questões que ficaram para trás e que ainda precisam de explicações." Para sair vitorioso, afirma, Flávio precisará mostrar que pode ser a mudança segura que o eleitor deseja. "Mostrar que não é simplesmente um tiro no escuro", diz o professor. Já Lula precisará vencer a fadiga de material e convencer o eleitor, afirma Vasques, que pode oferecer um horizonte de futuro para além dos avanços conquistados em suas gestões. Uma chance para o presidente nesse sentido, diz, é conseguir a aprovação do fim da escala 6x1. "Lula está com o discurso muito mais orientado para a soberania. Se eu pudesse dar um conselho, diria para falar um pouco mais do fim da escala 6x1. E, para Flávio, parar de apresentar rolo e confusão. Conseguir dar uma explicação minimamente factível para o caso do ‘Dark Horse’ e apresentar sua biografia e propostas."

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