O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (27) que autorizou o Tesouro Nacional a realizar uma nova rodada de recompra de títulos da dívida pública, caso seja necessário conter a turbulência no mercado financeiro após a reeleição do presidente Lula (PT). "Hoje a gente pode, sim, ter nova recompra de título do Tesouro. Eu falei com o secretário do Tesouro hoje de manhã e disse para ele que eu autorizo, na medida em que tiverem colocadas as condições e as necessidades de fazer intervenção", disse o ministro a jornalistas. Durigan afirmou que o governo continuará acompanhando os movimentos do mercado e atuando de forma coordenada com o Banco Central para reduzir oscilações excessivas nos preços dos ativos financeiros. Na segunda-feira (26), o Tesouro realizou duas operações extraordinárias de recompra de títulos públicos, uma pela manhã, com papéis prefixados, e outra à tarde, com títulos indexados à inflação. Segundo Durigan, as operações somaram aproximadamente R$ 10 bilhões, sendo R$ 7 bilhões em títulos prefixados e R$ 4 bilhões em papéis da série B, atrelados à inflação. O ministro ressalvou que os números exatos seriam divulgados pelo Tesouro Nacional. A intervenção ocorreu em meio a uma forte reação dos investidores à vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, despencou 13,88% na segunda-feira, aos 176.608 pontos. Durante o pregão, a Bolsa chegou a recuar mais de 17%, levando a B3 a acionar o chamado circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em situações de quedas acentuadas. O dólar também disparou, com alta de 8,21%, e encerrou o dia cotado a R$ 5,40, depois de alcançar R$ 5,60 durante o pregão. Foi a maior valorização diária da moeda americana desde janeiro de 1999. Durigan minimizou a possibilidade de que a reação represente uma desconfiança dos investidores em relação aos fundamentos da economia brasileira. Segundo ele, o movimento foi provocado principalmente pela necessidade de desfazer apostas financeiras realizadas antes da eleição. "O mercado estava apostando numa vitória eleitoral", afirmou. "O presidente Lula em, uma vitória histórica, desbancou a expectativa do mercado e acho que o mercado troca agora de posições num dia." O ministro disse que a atuação do Tesouro e do Banco Central buscou restabelecer parâmetros para o funcionamento do mercado, sem determinar preços para o dólar ou para os títulos públicos. "O mercado se desfazendo de posição pode ficar sem parâmetro e aí fica aquela queda, aquela variação de preço muito alta", afirmou. Ele disse que espera uma acomodação das expectativas ao longo desta semana e apontou a redução da cotação do dólar na manhã desta terça-feira como um sinal de maior estabilidade. "Eu espero que hoje a gente mantenha um nível de racionalidade, eu não estou falando de nível de preço, não me compete falar disso, mas um nível de racionalidade sem grandes oscilações é minha expectativa", disse. Durigan também afirmou que se reuniu com Lula no fim da segunda-feira para apresentar um balanço da turbulência financeira e das medidas adotadas pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central. Segundo ele, o encontro tratou das oscilações da Bolsa, do câmbio e dos juros futuros, além da necessidade de o governo dar sinalizações sobre sua política econômica. "Fui mostrando para o presidente o que estava acontecendo e quais foram as medidas que durante o dia Banco Central e Fazenda foram adotando. E, claro, sempre relembrando o presidente a necessidade da gente ter essa sinalização muito propositiva para o mercado e para o Congresso Nacional", disse. Entre as medidas em preparação, o ministro destacou uma alteração legislativa para reforçar a obrigação de o governo perseguir o centro da meta fiscal, e não apenas o limite inferior da faixa de tolerância. A proposta, segundo Durigan, deverá ampliar os instrumentos de contingenciamento de despesas, de modo a adequar a execução orçamentária ao resultado fiscal estabelecido como meta. Rafael Fonteles Questionado sobre a possibilidade de o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), assumir o Ministério da Fazenda no próximo mandato, Durigan elogiou o nome do político, mas negou que Lula tenha tratado da formação da nova equipe ministerial. Segundo o ministro, a composição da equipe econômica será definida pelo presidente nas próximas semanas ou meses. O ministro disse que, durante a reunião com Lula na segunda-feira, foram discutidas exclusivamente a reação do mercado financeiro e as medidas adotadas para conter a instabilidade. "Não tratamos de equipe. Isso é um assunto que o presidente vai se debruçar agora nas próximas semanas, nos próximos meses, para definir", afirmou. Imposto seletivo Durigan também disse que o governo pretende encaminhar ainda nesta semana ao Congresso Nacional a medida provisória que estabelecerá as alíquotas do Imposto Seletivo, criado pela reforma tributária. "Nós vamos fazer o envio em breve, essa semana provavelmente", afirmou. O novo tributo, também conhecido como imposto do pecado, incidirá sobre produtos e atividades considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e açucaradas, veículos e determinados bens minerais. O envio da proposta havia sido adiado para depois das eleições. A intenção da equipe econômica é que as alíquotas iniciais preservem, de maneira geral, a carga tributária atualmente recolhida por meio do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
Durigan autoriza nova recompra de t�tulos pelo Tesouro ap�s turbul�ncia no mercado
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