O PT está debatendo se promove encontros entre Lula e evangélicos. Devemos prestar atenção quando agentes políticos de lados opostos, como o pastor Silas Malafaia e o humorista Gregório Duvivier, concordam sobre o que não funciona. Na semana passada, ambos comentaram o evento público em que Janja cantou junto com o artista gospel Kleber Lucas. Malafaia apontou, em entrevista ao Correio da Manhã, que a relação conhecida da primeira-dama com religiões de matriz afro faz sua sinalização repentina a evangélicos parecer oportunista. "Isso deixa a comunidade evangélica indignada", disse, em seu estilo estridente. Duvivier critica uma "guinada" que acontece a um mês e meio das eleições. A mensagem causa estranhamento, diz. "Não é uma pessoa que gostava do gospel, é uma coisa que parece eleitoreira." Os comentários chegam junto com uma oportunidade inesperada de diálogo do PT com esse segmento: Flávio não tem a simpatia nem do evangélico comum nem de suas lideranças.Mentir é uma falta grave para o evangélico, e Flávio mentiu sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Grandes nomes do segmento mantêm distância, com receio de novas denúncias contaminarem suas denominações na campanha. A falta de policiamento ideológico abriu debates informais nas igrejas sobre outros nomes além do representante bolsonarista. Por isso, a estratégia da campanha petista se torna decisiva. Há uma audiência simpática a Lula nas igrejas. Apesar da perseguição a evangélicos de esquerda, petistas receberam cerca de 30% dos votos válidos do segmento no segundo turno em 2018 e 2022. Para esses cristãos, os benefícios materiais contam mais do que a defesa intransigente das pautas morais. A fragmentação da direita, provocada pela indicação de Flávio Bolsonaro, dá mais espaço para o PT se aproximar de evangélicos indecisos, ao menos no primeiro turno. Grandes lideranças concordam que se unirão contra Lula na segunda rodada do pleito. Mas o PT enfrenta dificuldades internas: sua liderança não tem simpatia por esse segmento e, pelo desconhecimento de sua complexidade, dá ouvidos a quem defende eventos do presidente com evangélicos —como aquele do qual Janja participou, cantando no estilo gospel. Essa aproximação funciona melhor ao longo do governo do que às vésperas da eleição —ainda mais porque o núcleo interreligioso do partido tem um caminho alternativo para apresentar Lula a evangélicos sem alarde.O núcleo diz contar com cerca de 10 mil evangélicos que atuam organicamente em suas igrejas —uma gota no oceano perto dos 60 milhões de crentes brasileiros. Mas o grupo evita levar a disputa política para as igrejas, preferindo ativar esses quadros por reuniões virtuais e oferecer recursos de convencimento para conversas privadas. Essa atuação é útil e sábia numa eleição disputada, ao evitar atiçar o antipetismo que predomina nas igrejas. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Duvivier e Malafaia est�o certos sobre estrat�gia do PT com evang�licos
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