Economista Yanis Varoufakis critica STF ap�s derrota de Fl�vio e diz que Judici�rio ultrapassa limites no Brasil

Economista Yanis Varoufakis critica STF ap�s derrota de Fl�vio e diz que Judici�rio ultrapassa limites no Brasil

O economista grego Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças da Grécia e uma das vozes mais conhecidas da esquerda europeia, criticou a atuação do Judiciário brasileiro após a derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais de 2026. Em publicação no X (antigo Twitter) na quarta-feira (28), um dia depois de aliados de Flávio confirmarem que o senador havia deixado o país, Varoufakis afirmou não conseguir entender por que o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu reter o passaporte do congressista e disse que a medida "maculou a estupenda vitória de Lula". "Não consigo, por mais que tente, justificar por que diabos os tribunais do Brasil tiveram que exigir que Bolsonaro entregasse o passaporte no momento em que perdeu a eleição. O fato de ele ter questionado a veracidade do resultado eleitoral é um sinal de caráter falho, uma evidência de que ele é um mau perdedor. Mas ele tinha todo o direito de ser um mau perdedor, de questionar, com razão ou sem ela, qualquer resultado", afirmou Varoufakis. A determinação de apreensão do passaporte do congressista, autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, aconteceu depois de a Polícia Federal apontar "risco concreto de evasão do território nacional" de Flávio Bolsonaro em manifestação enviada no domingo (25). A solicitação foi entregue ao Supremo logo após Flávio ser derrotado por Lula no pleito. As autoridades citaram como argumento a saída do advogado Willer Tomaz do país, em 25 de agosto, amigo de Flávio Bolsonaro possivelmente envolvido em esquema criminoso com o senador, a articulação de Eduardo Bolsonaro por uma "estrutura voltada à permanência de longa duração" nos Estados Unidos e fala do irmão sobre a possibilidade de o candidato deixar o Brasil caso perdesse as eleições. Flávio Bolsonaro não entregou o passaporte, fugiu para os Estados Unidos e, na quarta-feira (28), divulgou uma carta com teor golpista na qual se disse inicialmente o "verdadeiro presidente eleito" do Brasil". Depois, ele mudou o termo para se dizer "líder do Brasil", mas manteve o tom golpista da carta. Ele é investigado em dois inquéritos criminais sob suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção. Com a derrota nas urnas, ele perde o foro especial em fevereiro de 2027, com o fim do mandato de senador. Na publicação, Varoufakis disse celebrar a vitória de Lula, mas que o "Judiciário não tem o direito de usar poderes para indiciar e perseguir alguém porque –ou imediatamente após– eles perderam uma eleição. É vergonhoso, para ser preciso. E também é perigoso para nós, da esquerda, que sabemos o que significa ser banido e caçado por juízes e delegados corruptos", afirmou Varoufakis. Para o economista grego, porém, o pedido de apreensão de passaporte é indício de que o Supremo extrapola poderes. "Temos no Brasil um Judiciário que extrapola as próprias atribuições e habitualmente cruza a linha que deveria separar o poder judicial do político", escreveu ele, ressaltando que Lula não está por trás desses excessos. "Mas também tenho uma mensagem para os apoiadores de Bolsonaro, ou aqueles em cima do muro, que presumem que Lula está de alguma forma por trás dos juízes. Ele não está! É o mesmo tribunal que prendeu, falsamente, o próprio Lula." Varoufakis é professor de economia da Universidade de Atenas, foi ministro das Finanças da Grécia em 2015, durante o governo de Alexis Tsipras, e cofundador do movimento Movimento Democracia na Europa 2025, sobre reformas democráticas e econômicas na União Europeia. Ele se define como marxista libertário. Também na quarta-feira (28), o Washington Post questionou a concentração de poderes na corte e defendeu em editorial que a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos expôs problemas na democracia brasileira. A publicação afirmou que ministros do Supremo passaram a acumular funções de investigadores, acusadores e julgadores em processos relacionados a ataques à democracia e à disseminação de desinformação e criticou decisões do ministro Alexandre de Moraes, incluindo o bloqueio da rede social X em 2024. O periódico ponderou não ser possível afirmar que Flávio é culpado ou inocente dos crimes pelos quais ainda é investigado, mas considerou preocupante que o senador possa ter dúvidas sobre a possibilidade de obter um julgamento justo no Brasil. Já o conservador Wall Street Journal, de propriedade do magnata australiano-americano Rupert Murdoch, criticou o pedido de apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro. O jornal afirmou que o senador tem "bons motivos para acreditar que não conseguirá um julgamento justo" se for acusado de um crime no Brasil. O jornal citou fala de Lula em debate presidencial na Band, no dia 18 de outubro, quando o petista disse que Flávio Bolsonaro perderia a imunidade caso não fosse eleito. "A responsabilidade de decidir se cabe processar criminalmente um político federal é do procurador-geral. Mas o ministro Moraes tem o hábito de expandir sua jurisdição quando isso lhe convém politicamente", disse o jornal, que também colocou em xeque a condenação de Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.

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