Dr. Furlan (PSD) derrota grupo de Alcolumbre e � eleito governador do AP, projeta Datafolha

Dr. Furlan (PSD) derrota grupo de Alcolumbre e � eleito governador do AP, projeta Datafolha

O ex-prefeito de Macapá Dr. Furlan (PSD) foi eleito neste domingo (4) governador do Amapá, segundo projeção do Datafolha. Ele recebeu 60,03% dos votos, contra 39,67% do governador Clécio Luís (União Brasil), com 51,10% das urnas apuradas. O resultado representa uma derrota para o grupo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), que tinha empenhado todo seu poder e influência em Brasília para tentar reverter o favoritismo de Furlan. Alcolumbre não concorreu nesta eleição, mas atuou na tentativa de reeleger Clécio. Acompanhe a apuração do 1º turno no Amapá Para projetar a vitória de um candidato, o Datafolha acompanha os dados da apuração divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e, por meio de um sistema próprio, faz a projeção do resultado considerando o agrupamento de eleitores por mesorregião e natureza do município em cada estado. Quando há um número razoável de votos apurados nesses agrupamentos, é possível estimar que um candidato não poderá mais ser ultrapassado e, portanto, projetar sua vitória. Furlan confirmou o favoritismo das pesquisas e venceu neste domingo, mas ainda depende do aval da Justiça Eleitoral ao seu registro de candidatura para tomar posse. O Ministério Público Eleitoral defende que Furlan está inelegível, por renunciar à prefeitura após um pedido de impeachment contra ele ser apresentado em março. A candidatura foi autorizada pelo Tribunal Regional Eleitoral, que entendeu que a renúncia à prefeitura ocorreu no contexto de desincompatibilização para disputar o cargo de governador. No TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ministro Dias Toffoli votou pela inelegibilidade, mas o julgamento foi suspenso por um pedido de vista do ministro André Mendonça. A inelegibilidade pela Justiça Eleitoral é a aposta de aliados de Alcolumbre para evitar que o presidente do Senado fique isolado quando for disputar a reeleição para o Senado em 2030. Sem Clécio, ele terá que enfrentar toda a estrutura do governo estadual na próxima disputa. Nesta eleição, o grupo contava com 15 dos 16 prefeitos do estado e 90% dos deputados federais e estaduais, além de 12 partidos e do maior tempo de propaganda eleitoral na TV e rádio. Também contava com apoio do governo federal –o presidente Lula (PT) foi ao Amapá para uma cerimônia da Petrobras, embora o estado seja geralmente ignorado nas campanhas por seu eleitorado diminuto. Furlan disputou sem fazer campanha para nenhum candidato à Presidência, embora o PL de Flávio Bolsonaro (PL) estivesse em sua coligação e tenha apoiado a candidatura de sua esposa ao Senado. Histórico Antônio Paulo de Furlan, 53 anos, foi prefeito de Macapá de 2021 a março de 2026. Ele nasceu em San José, na Costa Rica, enquanto seu pai fazia um mestrado, e retornou aos dez meses de idade para o Brasil. Morou em Belém até se mudar para o Amapá, onde montou uma empresa de cirurgia cardiovascular. Exerceu três mandatos de deputado estadual antes de concorrer à prefeitura em 2020. Na campanha municipal, adotou o apelido de "prefeitão", por causa do 1,92 metro de altura, e venceu a eleição no segundo turno contra Josiel Alcolumbre (União Brasil). O irmão do presidente do Senado era o favorito até que um apagão deixou o Amapá sem luz por dias. Na ocasião, Davi afirmou a uma rádio que o maior prejudicado pela falta de energia era seu irmão, que já teria vencido não fosse o adiamento da votação. A declaração ajudou a eleger Furlan, que assumiu a prefeitura com R$ 87 milhões em emendas parlamentares já aprovadas pelo governo federal e R$ 381 milhões oriundos da privatização do saneamento básico do estado –dinheiro que Alcolumbre projetava para turbinar a gestão do irmão. Os recursos foram usados para uma série de obras que mudaram a cara da capital e shows gratuitos de artistas nacionais. A popularidade o fez quase derrotar Alcolumbre em 2022 com a candidatura de sua esposa ao Senado. Furlan foi reeleito com 85% dos votos em 2024. Em março, ele e seu vice, Mario Neto (Podemos), foram afastados da prefeitura por decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), como parte de uma operação da PF (Polícia Federal) que apura suspeitas de um esquema de fraude a licitação na Secretaria Municipal de Saúde. O prefeito rebateu dizendo que era alvo de perseguição política e que seus adversários tentavam impedir a vontade do povo. Durante a campanha, Clécio o acusou de relações com o crime organizado, por empregar na prefeitura pessoas ligadas a facções criminosas. Furlan respondeu, em debate nesta terça (29) realizado pela Rede Amazônica, que a prefeitura não possui serviço de inteligência para investigar pessoas e que o governador usava esse assunto para tentar esconder os índices de insegurança no estado.

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