D�lar trava em alta de mais de 8% ap�s vit�ria de Lula; juros futuros disparam

D�lar trava em alta de mais de 8% ap�s vit�ria de Lula; juros futuros disparam

O dólar registra alta de mais de 8% e voltou a superar R$ 5 nesta segunda-feira (26), após o presidente Lula (PT) vencer o segundo turno das eleições presidenciais contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). O petista derrotou o ex-senador carioca por 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% do adversário, no último domingo (25). Por volta das 9h35, a moeda americana estava travada em valorização de 8,71%, a R$ 5,424, em movimento mais intenso que no exterior. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar, avançava 0,12%. O estresse também se refletia nos juros futuros. No mesmo horário, a taxa DI para janeiro de 2027 subia para 13,983%, alta de 52 pontos-base, enquanto a taxa DI para janeiro de 2031 avançava 182 pontos-base, para 14,460%. A volatilidade também se refletia no Ibovespa futuro, contrato negociado na B3 que permite negociar expectativas sobre a movimentação do principal índice do mercado acionário brasileiro. Mais cedo, a Bolsa ampliou para 15% o limite de queda do contrato futuro do Ibovespa. Por volta das 9h30, as negociações do contrato estavam paralisadas após a cotação atingir esse limite de queda. Analistas ouvidos pela Folha também esperam uma queda da Bolsa no mercado à vista nesta segunda-feira, com possibilidade de acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento do pregão anterior. A cotação do dólar nesta segunda-feira retoma patamares registrados em janeiro, quando a moeda americana chegou a R$ 5,48. Desde então, o dólar vinha se desvalorizando. É esperado algo similar da Bolsa. O BTG Pactual afirmou, em relatório, que espera uma venda expressiva de ações brasileiras nas próximas semanas, com o Ibovespa podendo atingir rapidamente os 170 mil pontos. Para o real, o banco projeta uma desvalorização de 10% a 15%. "Taxas de juros de longo prazo, uma moeda mais fraca e expectativas desancoradas podem levar o Banco Central a evitar um corte de juros mais agressivo no curto prazo", disseram os analistas. A desvalorização do real e a queda do Ibovespa nesta segunda-feira, portanto, revertem parte dos ganhos registrados após o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro terminou a votação na liderança, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula, então presidente. No pregão seguinte à primeira rodada da eleição, a Bolsa subiu 7,70%, aos 206.911 pontos, em recorde em termos nominais e reais. O dólar, por sua vez, caiu 4,11%, a R$ 5,001, no maior recuo de fechamento desde 2018, quando a moeda havia perdido 5,50% em uma única sessão. No acumulado desde a confirmação das candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro à Presidência, em agosto, o dólar recuou cerca de 2%, enquanto a Bolsa brasileira registrou alta de 15,3%. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. O desempenho positivo dos ativos após o primeiro turno refletia a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e de um ajuste fiscal mais rigoroso sob seu governo. Para os investidores, a continuidade de Lula na Presidência aumenta o temor de que não haja medidas suficientes para ajustar as contas públicas. A expectativa de menor controle fiscal tende a elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, pressionando a curva de juros. Taxas mais altas, por sua vez, podem encarecer o crédito para as empresas e reduzir as perspectivas de lucro, pressionando o mercado acionário. A reação dos ativos já era esperada por agentes do mercado. Levantamento do Citibank com 73 gestores de fundos de ações e multimercado mostrou que 80% dos entrevistados esperavam que a vitória de Lula provocasse uma queda superior a 5% no Ibovespa nesta segunda-feira. Outros 7% projetavam recuo entre 1% e 5%, enquanto 3% esperavam valorização de 1% a 5%. No câmbio, 63% dos gestores esperavam uma desvalorização superior a 5% do real, enquanto outros 28% estimavam recuo entre 2% e 5%. Já 6% projetavam valorização superior a 5% da moeda brasileira. No exterior, contratos futuros do real e ADRs (recibos de ações) brasileiras negociadas em Nova York apresentavam fortes quedas na manhã desta segunda-feira (26). Perto das 7h30, o fundo de índice (ETF) EWZ, que replica uma cesta de ações brasileiras negociadas em Nova York, despencava mais de 26% no pré-mercado. Já os contratos futuros do real para novembro e dezembro recuavam cerca de 10% cada. Entre os ADRs das principais companhias brasileiras listadas em Nova York, Itaú e Bradesco caíam 28% e 25%, respectivamente, enquanto Petrobras recuava 23%. As baixas de Vale e Embraer eram menos acentuadas, de 3,31% e 3,77%, respectivamente. Entre as ações de empresas brasileiras negociadas em Nova York, as da XP registravam a queda mais acentuada, superior a 45%, enquanto as do Nubank recuavam 20%. A JBS, por sua vez, caía cerca de 2%. No último pregão, na sexta-feira (23), o dólar fechou em queda de 0,96%, cotado a R$ 4,989, enquanto o Ibovespa subiu 0,47%, aos 205.082 pontos. A valorização dos ativos refletia as expectativas dos investidores em torno de uma possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL).

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