Na véspera da abertura das urnas, o Datafolha indica que a acirrada disputa presidencial, liderada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), será provavelmente definida em segundo turno, dentro de quatro semanas. Cabe a ressalva de que a confirmação de tal cenário está sujeita a migrações de voto de última hora e, não menos importante, à taxa de abstenção dos eleitores, crescente nos últimos anos. O que se pode afirmar com certeza é que a eleição terá a ganhar com mais uma rodada da corrida entre os principais candidatos. Lula tem 42% das intenções totais de voto, ante 40% de Flávio. Excluídos sufrágios nulos e em branco, como na contagem oficial, o placar é de 45% a 42%, o que caracteriza empate, na margem de erro, sem que ninguém consiga a maioria das preferências. Ambos desrespeitaram o eleitorado ao recusar a participação em debates até aqui, subordinando o confronto aberto de ideias, obrigatório na democracia, a suas estratégias e conveniências. O episódio mais recente foi especialmente grave. A decisão do petista de faltar também ao derradeiro debate antes do primeiro turno, promovido pela TV Globo, ganhou o suporte de aliados de ocasião em cortes superiores. A ministra Estela Aranha, por ele indicada ao TSE, proibiu a emissora de exibir a cadeira vazia reservada ao presidente; no Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, sob pretexto descabido, contrariou entendimentos do TSE e de sua colega Cármen Lúcia e forçou a participação de Renan Santos (Missão) no evento, cancelado após a desistência de Flávio com a mudança de última hora nas regras do jogo. A discussão de programas de governo, ademais, foi ofuscada pelo escândalo do Banco Master e pela crise inaudita do STF, dois fenômenos associados que afetaram os postulantes ao Planalto. Flávio, mais diretamente —o senador pelo Rio foi flagrado em mensagens amáveis ao corruptor e ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ao qual pediu cerca de R$ 130 milhões, em tese para o filme laudatório a seu pai. Tornou-se investigado no caso, o que foi omitido pelo ministro André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro ao STF e responsável pelo inquérito. Um contrato de valor similar foi firmado pelo Master com o escritório da mulher de Alexandre de Moraes, que no Supremo liderou o processo para a correta condenação do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado —e que em mais de uma ocasião esteve alinhado a Lula, assim como Dias Toffoli, outro parceiro em negócios de Vorcaro. Também contribuiu para conturbar a campanha a enxurrada de medidas eleitoreiras tomadas pelo petista, que, a exemplo de seu antecessor, abusou da caneta presidencial e deixou os custos para a administração seguinte. Tudo isso —e mais as propostas dos candidatos, em particular para o urgente ajuste das contas públicas— poderá ser mais bem avaliado em um segundo turno. editoriais@grupofolha.com.br
Elei��o presidencial acirrada tem a ganhar com 2� turno
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