Ele tem R$ 2 milh�es e ganha quase meio milh�o por ano, mas n�o poder� parar de trabalhar aos 65 anos

Ele tem R$ 2 milh�es e ganha quase meio milh�o por ano, mas n�o poder� parar de trabalhar aos 65 anos

Na semana passada, precisei dar a um cliente uma notícia que ele jamais imaginava ouvir. Mesmo possuindo R$ 2 milhões em investimentos, uma casa quitada avaliada em R$ 1,5 milhão e uma renda familiar de R$ 45 mil por mês, ele provavelmente não conseguiria se aposentar aos 65 anos mantendo o padrão de vida atual. Chamarei esse cliente de Marcelo para preservar sua identidade. Engenheiro de 44 anos, casado, pai de um menino de quatro anos e sem qualquer dívida, ele me procurou para conversar sobre investimentos. Sua dúvida era simples: queria saber como fazer sua carteira render mais com baixo risco. À primeira vista, sua situação parecia confortável. Patrimônio relevante, boa renda, imóvel quitado e uma carreira consolidada. O próprio Marcelo acreditava que bastaria trabalhar por no máximo 10 anos para conquistar uma aposentadoria tranquila. Mas, antes de discutir investimentos, fizemos aquilo que deveria sempre vir primeiro: um planejamento financeiro. Foi então que apareceu o verdadeiro problema. Embora a renda da família fosse elevada, a elevada despesa permitia que eles conseguissem poupar menos de R$ 1.000 por mês. O patrimônio havia sido construído em grande parte por acontecimentos favoráveis do passado, mas o padrão de vida atual consumia praticamente toda a renda. Marcelo ficou surpreso. Como alguém com R$ 2 milhões investidos e uma renda anual de quase meio milhão poderia não conseguir se aposentar mantendo o mesmo padrão? A resposta era mais simples do que parecia. Patrimônio nunca deve ser analisado isoladamente. Ele precisa ser comparado à vida que terá de sustentar. Quanto maior o padrão de consumo que uma família deseja manter durante décadas, maior será o patrimônio necessário para financiá-lo. Foi justamente isso que o planejamento revelou. Mantidas aquelas receitas, despesas e objetivos, o patrimônio acumulado não seria suficiente para sustentar com segurança a aposentadoria que Marcelo imaginava ter garantida por mais que 15 anos mesmo que ele trabalhasse até os 65 anos. Sua vida financeira precisaria ser revista. Essa é uma das maiores contribuições do planejamento financeiro. Antes de responder onde investir, ele responde perguntas muito mais importantes: quanto patrimônio será necessário para manter seu padrão de vida? Quanto você precisa poupar? Quando poderá se aposentar? Seus objetivos são compatíveis entre si ou será preciso fazer escolhas? No caso de Marcelo, o planejamento não determinou o que ele deveria fazer. Apenas mostrou as consequências de cada alternativa. Trabalhar por mais tempo, aumentar gradualmente a poupança, reduzir algumas despesas discricionárias ou aceitar um padrão de vida diferente na aposentadoria eram caminhos possíveis. Caberia à família decidir qual deles faz mais sentido. Muitas pessoas passam anos procurando investimentos capazes de aumentar alguns pontos percentuais de rentabilidade, quando o verdadeiro problema está antes da carteira. Nenhum investimento consegue compensar indefinidamente um padrão de consumo incompatível com a capacidade de acumular patrimônio. Investimentos são ferramentas importantes. Eles ajudam o patrimônio a crescer e tornam mais eficiente a caminhada até os objetivos. Mas eles executam um plano; não substituem um plano. Marcelo entrou no escritório procurando uma carteira de investimento melhor. Mas, saiu entendendo que o ativo mais importante que ainda lhe faltava era um plano viável. Michael Viriato é planejador patrimonial e sócio fundador da Casa do Investidor. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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